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Goiânia,16/05/2026

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    “Descolonizar” e “decolonizar”: qual é a diferença entre os dois termos?

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    “Descolonizar” e “decolonizar”: qual é a diferença entre os dois termos?

    Algumas palavras da Língua Portuguesa são tão parecidas que acabam levantando uma dúvida: existe diferença entre elas? É o caso da dupla “descolonizar” e “decolonizar”. Afinal, as duas formas estão corretas? E será que significam exatamente a mesma coisa?


    A resposta é sim e não: os dois termos existem, mas não têm o mesmo significado.





    Segundo Carlos Eduardo Guarino Silva, professor de Língua Portuguesa do Poliedro Colégio, embora os termos sejam parecidos, cada um carrega sentidos diferentes e aparece em contextos específicos. “É importante ressaltar que a palavra ‘descolonizar’ está presente no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), já o termo ‘decolonizar’ ainda não se encontra presente nele”, explica. Na prática, isso mostra que o termo é recente e ainda está ganhando espaço na Língua Portuguesa.


    + O que significa contumaz?


    O que significam “descolonizar” e “decolonizar”?


    Para entender a diferença de significado entre as duas palavras, primeiro é importante voltar ao conceito de colonialismo. Segundo o dicionário Michaelis, o termo define um sistema político, econômico e social baseado na dominação de um território ou povo por outra nação. Foi o que aconteceu, por exemplo, entre Portugal e Brasil durante o período colonial.


    A partir disso, surge a ideia de “descolonização”, que representa o processo pelo qual antigas colônias conquistaram independência em relação às nações europeias. “Países da América Latina, África e Ásia deixaram de ser colônias e emanciparam-se por meio da independência política e econômica”, contextualiza o professor.



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    Já “decolonizar” ganhou espaço recentemente, sobretudo em debates acadêmicos, sociais e culturais. Carlos ressalta que o vocábulo “decolonialidade” passou a ser usado com mais frequência a partir da década de 1990 e busca questionar heranças coloniais ainda presentes na sociedade. “Propõe o combate aos resquícios das estruturas coloniais que não deixaram de existir a partir da independência desses países”, explica. Entre esses resquícios estão, por exemplo, o racismo, a concentração de terras e o eurocentrismo.


    Um exemplo recente de decolonialidade aparece nos mapas produzidos pelo IBGE, que utilizam projeções diferentes da tradicional projeção de Mercator e colocam o Brasil em posição central, numa tentativa de reduzir a visão eurocêntrica tradicionalmente presente na cartografia.


    + A praça francesa que deu origem à palavra “greve”


    Qual é a origem das palavras?


    De acordo com o professor do Poliedro Colégio, os termos “descolonizar” e “decolonizar” surgem a partir da palavra latina colonia, que originalmente significava “propriedade rural”. Os termos também se relacionam com os vocábulos latinos colere e colonus, ligados às ideias de cultivo e trabalho na terra. O primeiro traz o sentido de “cultivar” ou “lavrar”, enquanto o segundo significa “lavrador” ou “agricultor”.



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    “A essa palavra, foi acrescido o sufixo formador de verbos ‘-izar’ e um prefixo de caráter negativo, ‘-de’ em ‘decolonizar’ e ‘-des’ em ‘descolonizar’”, destaca o especialista. A formação das palavras revela como os termos compartilham a mesma raiz, apesar de terem usos diferentes atualmente.


    + Qual é o coletivo de gafanhoto?


    Como não errar?


    Ao usar “descolonizar”, “decolonizar” ou palavras derivadas desses termos em uma redação, por exemplo, é importante prestar atenção para evitar confusões de sentido. Por isso, Carlos enfatiza que entender o contexto de cada palavra é essencial para não usá-las de forma inadequada.


    O professor ressalta que “descolonização” está mais relacionada aos conteúdos trabalhados nas aulas de História e pode ser uma boa estratégia para contextualizações históricas.



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    Por outro lado, “decolonialidade” aparece em discussões mais contemporâneas e ligadas a questões sociais que ainda impactam o cotidiano. O termo, segundo Carlos, “se refere a problemas oriundos de questões históricas, mas presentes em nosso dia a dia”.


    Confira abaixo dois exemplos que ajudam a entender melhor como usar cada um dos termos corretamente.



    • O processo de independência de países africanos lusófonos, como Moçambique e Angola, marcou a descolonização na segunda metade do século 20.

    • O incentivo à Reforma Agrária é uma maneira de realizar a decolonialidade no Brasil.



    Qual o plural de lápis?





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