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Goiânia,16/05/2026

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    Chapada Diamantina vira referência nacional em produção de mel de qualidade

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    Chapada Diamantina vira referência nacional em produção de mel de qualidade

    A Chapada Diamantina vem se consolidando como uma das regiões de destaque na produção de mel no Brasil. Entre floradas típicas, diversidade de biomas e práticas sustentáveis, o território baiano reúne histórias de transformação social, preservação ambiental e fortalecimento da economia local. Mais do que um alimento, o mel produzido na região carrega identidade cultural, geração de renda e reconhecimento nacional.





    “Costumo dizer que não fui eu que fui atrás das abelhas, foram elas que vieram atrás de mim”, relata Marcos Adriano Rocha, apicultor e meliponicultor de Mucugê. Filho de agricultores, ele cresceu em contato direto com a natureza e começou sua relação com as abelhas ainda durante o trabalho no campo.





    Ao capinar o solo, encontrava frequentemente espécies subterrâneas e passou a resgatá-las por curiosidade e preocupação ambiental. Sem conhecimento técnico, muitas não sobreviviam. “Isso me motivou a buscar mais aprendizado. Percebia que só com conhecimento poderia ajudar essas abelhas e melhorar minha relação com elas”, afirma.





    Depois de anos de pesquisa e prática, Rocha transformou a paixão em profissão, adotando técnicas sustentáveis de manejo e preservação das espécies.





    O mel da Chapada e o reconhecimento nacional





    Segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil produziu 64 milhões de quilos de mel em 2023. Parte dessa produção veio da Chapada Diamantina, região marcada pela presença simultânea de cerrado, caatinga e mata atlântica.





    Para Rocha, essa diversidade de biomas influencia diretamente na qualidade do produto. “As diferentes floradas resultam em méis com tonalidades, sabores e aromas únicos”, explica.





    No Congresso Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura (CONBRAPI) 2024, o Mel de Cipó-uva produzido em Rui Barbosa pelo apicultor Alex Fábio Lima de Melo conquistou o terceiro lugar na categoria de méis de abelhas sem ferrão. O evento reuniu especialistas, produtores e empresas do setor de todo o país.





    Da destruição à preservação





    O apicultor orgânico Pedro Constam, do Vale do Capão, relembra que, décadas atrás, práticas predatórias eram comuns na região.





    “Existia uma prática conhecida como ‘furar abelhas’. Muitas pessoas retiravam o mel sem nenhum cuidado e acabavam destruindo as colmeias. No final, as abelhas eram queimadas”, relata.





    Segundo ele, essa realidade mudou com o fortalecimento da apicultura sustentável e da conscientização ambiental.





    “Hoje, os produtores entendem que preservar as abelhas é preservar a própria natureza e garantir renda para as famílias”, afirma.





    Constam destaca que a atividade se tornou uma importante alternativa econômica para pequenos produtores da Chapada. “Em anos de boa chuva e colheita, a cadeia do mel movimenta cerca de um milhão de reais na região”, explica.





    Floradas únicas valorizam o mel da Chapada





    A diversidade vegetal da Chapada Diamantina é um dos principais diferenciais dos méis produzidos no território.





    Entre os destaques está o mel de candeia, comum no Vale do Capão e arredores do Morro do Pai Inácio. Segundo Constam, o produto possui coloração clara, sabor suave e baixa umidade, característica que garante maior durabilidade e qualidade.





    “O mel de candeia já conquistou premiações nacionais e se tornou referência pela excelência”, afirma.





    Outro destaque é o mel de Cipó-uva, também conhecido como Tinguí, considerado um dos mais valorizados da região. “Ele é praticamente transparente, com aroma floral marcante e características ideais para exportação”, explica.





    Foto: Reprodução




    O empreendedor apicultor Lamarque Almeida, de Seabra, também ressalta a importância do mel silvestre produzido durante o período chuvoso, quando diversas plantas florescem simultaneamente.





    Além das floradas, fatores como altitude, tipo de solo e vegetação contribuem para a singularidade do produto. Para Gilberto Mendonça, professor de agronomia da Universidade Estadual de Feira de Santana, cada território possui um terroir específico.





    “O mel da Chapada possui características diferentes de outras regiões da Bahia. Essa singularidade agrega valor ao produto e fortalece a atividade para pequenos produtores”, destaca.





    Turismo, experiências e educação ambiental





    A relação entre apicultura e turismo também vem crescendo na Chapada Diamantina. Iniciativas como a Bee Origem têm apostado em experiências educativas e sensoriais ligadas às abelhas sem ferrão.





    Entre as atividades oferecidas estão degustações de méis, melipoterapia e vivências de observação das colmeias.





    “Mais de 70% dos visitantes não sabiam que existiam abelhas sem ferrão. Quando conhecem, passam a enxergá-las de outra forma e entendem a importância da preservação”, afirma Rocha.





    Segundo ele, as experiências ajudam a combater o medo das abelhas e fortalecem a consciência ambiental dos visitantes.





    Associações fortalecem produção sustentável





    No Vale do Capão, a Associação Flor Nativa atua há décadas no fortalecimento da apicultura sustentável na Chapada Diamantina, atendendo produtores de mais de nove municípios.





    De acordo com Pedro Constam, a entidade promove encontros técnicos, capacitações e articulações com órgãos públicos e instituições científicas.





    “Oferecemos uma atividade rural que não impacta negativamente o meio ambiente. Pelo contrário, fortalece a preservação”, afirma.





    Foto: Reprodução




    A associação também participou da organização de eventos importantes para o setor, como o Congresso Nordestino de Apicultura e Meliponicultura, realizado em 2009, além de seminários regionais e congressos estaduais.





    Em parceria com a Federação Baiana de Apicultura e Meliponicultura, os produtores têm buscado fortalecer políticas de incentivo financeiro e combater a comercialização de mel falsificado, prática que prejudica consumidores e produtores locais.





    O mel na gastronomia





    O mel da Chapada também ocupa espaço crescente na gastronomia regional. Utilizado em receitas tradicionais e pratos sofisticados, o ingrediente tem chamado atenção de chefs e empreendedores do setor alimentício.





    Constam destaca que o mel pode substituir o açúcar em diversas preparações. “Ele adoça de forma mais natural e ainda agrega sabor e propriedades nutricionais”, explica.





    Entre as aplicações estão vitaminas, iogurtes, molhos para salada e marinadas para carnes.





    O chef André Chequer, dos restaurantes Paraguassu e Arenito, em Mucugê, afirma que os méis da Chapada proporcionam experiências gastronômicas únicas.





    “Eles apresentam acidez, aromas florais e características muito particulares, trazendo elegância aos pratos e sobremesas”, destaca.





    Para o chef, a valorização de ingredientes regionais vem crescendo na gastronomia brasileira. “Existe uma busca cada vez maior por produtos que expressem identidade cultural e territorialidade. Os méis da Chapada representam exatamente isso”, afirma.





    Desenvolvimento sustentável e identidade regional





    A produção de mel na Chapada Diamantina vai além da atividade econômica. Ela conecta preservação ambiental, agricultura familiar, turismo sustentável e valorização cultural.





    Por meio do trabalho de apicultores, associações e empreendedores locais, o território se consolida como referência em apicultura e meliponicultura na Bahia, fortalecendo comunidades do interior e impulsionando novas oportunidades de renda.





    Em meio às serras, floradas e colmeias, as abelhas seguem desempenhando um papel essencial não apenas para o equilíbrio ambiental, mas também para o desenvolvimento social, econômico e cultural da Chapada Diamantina e das comunidades do interior baiano.






    O post Chapada Diamantina vira referência nacional em produção de mel de qualidade apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.




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