Olimpíada escolar antirracista recebe inscrições até a próxima sexta


As duas primeiras edições da competição, realizadas no ano passado, mobilizaram mais de 33 mil alunos de todo o país. O volume triplicou em 2026, passando de 100 mil.
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A dois dias do encerramento do prazo, os valores de inscrição, necessários para a quitação de gastos administrativos e pedagógicos que viabilizam o projeto, são de R$ 440 para escolas da rede pública e R$ 880 para as privadas. A taxa cobrada de estudantes com participação individual é de R$ 65.
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Os participantes mais novos ou das séries iniciais testam conhecimentos sobre assuntos como brincadeiras e expressões artísticas indígenas, afrobrasileiras e africanas e modos de vida dos povos originários.
Já dos mais velhos ou de séries mais avançadas é esperada uma assimilação sobre o perfil étnico-racial da população brasileira, a transmissão de saberes pela oralidade, segregação étnico-racial, racismo ambiental, preconceito linguístico, darwinismo social, a repressão contra grupos minorizados e conceitos como colonialidade, descolonização e decolonialidade.
O conteúdo é sempre abordado conforme as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
As provas em todas as escolas seguirão o mesmo cronograma, devendo ser aplicadas no período de 13 a 29 de maio, pela internet, exclusivamente, com supervisão de funcionário da escola.
A organização da Obapo permitirá aplicação presencial, com versão impressa, apenas em casos especiais. Para que abra exceção, a escola deverá consultá-la.
Segundo a coordenadora pedagógica da Obapo, a mestre em geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Érica Rodrigues, 70% das inscrições são provenientes de escolas públicas, sendo a proporção de municipais e estaduais bastante equilibrada. Institutos federais têm se revelado outra parcela importante.
Adesão
A região do Brasil mais presente na olimpíada é o Nordeste. O Sudeste também tem muita adesão. Todas as unidades federativas se engajaram no projeto, ficando apenas o Acre de fora até agora.
O sucesso da olimpíada garante hoje, inclusive, parcerias com secretarias municipais de educação. Uma delas é a de Oeiras, no Piauí. Nas edições anteriores, todas as escolas da cidade participaram da Obapo, salientou Rodrigues.
Representatividade plural como antídoto
Érica Rodrigues comemora, ainda, a animação de crianças e adolescentes indígenas e quilombolas e como sua participação demonstra orgulho quanto à sua origem e sensação de pertencimento ao se envolver no projeto.
"É, para a gente, uma honra muito grande estar nesses territórios, abordar esses temas e perceber que esses alunos reconhecem dentro da Obapo sua própria identidade, enquanto parte da identidade e do presente do Brasil", diz.
Movimento
Especialistas têm preparado recursos para educadores que estejam atrás de boas referências para fazer circular, na sala de aula, esses conhecimentos contra-hegemônicos e que contestam a branquitude. Um deles é fruto do apoio conjunto da Porticus pela Cidade Escola Aprendiz com a Roda Educativa, a Ação Educativa e 25 organizações e movimentos sociais.
Lançada em novembro de 2024, a publicação trata de uma educação no ensino fundamental de cunho integral e alinhada à atitude antirracista.
Além de ser uma tentativa de despertar o interesse pelos temas, o projeto acaba sendo uma forma de ir mais fundo nas questões e permite que se enfrente coletivamente as desigualdades constatadas na educação, campo que acaba definindo os rumos da vida de qualquer pessoa.
Como destaca o Instituto Alana, em material sobre a Lei 11.645/2008, ao reproduzir a frase de Eduardo Galeano, "até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador".
Mapeamento do Todos Pela Educação evidencia o elevado grau de dificuldades que estudantes racializados precisam contornar para ter acesso à educação básica.
Indígenas, por exemplo, conseguiram ocupar mais a escola de 2014 para 2024, mas dispõem de estruturas precarizadas quando as instituições ficam dentro de seus territórios. Uma porção ínfima, de cerca de 2%, tem rede de esgoto e 12,9% conta com coleta de lixo. Pouco mais da metade possui banheiros (62,5%) e energia elétrica (57,8%). Dados que provam que o caminho para a escola não é o mesmo para todos.
Mais informações, incluindo a indicação de livros e outros materiais, estão disponíveis no site da Obapo.



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