Novo mapa-múndi do IBGE inverte polos, coloca Brasil no centro e foca em biodiversidade
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou, na segunda-feira (4), um novo mapa-múndi que vai estranhar qualquer pessoa acostumada com os mapas tradicionais — e essa é exatamente a ideia. O mapa “Riqueza de Espécies 2025” apresenta o mundo de “cabeça para baixo”, com o Brasil no centro e os continentes em proporções mais próximas do que seriam na realidade. Sobre os índices de biodiversidade ao redor do globo, o lançamento faz parte das comemorações dos 90 anos do instituto e segue a mensagem de valorização do Sul Global, já presente em outros mapas lançados pelo IBGE nos últimos anos.
O novo mapa usa a projeção Equal Earth, uma alternativa moderna à projeção clássica de Mercator, criada no século 16. Ela foi criada em 2018 por Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny com o intuito de ser um mapa que não distorcesse as formas e mantivesse a equivalência das áreas dos continentes. Além de corrigir as proporções, a projeção busca promover uma visão decolonial do mundo, corrigindo o viés eurocêntrico presente nos mapas tradicionais.
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No século 16, a clássica projeção de Mercator foi criada pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator com o objetivo de ajudar navegadores europeus a traçar rotas marítimas. Ela funciona bem para isso, mas tem um efeito colateral significativo: distorce o tamanho dos continentes, ampliando as regiões próximas aos polos, como a América do Norte e a Groenlândia, e encolhendo a África e a América do Sul.
Nessa projeção, a Groenlândia e a África, por exemplo, parecem ter aproximadamente o mesmo tamanho. Já na projeção Equal Earth, seria possível encaixar 14 Groenlândias dentro do continente africano.
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Riqueza de Espécies
Para as escolhas cartográficas, o conteúdo científico do mapa também é de grande relevância. A publicação traz informações sobre a diversidade de espécies no planeta a partir de um indicador que mede a quantidade potencial de anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce em áreas de 100 km². Quanto mais verde, maior o índice; quanto mais vermelho, menor.
Com o Brasil centralizado, fica visível que o território brasileiro representa uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta.
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Divergência sobre convenções cartográficas
A iniciativa do mapa, no entanto, não é unanimidade. Um núcleo da Assibge, sindicato que representa funcionários do IBGE, divulgou um manifesto contestando a iniciativa e alertando para possíveis impactos na credibilidade do órgão. Segundo o núcleo, ao colocar o país artificialmente no topo e ao centro do mundo, o gesto poderia ser entedido como um movimento sem respaldo técnico reconhecido pelas convenções cartográficas internacionais.
“O novo mapa-múndi desafia séculos de visão eurocêntrica e reposiciona o Sul Global no centro do debate sobre biodiversidade, poder e futuro do planeta”, defende Marcio Pochmann, presidente do IBGE.
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