Fragrância ou fragância: qual é o certo?
Você sente o perfume de uma flor, abre um frasco de sabonete ou passa por uma padaria e logo percebe um aroma agradável no ar. Mas e quando chega a hora de escrever sobre esse cheiro marcante? É aí que muita gente tropeça em uma dúvida ortográfica que parece tão misteriosa quanto descrever um perfume: o certo é “fragância” ou “fragrância”?
A grafia correta é “fragrância“, segundo o Dicionário Houaiss. Já a forma “fragância”, sem esse segundo “r”, é considerada um erro ortográfico em textos formais, embora apareça ocasionalmente em embalagens e anúncios de produtos.
Por que a confusão?
Ao pronunciar a palavra rapidamente, muitas pessoas não percebem com clareza o encontro consonantal “fragr-“. Assim, acabam escrevendo a palavra da forma como acreditam ouvi-la, eliminando um dos “r”. É um daqueles casos em que a escrita não acompanha exatamente a percepção da fala.
Uma palavra que atravessou séculos
A origem do termo “fragrância” ajuda a entender por que esse “r” extra não pode desaparecer. O termo vem do latim “fragrantia“, derivado do verbo “fragrare“, que significava “exalar cheiro” ou “espalhar aroma pelo ambiente”. Desde suas origens, a palavra já carregava o grupo consonantal “gr”, que foi preservado ao longo dos séculos e chegou até o português moderno.
E a história não para por aí. A mesma raiz aparece em outras línguas:
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- Francês: fragrance;
- Inglês: fragrance.
Essa semelhança mostra que essas palavras nasceram da mesma família linguística, ligada ao universo dos aromas, perfumes e cheiros agradáveis.
+ Por que o idioma francês tem tanta influência no português?
Exemplos perfumados
Veja como a palavra aparece em diferentes contextos:
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- A fragrância das rosas invadiu todo o jardim.
- O perfume tem uma fragrância suave de lavanda.
- A fragrância do café recém-passado despertou a casa inteira.
- Algumas pessoas escolhem um produto apenas pela fragrância.
- A fragrância das flores anunciava a chegada da primavera.
Palavras perfumadas na poesia
O termo “fragrância” também encontrou espaço na literatura. A sonoridade delicada do termo e sua associação com aromas, lembranças e sensações fizeram dele um recurso frequente na poesia.
Um exemplo está no poema “De Longe Te Hei-de Amar”, de “Canções” de Cecília Meireles, em que a autora utiliza a palavra para evocar beleza, delicadeza e mistério:
De Longe Te Hei-de Amar
“De longe te hei-de amar
– da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.
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Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.
Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?
E, no fundo do mar,
a Estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.”
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