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Goiânia,22/04/2026

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    Povos originários ganham destaque em Salvador e no Recôncavo com exposições e ações culturais

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    Povos originários ganham destaque em Salvador e no Recôncavo com exposições e ações culturais

    Em meio às mobilizações do Abril Indígena, espaços culturais da Bahia abrem caminhos para o reencontro com a história, a identidade e a resistência dos povos originários. Em Salvador e no Recôncavo Baiano, iniciativas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) colocam a arte indígena contemporânea no centro do debate, ampliando o acesso à cultura e fortalecendo narrativas historicamente invisibilizadas — especialmente importantes para as populações das periferias e favelas, onde a luta por reconhecimento e pertencimento também se faz presente.





    A partir do dia 24 de abril, o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) recebe a Ocupação ORIGEM: arte indígena contemporânea, reunindo diferentes linguagens artísticas como pintura, escultura, fotografia e audiovisual. A iniciativa, realizada em parceria com órgãos estaduais, propõe uma imersão na produção artística indígena atual, destacando não apenas a estética, mas também as lutas e reivindicações desses povos.





    Logo no Piso 1, a Galeria Casarão apresenta a Mostra do Artesanato e da Arte Contemporânea Indígena, valorizando a produção de diversas etnias e promovendo geração de renda para artesãs e artesãos. Na área externa, a Feira Artesanato da Bahia – edição indígena, que acontece entre os dias 24 e 26 de abril, amplia esse movimento ao aproximar o público das tradições e saberes ancestrais.





    No segundo piso, o público poderá acessar a mostra audiovisual “Por onde andam nossas histórias Wapixana?”, do artista indígena Gustavo Caboco, que dialoga com arquivos históricos e memória coletiva. Já nas galerias internas, exposições de cocares de etnias como Pataxó, Tupinambá e Kiriri, além das fotoperformances da artista Célia Tupinambá, reforçam a potência simbólica e política dessas expressões.





    Mais do que uma programação cultural, a Ocupação ORIGEM se posiciona como um instrumento de afirmação de direitos e enfrentamento ao apagamento histórico. As obras apresentadas tensionam narrativas oficiais e reafirmam a importância das políticas públicas voltadas à cultura indígena, conectando essas pautas com a realidade das periferias e favelas, onde o acesso à cultura ainda é um desafio constante.





    Memória, território e resistência





    No Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, localizado na Enseada de Caboto, o Núcleo dos Povos Originários amplia esse diálogo ao propor uma imersão na presença indígena na região, com destaque para o povo Tupinambá — fundamental na formação histórica e cultural da Bahia.





    Com curadoria da fotógrafa Isabel Gouveia, o espaço reúne fotografias, grafismos do artista Thiago Tupinambá e o documentário Brasil Tupinambá, dirigido pela antropóloga Celene Fonseca. A proposta é provocar reflexões sobre colonização, identidade e resistência, trazendo à tona histórias que por muito tempo foram silenciadas.





    “É fundamental conectar o museu à realidade anterior à chegada dos europeus e humanizar os povos indígenas”, afirma Celene. Segundo ela, os Tupinambá nunca desapareceram, mas adotaram estratégias de resistência diante das violências históricas, mantendo viva sua identidade.





    O núcleo também estabelece um diálogo crítico com obras históricas expostas no museu, evidenciando contrastes entre representações romantizadas e cenas explícitas de violência contra povos indígenas. Essa tensão, segundo a coordenação do espaço, é parte essencial da proposta curatorial, que busca não apagar o passado, mas confrontá-lo.





    Presença viva e atual





    Com cerca de 239 mil indígenas de 35 etnias, a Bahia possui a segunda maior população indígena do Brasil. Esse dado reforça a importância de iniciativas como as do MAC_Bahia e do Museu do Recôncavo, que ampliam o acesso à cultura e contribuem para o reconhecimento da diversidade e da força dos povos originários.





    Ao ocupar museus e espaços públicos, a arte indígena contemporânea reafirma que esses povos não pertencem apenas ao passado, mas seguem vivos, produzindo, resistindo e transformando o presente — inclusive nas periferias e favelas, onde a luta por memória, território e direitos também se constrói diariamente.


    O post Povos originários ganham destaque em Salvador e no Recôncavo com exposições e ações culturais apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.




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