Crônica: Sem ponto ou vírgula
Cheia Buraco escada chuva estação Fila joelho trovoada roleta estrada E justo no guichê passagem cartão grade aumento vibra apagão e a catraca trava e o chão para e os caboclos vão Água cabos acordes ruídos zumbidos descarga fagulha estalos trovão Fila pés faixa chuva porta nem fila nem porta nem pés nem chuva Nem que a fila ande nem que a porta abra nem que os pés assentem nem que a chuva pare vida de pobre só contramão Serpente de ferro acento lotado ambulante pesado cheiro molhado retorcimento acrobático pertence escondido grito reclamação cigarro na mão nova porta nova fila empurrão novo fone de ouvido fatiador de laranja abacate coco limão nova camisa da copa seis vezes campeão barato é aqui bolo biscoito canto louvor café chocolate latão Entra Sai Amendoim bala mercadoria esbarrão vendedor ofendido debate discussão vendedor destemido forja cai pula pra outro vagão Outra faixa outra fila nova água nova linha Raio Toró E quando deu satisfeito da baldeação batedor de carteira vuco vuco escala salta corre erro precipitação Lá vem ambulância lá vem a polícia lá vem multidão isolamento helicóptero trilho câmera comoção E segura plataforma trens treme que não é comboio é povo na sanha rompe cordão que maquinista é trabalhador cumpre horário é descontado esporro patrão vê não família mais madruga que madrugador brada berra clama população que sirene d’trem não é freio de mão Homem saco pedaços perícia Fé desespera espelho partido tudo quebrado Escoltado ou linchado bombeiro ou PM hospital ou prisão Sem ponto ou vírgula Enquanto luxo banqueiro jantar Nova York sorrisos bebidas contratos noitadas governador previdência fundo Rio povo pensão
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