EUA violam cessar-fogo com Irã em meio a negociações sem resultados


Em comunicado divulgado à mídia estadunidense, o porta-voz do Comando Central das Forças Armadas dos EUA, Tim Hawkins, informou que os militares bombardearam “locais de lançamento de mísseis e barcos que colocavam minas” no Estreito.
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O Irã não confirmou quais foram os locais afetados pelos bombardeios. As mídias locais Irna e Mehr News Agency informaram que foram ouvidas múltiplas explosões no leste de Bandar Abbas e em áreas costeiras, acrescentando que a situação da cidade “permanece totalmente sob controle”.
Os militares dos EUA justificaram que os ataques foram uma ação de “autodefesa para proteger as tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas” e que os militares estariam “agindo com moderação durante o cessar-fogo em curso”, segundo noticiou a AP News, dos EUA.
Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou que derrubou um drone MQ-9 Reaper dos EUA sobre o Golfo Pérsico que teria invadido o espaço aéreo na nação mulçumana, acrescentando que qualquer violação do cessar-fogo será respondida com severidade.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã publicou nota criticando a “flagrante violação do cessar-fogo” pelos Estados Unidos.
“A prática desses atos agressivos, coincidindo com o processo de mediação diplomática em curso conduzido pelo Paquistão, revelou, mais uma vez, a má-fé e a quebra de promessas do governo dos EUA com a nação iraniana, os povos da região e a comunidade internacional”, diz o comunicado.
O governo de Teerã acrescentou que o país “não deixará nenhum mal impune e não hesitará em defender a ação iraniana”.
Negociações sem resultado
A violação do cessar-fogo pelos EUA ocorre em meio a negociações de paz que não têm dado resultados após quase sete semanas, desde a frágil trégua firmada entre os países.
Enquanto o Irã exige a saída das bases militares dos EUA do Oriente Médio, o desbloqueio dos recursos do país congelados no exterior, além do levantamento das sanções econômicas, Washington exige a entrega do urânio iraniano e a abertura completa do Estreito de Ormuz, por onde transitavam cerca de 20% do petróleo do planeta.
O Irã se recusa a negociar, neste primeiro momento, o programa nuclear do país, que o governo sempre alegou ser para fins pacíficos. Ao mesmo tempo, defende nova gestão sobre o Estreito de Ormuz diferente de como era antes da guerra.
Para analistas consultados pela Agência Brasil, a justificativa dos EUA e de Israel para entrarem em guerra contra o Irã, que seria o programa nuclear do país, entre outros motivos, é apenas um pretexto, sendo o objetivo principal a queda da República Islâmica como forma de projetar o poder de Israel na região e barrar a expansão econômica da China.



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