Países com conflitos fora de campo que podem se enfrentar na Copa do Mundo
Forte esquema de segurança, alertas, vigilância sobre torcedores… Caso algum desses jogos ocorra na Copa do Mundo, será preciso cuidado redobrado. São confrontos explosivos, não pela rivalidade esportiva, mas pelas circunstâncias do jogo político mundial, nas quais conflitos deixaram feridas ainda abertas, que causam dor, raiva e até ódio.
Confira abaixo três jogos com alta tensão geopolítica.
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Argentina x Inglaterra 🡪 Guerra das Malvinas
Podem se encontrar a partir da segunda fase
Em 1981, a Argentina entrou em guerra com o Reino Unido – Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte – pela posse das ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, localizadas a 500 km de seu litoral. A origem histórica do conflito é a ocupação das ilhas (que os britânicos chamam de Falklands) pelo Império Britânico em 1833. Os argentinos consideram as ilhas parte integrante de seu território ocupada por uma potência estrangeira. A tensão secular explodiu em 2 de abril de 1982, quando o governo militar argentino decidiu ocupar as ilhas com 5 mil soldados. Cinco dias depois, uma esquadra partiu da Inglaterra para recuperá-las pela força.
Iniciados em 25 de abril de 1982, os confrontos terminaram em 14 de junho, com a capitulação do governador argentino das Malvinas. Várias embarcações foram destruídas, e centenas de combatentes, mortos. O presidente argentino, general Leopoldo Galtieri, deixou o poder três dias depois, apontado como responsável pela derrota. Desde então, as relações entre os dois países são bastante tensas, pois os argentinos exigem negociar a devolução das Malvinas, mas os britânicos recusam. A questão ganhou mais importância desde 1993, quando se descobriram reservas de petróleo na região das ilhas. O conflito diplomático entre os países persiste.
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Croácia x Bósnia-Herzegóvina 🡪 Feridas da guerra civil
Podem se encontrar a partir das oitavas de final
A Croácia e a Bósnia-Herzegóvina são vizinhos e, até 1991, faziam parte do mesmo país, a Iugoslávia, que se desagregou em seis países e deu origem ainda à Sérvia, Montenegro, Eslovênia e Macedônia do Norte. Longe de ser um processo pacífico, a dissolução do país se deu por uma violenta guerra civil, com milhares de mortos em chacinas terríveis, motivadas pela ideia de “limpeza étnica”, ou seja, o extermínio de pessoas por causa de origem étnica ou de opção religiosa.
Para entender: a região da península balcânica, no sudeste da Europa, teve uma conturbada história de guerras e ocupações estrangeiras nos últimos milênios. A Iugoslávia, formada em 1929, reunia sete povos – croatas, bósnios, sérvios, eslovenos, montenegrinos, macedônios e albaneses – que professavam três religiões – católica, cristã ortodoxa e islâmica – e usavam dois alfabetos – latino e cirílico. Tornada comunista no final da 2ª Guerra Mundial, esfacelou-se no início dos anos 1990, durante a crise dos regimes do Leste Europeu, aberta com a queda do Muro de Berlim.
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No desmembramento da Iugoslávia, ressurgiram antigas tensões étnicas, manipuladas por líderes muitas vezes saídos do antigo regime e então convertidos ao “nacionalismo” croata, bósnio ou sérvio. Acontece que as diferentes populações estavam misturadas no território, e, durante a guerra civil, muitas vezes uma população minoritária em certa região era friamente assassinada em massa. Mesmo com a paz assinada em 1995 e as fronteiras delimitadas, a violência deixou feridas difíceis de serem definitivamente cicatrizadas.
França x Costa do Marfim 🡪 Franceses em retirada
Podem se encontrar a partir da segunda fase
As coisas não estão fáceis entre franceses e marfinenses. A França era a metrópole colonial até 1960, quando a Costa do Marfim obteve a independência. O país permaneceu sob uma ditadura por quase 40 anos, mas, como vários de seus vizinhos ex-colônias francesas, permanecia sob as asas da antiga metrópole, por meio de acordos econômicos, militares e políticos.
Quando a Costa do Marfim iniciou a democratização, em 2000, surgiram fortes tensões internas, opondo sobretudo lideranças do sul e do norte. O estopim da guerra civil, iniciada em 2002, foram leis discriminatórias restringindo direitos de líderes políticos do norte.
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Com forte presença de tropas na África ocidental, a França atuava militarmente sempre que achava necessário proteger seus cidadãos, seus interesses econômicos ou dar apoio a políticos locais. Um bombardeio da França para destruir a pequena força aérea do país, em 2004, provocou uma revolta popular contra os franceses moradores da capital, Abidjan, e suas propriedades. Grande parte teve de fugir às pressas, após viver no país por décadas.
A partir de 2022, vizinhos ao norte da Costa do Marfim, como Mali e Burkina Faso, mudaram seus governos e expulsaram as tropas francesas. Em 2025, a Costa do Marfim encerra seu tratado de defesa com a França, que retira suas tropas do país, e, após 50 anos de uso, devolve aos marfinenses a base militar de Port-Bouet, nos arredores da capital.
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