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Goiânia,24/06/2026

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    Vírus para Mac usa técnica inédita para evitar detecção e permitir invasão silenciosa

    tecmundo.com.br
    Vírus para Mac usa técnica inédita para evitar detecção e permitir invasão silenciosa

    Pesquisadores da empresa de cibersegurança SentinelLABS identificaram um novo vírus para computadores Mac que usa uma tática inédita para escapar da detecção. O programa malicioso, batizado de macOS.Gaslight, foi projetado para confundir sistemas de inteligência artificial usados por analistas de segurança na hora de inspecionar arquivos suspeitos.

    A Apple já atualizou sua ferramenta de proteção interna, o XProtect, para detectar o arquivo. Mesmo assim, o vírus não era identificado por outros programas antivírus no momento da descoberta.

    O que é e de onde veio

    O macOS.Gaslight é um tipo de programa chamado infostealer, ou seja, um software criado para roubar informações do computador da vítima. Ele foi desenvolvido em Rust, uma linguagem de programação moderna, e é voltado exclusivamente para Macs.

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    O arquivo malicioso passou sem detecção por 61 ferramentas de antivírus cadastradas no VirusTotal no momento da análise. A pontuação zero é resultado direto da estratégia do vírus de evitar strings e padrões que antivírus tradicionais reconheceriam como ameaça. Imagem: Sentinel One.

    Os pesquisadores atribuem o vírus com alto grau de confiança a um grupo de hackers alinhado à Coreia do Norte. Isso porque a Apple classificou o arquivo sob uma família de ameaças chamada BONZAI, que a SentinelLABS já associou a atividades norte-coreanas.

    O golpe contra a inteligência artificial

    A característica mais incomum do vírus é um bloco de texto de 3,5 KB embutido no próprio arquivo. Esse bloco contém 38 mensagens falsas que imitam o formato de um sistema de análise automatizada por IA.

    Essas mensagens fabricadas simulam erros técnicos graves, como falta de memória, disco cheio e falhas repetidas de operação. A ideia é fazer com que o sistema de IA que está analisando o arquivo acredite que algo deu errado e abandone a investigação antes de concluí-la.

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    Trecho do módulo de coleta em Python embutido no implante, mostrando as funções responsáveis por capturar dados do navegador, histórico do terminal, lista de aplicativos, processos ativos e o arquivo login.keychain-db, onde o macOS armazena senhas salvas. Todos os dados coletados são compactados e enviados ao operador via Telegram. Imagem: Sentinel One.

    Isso é o que os pesquisadores chamam de prompt injection, basicamente uma tentativa de manipular uma IA inserindo instruções disfarçadas dentro dos dados que ela está processando. 

    Como o vírus se comunica com os hackers

    O programa usa o Telegram, aplicativo de mensagens popular mundialmente, para receber ordens e enviar dados roubados. Isso porque o Telegram oferece uma API gratuita que permite criar bots, e os hackers usaram esse recurso para montar um canal de comando.

    Para dificultar ainda mais a detecção, toda a comunicação é criptografada com um sistema chamado AES-GCM e o tráfego passa por um certificado personalizado. Isso impede que ferramentas tradicionais de monitoramento de rede consigam ler o conteúdo das mensagens.

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    Visão do código interno do vírus mostrando como ele lida com respostas de erro da API do Telegram. Strings como "Forbidden: bot was blocked" e "Invalid bot token" revelam a lógica de autenticação do canal de comando, que usa o próprio sistema de erros do Telegram para controlar instâncias ativas do implante. Imagem: Sentinel One.

    Outro detalhe técnico relevante é que o vírus apaga automaticamente o token do bot do Telegram em seus próprios registros de atividade. Isso significa que mesmo que alguém capture os logs do programa em funcionamento, não conseguirá encontrar a chave de acesso usada pelos operadores.

    O que o vírus faz na máquina

    Uma vez instalado, o macOS.Gaslight roda em segundo plano e dá aos atacantes controle remoto sobre o computador. Eles podem executar comandos, encerrar processos, enviar e receber arquivos e até abrir um terminal interativo diretamente pela conversa no Telegram.

    Para garantir que o computador não entre em modo de economia de energia e interrompa a comunicação, o vírus usa um recurso do próprio macOS que impede o sistema de dormir.
    Além disso, o programa instala um módulo em Python capaz de coletar dados do navegador, histórico de comandos do terminal, lista de aplicativos instalados, processos em execução e uma cópia do arquivo login.keychain-db, que é onde o Mac armazena senhas salvas.

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    Parte do bloco de 3,5 KB com 38 mensagens fabricadas que o vírus embute em si mesmo. As mensagens simulam falhas técnicas reais, como processos encerrados por falta de memória, logs lotando o disco e falhas de build em pipelines de desenvolvimento. O objetivo é fazer um sistema de IA acreditar que a análise foi interrompida por erros legítimos. Imagem: Sentinel One.

    Para persistir no computador mesmo após reinicializações, o vírus cria um arquivo de configuração disfarçado de serviço legítimo da Apple, usando o identificador com.apple.system.services.activity. Esse tipo de camuflagem dentro do domínio oficial da Apple é uma tática recorrente em malwares ligados à Coreia do Norte.

    O que isso significa para a segurança digital

    O macOS.Gaslight representa uma evolução nas táticas de evasão. Vírus que tentam enganar ferramentas de IA ainda são raros, mas a tendência é que essa abordagem se torne mais comum à medida que analistas de segurança adotam sistemas automatizados com inteligência artificial.

    A recomendação dos pesquisadores é que qualquer pipeline de análise automatizada trate o conteúdo dos arquivos inspecionados como dado potencialmente hostil, nunca como instrução confiável. 

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