6 livros para conhecer a literatura de Marrocos, Haiti e Escócia, rivais do Brasil na Copa do Mundo
A Copa do Mundo 2026 começou e, na fase de grupos, o Brasil terá três rivais pela frente: Marrocos, Haiti e Escócia. Se, dentro de campo, a torcida é pela Seleção Brasileira, fora dele a competição é uma oportunidade para conhecer mais sobre a literatura dos outros países. Afinal, entre um jogo e outro, sempre há espaço para uma boa leitura.
Depois de explorar as obras de autores dos países-sede — México, Estados Unidos e Canadá — reunimos agora indicações de livros dos adversários brasileiros na primeira fase. A seguir, confira seis obras que apresentam diferentes perspectivas da literatura marroquina, haitiana e escocesa e expanda seu repertório cultural durante a Copa.
+ Entenda o impasse do Irã na Copa do Mundo
Marrocos
Rim Battal é uma escritora, artista visual e jornalista marroquina cuja obra aborda temas como desejo, violência, autonomia e liberdade feminina. Em “Eu me verei em meus olhos”, a protagonista — uma jovem que cresce no Marrocos e leva o mesmo nome da autora — comete uma pequena transgressão aos olhos da família e, por isso, enfrenta uma reação marcada pela violência e pela repressão. Apesar de ser considerada uma filha exemplar, ela é obrigada a se submeter a um teste de virgindade. A partir dessa experiência, Rim passa a perceber as diferentes formas de humilhação impostas às mulheres ao seu redor e compreende como a sociedade teme e busca controlar os corpos femininos.
Continua após a publicidade
Em “Canção de Ninar”, Leïla Slimani apresenta Myriam, mãe de duas crianças que decide retomar a carreira em um escritório de advocacia. Para conciliar a rotina profissional com os cuidados da família, ela e o marido iniciam uma busca criteriosa pela babá ideal e contratam Louise, uma mulher que parece reunir todas as qualidades desejadas: é discreta, educada e cria uma boa relação com as crianças. No entanto, uma tragédia envolvendo a babá e os filhos do casal muda completamente os rumos da história. Ao longo do romance, Slimani explora questões como relações de poder, preconceitos entre classes e as pressões enfrentadas pelas mulheres em torno da maternidade.
Para quem deseja se aprofundar na história e na cultura marroquina, a autora também escreve uma trilogia ambientada no país. Até o momento, dois volumes já foram publicados: “O País dos Outros” e “Vejam como Dançamos”.
+ Saiba quais são os idiomas mais falados entre as seleções da Copa do Mundo
Haiti
Continua após a publicidade
Ambientado na pequena Ville Rose, no Haiti, “Clara da Luz do Mar”, de Edwidge Danticat, acompanha a história de Claire Limyè Lanmè. No dia em que a menina completa sete anos, seu pai, Nozias, decide entregá-la aos cuidados de uma comerciante de tecidos, acreditando que ela poderá oferecer à filha, órfã de mãe, uma vida melhor. Antes que isso aconteça, porém, a menina desaparece. Enquanto Nozias e os moradores do vilarejo iniciam as buscas por Claire, segredos e lembranças dolorosas dos habitantes da comunidade vêm à tona, revelando como as histórias de Claire, de sua família e da própria cidade estão entrelaçadas.
Considerado um dos romances fundadores da literatura haitiana, “Senhores do Orvalho”, de Jacques Roumain, acompanha a trajetória de Manuel, que retorna ao seu povoado no Haiti após passar quinze anos em Cuba trabalhando como cortador de cana. No entanto, ao voltar para casa, encontra uma realidade totalmente diferente daquela que deixou para trás: a terra secou por conta do desmatamento, as fontes de água desapareceram e a população enfrenta a fome e a miséria. Além disso, conflitos entre famílias locais romperam os laços de solidariedade que sustentavam o trabalho coletivo da comunidade, conhecido como coumbite.
Nesse cenário, Manuel busca unir novamente os moradores, conciliando os aprendizados adquiridos entre os trabalhadores cubanos com os saberes ancestrais haitianos. O romance aborda temas como resistência, ancestralidade, valorização da cultura negra haitiana e o enfrentamento das diferentes formas de opressão.
Continua após a publicidade
+ Desigualdade na Copa: entenda por que os países mais pobres ficam de fora
Escócia
Entre os escritores escoceses, Arthur Conan Doyle costuma ser um dos mais conhecidos, inclusive entre aqueles que nunca leram suas obras. Isso porque foi ele quem criou o icônico detetive Sherlock Holmes, personagem que ganhou inúmeras adaptações para o cinema e a televisão. O que muita gente não sabe é que, além de se destacar na literatura policial, o autor escocês também se aventurou pela ficção científica.
É o caso de “O Mundo Perdido”, publicado em 1912, e considerada uma das obras pioneiras sobre dinossauros. Na trama, o paleontólogo Professor Challenger organiza uma expedição científica para comprovar a existência de dinossauros vivos em uma área remota da América do Sul. Para encontrar o local, considerado inacessível, a equipe conta com o auxílio de guias indígenas. O que encontram é um ambiente hostil e fascinante, habitado por criaturas pré-históricas e outros perigos inesperados.
Continua após a publicidade
Entre os destaques da literatura escocesa contemporânea está “Como Ser as Duas Coisas”, de Ali Smith, eleito um dos melhores livros do século 21 pelo The New York Times. A história alterna entre as perspectivas de George, uma adolescente de 16 anos que vive na Cambridge dos dias atuais, e Francesco del Cossa, artista renascentista italiano que existiu e foi o responsável pelos afrescos do Palazzo Schifanoia, em Ferrara, na Itália.
Enquanto tenta lidar com a morte da mãe, George desenvolve uma obsessão pela obra de Francesco, lembrando-se da viagem que fizeram juntas à Itália, e visita frequentemente Londres para observar o retrato de São Vicente Ferrer pintado pelo artista. Já Francesco, que se vê desencarnado diante de seu retrato de São Vicente Ferrer, observa alguém que parece ser um menino observando sua obra e reflete sobre sua própria trajetória. No livro, a autora busca reconstruir a vida de Francesco, sugerindo que ele teria nascido menina e adotado uma identidade masculina para exercer sua profissão. O romance propõe reflexões sobre arte, luto e identidade de gênero.
*O Grupo Abril tem uma parceria com a Amazon e recebe uma porcentagem das vendas feitas por meio dos links indicados nesta página. A seleção de produtos segue critérios exclusivamente editoriais. O estoque disponível refere-se ao momento da publicação desta matéria.
Continua após a publicidade
Prepare-se para o Enem sem sair de casa. Assine o Curso GUIA DO ESTUDANTE ENEM e tenha acesso a todas as provas do Enem para fazer online e mais de 180 videoaulas com professores do Poliedro, recordista de aprovação nas universidades mais concorridas do país.
Publicidade









COMENTÁRIOS