Canjica ou mungunzá? Entenda o nome da sobremesa em cada lugar
Junho chegou e, com ele, o aroma de canela, as fogueiras acesas e as barraquinhas de São João tomam conta do país. Você se aproxima do balcão e pede uma “canjica“, esperando aquela tigela quentinha de grãos de milho branco mergulhados em leite cremoso. Mas, dependendo da região do Brasil onde você estiver, pode receber um doce amarelo, firme e cortado em pedaços. Para receber a versão dos grãos de milho branco, você deveria ter pedido um mungunzá. Como um prato tão tradicional pode causar tanta confusão geográfica?
Toda essa mistura em torno das receitas de origem africana feitas à base de milho não é um erro de português, mas sim uma enorme riqueza cultural. São as famosas variantes linguísticas – que caem direto no Enem e vestibulares.
Abaixo, entenda como cada estado chama a canjica e não erre na hora de pedir na quermesse!
O mapa do milho: quem é quem no Brasil?
O milho é a grande estrela do período junino, mas a forma de nomear os seus derivados muda completamente dependendo das coordenadas geográficas.
A versão de milho branco ou amarelo em grãos com caldo doce, frequentemente acompanhado de amendoim ou leite de coco, é chamada de canjica em grande parte do Brasil. Porém, se você estiver na região Nordeste, o nome oficial desse prato passa a ser mungunzá.
Por lá, canjica é outra coisa.
Continua após a publicidade
A versão de milho-verde fresco cremoso é feita com milho-verde ralado, leite, açúcar e canela é conhecido como canjica no Nordeste. Já na região Sudeste, essa mesma receita ganha o nome de curau, e pode levar até leite condensado.
Por que a sobremesa muda de nome
Essa dança dos nomes acontece por causa das variantes linguísticas, que nada mais são do que as ramificações e transformações que uma língua sofre quando aplicada na realidade pelos seus falantes. A língua portuguesa não é rígida; ela se adapta ao tempo, ao grupo social e, claro, ao espaço.
A gramática divide essas variações em quatro grandes grupos:
Continua após a publicidade
- Diacrônicas (históricas): as mudanças que ocorrem com o passar dos séculos (como o vossa mercê que virou você);
- Diastráticas (sociais): ligadas aos grupos sociais, idades ou classes (como as gírias de internet ou jargões médicos);
- Diafásicas (estilo): a escolha entre o registro formal e o informal dependendo da situação;
- Diatópicas (geográficas): as diferenças que nascem do espaço geográfico onde os falantes estão inseridos.
E é exatamente aqui, nas variações diatópicas, que a nossa canjica e o mungunzá se encaixam. Como o Brasil possui dimensões continentais, o isolamento ou o desenvolvimento histórico de cada região cria vocabulários e estruturas únicas.
Portanto, na próxima vez que vir uma discussão sobre o nome correto do doce de milho, lembre-se: linguisticamente, todo mundo está certo. O português brasileiro é gigante e cabe perfeitamente em todas as tigelas.
Exemplos
- No Sudeste, a canjica quentinha com amendoim é sobremesa obrigatória nas noites frias de junho.
- Durante as festas de São João em Pernambuco, o mungunzá é servido para revigorar os festeiros.
- Minha avó preparou um curau polvilhado com canela usando os milhos-verdes frescos da espiga.
Continua após a publicidade
Prepare-se para o Enem sem sair de casa. Assine o Curso GUIA DO ESTUDANTE ENEM e tenha acesso a todas as provas do Enem para fazer online e mais de 180 videoaulas com professores do Poliedro, recordista de aprovação nas universidades mais concorridas do país
Publicidade



COMENTÁRIOS