Jovens baianos apostam no empreendedorismo em busca de autonomia, renda e flexibilidade
Abrir o próprio negócio tem se tornado uma escolha cada vez mais comum entre os jovens. Seja por oportunidade, necessidade ou busca por flexibilidade, o empreendedorismo cresce impulsionado principalmente pelas redes sociais e pelos negócios digitais.
Aos 24 anos, Bruna Santos decidiu apostar no próprio negócio em busca de mais autonomia e independência financeira. Entre as vendas de tênis pelas redes sociais e a administração de um bar ao lado da mãe, ela faz parte de uma geração de jovens que encontrou no empreendedorismo uma oportunidade de crescimento, renda e flexibilidade.“A liberdade de ter algo que é meu, que eu mesma administro, planejo e crio, foi o que mais me motivou”, disse.
O crescimento do empreendedorismo entre os jovens acompanha uma tendência observada em todo o país e também no interior da Bahia. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o número de donos de negócios entre 18 e 29 anos cresceu 25% entre 2012 e 2024, chegando a cerca de cinco milhões de jovens empreendedores no Brasil.
Na Bahia, os pequenos negócios têm ganhado força principalmente fora da capital. Um relatório da Receita Federal, referente ao primeiro trimestre de 2026, mostra que cerca de 71% das novas empresas abertas no estado estão no interior.
Diferentes formas de empreender
Foi pela internet que Bruna Santos encontrou uma forma de transformar uma ideia em negócio. A Barreto Calçados funciona totalmente pelas redes sociais, modelo que tem se tornado cada vez mais comum entre jovens empreendedores.
A ideia surgiu depois que ela percebeu a falta de lojas com esse estilo na cidade. “Eu não parava de pensar em algo novo e diferente que eu poderia abrir. Percebi que aqui não tinha nada nesse estilo e achei uma ótima ideia trazer isso”, relata.
Segundo Bruna, a praticidade e o alcance do digital ajudam no crescimento das vendas. “Creio que o digital hoje é a melhor forma de vender. A chave é a constância nas postagens e, de repente, vem mais uma venda”, afirma.
Além da loja virtual, ela também administra um bar ao lado da mãe e destaca que os aplicativos e plataformas online ajudam a aproximar os clientes. “O cliente tem a liberdade de fazer o pedido do conforto de casa e isso ajuda bastante nas vendas”, explica.
Em Seabra, o marceneiro Carlos Alcântara também enxergou no mercado uma oportunidade para investir no próprio negócio. Mesmo diante da concorrência no setor, ele percebeu uma demanda crescente na área de móveis planejados e decidiu abrir a própria marcenaria.
Alcântara conta que começou a estruturar o negócio no espaço que possui em casa e diz que foi a partir da profissão que passou a enxergar o empreendedorismo como possibilidade de futuro. “No começo a gente faz tudo aos poucos, tentando conquistar os clientes e ganhar espaço”, relata.
O jovem de 24 anos ainda divide a rotina entre o novo negócio e o trabalho em uma outra marcenaria da cidade. “Empreender dá medo porque a gente começa sem garantia de nada, mas ao mesmo tempo é a chance de construir o próprio futuro”.
Desafios e insegurança
Apesar do crescimento do empreendedorismo entre os jovens, começar um negócio próprio ainda exige planejamento, investimento e persistência. A insegurança financeira e as dificuldades para expandir o negócio ainda fazem parte da realidade de muitos empreendedores.
Para Santos, o lado emocional é um dos maiores desafios da trajetória. “Começar do zero é muito difícil, principalmente quando não temos nenhuma garantia que vá dar certo. Isso mexe muito com o psicológico. Muitas vezes duvidamos se estamos no caminho certo e se realmente vale a pena continuar e insistir. Pra mim, esse é e continua sendo o maior desafio: o psicológico, a comparação, o medo”, relata.
Além da insegurança, Alcântara também aponta que as dificuldades também envolvem os custos para estruturar o negócio. Em Seabra, ele afirma que abrir uma marcenaria exige investimento alto em espaço físico e equipamentos. “Hoje, mesmo sendo uma cidade do interior, os custos são altos. Aluguel é caro e montar uma marcenaria exige espaço, máquinas e investimento. Para quem está começando agora, o acesso ao crédito ainda é muito difícil”, afirma.
A dificuldade de acesso ao crédito aparece entre os principais desafios dos pequenos empreendedores. Uma pesquisa do Sebrae aponta que, em 2023, 39% dos donos de pequenos negócios utilizam o cartão de crédito para financiar a empresa, enquanto apenas 7% conseguem empréstimos em bancos privados e 4% em bancos públicos.

O empreendedor Daniel Oliveira afirma que persistência e capacitação são fundamentais para quem deseja crescer no próprio negócio. Hoje com 29 anos, ele conta que empreender foi uma das melhores decisões que tomou.
“Abri meu negócio em 2017 e hoje já me consolidei como microempreendedor. Todo início tem desafios e persistir é o caminho”, afirma.
Segundo ele, acompanhar as tendências do mercado e buscar qualificação também fazem diferença no crescimento profissional. “Não é porque a pessoa decidiu empreender que não precisa estudar ou se capacitar. É preciso buscar melhorias o tempo todo”, destaca.
Oliveira também defende que a educação financeira deveria ser mais trabalhada entre os jovens. “Existe uma necessidade de preparar melhor essa geração para o mercado de trabalho, seja para empreender ou para construir uma carreira profissional”, avalia.
Alcântara também acredita que a capacitação é importante para quem deseja crescer no próprio negócio. Segundo ele, a experiência na marcenaria fez com que passasse a enxergar no empreendedorismo uma possibilidade de futuro profissional. “Hoje eu vejo meu futuro nesse ramo. Quero me capacitar cada vez mais e continuar crescendo”, afirma.
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