Periferias do Pará ganham escola de documentário com oficinas, cineclubes e produção de filmes
As periferias do Pará serão palco de novas narrativas audiovisuais a partir deste mês. Estão abertas as inscrições para o Perifa.Doc, projeto gratuito que une cinema documental, educação patrimonial e formação cultural para jovens moradores de Belém e Marabá. A iniciativa vai selecionar cerca de 40 participantes, com até 29 anos, para um ciclo de oficinas, cineclubes, passeios guiados e produção de curtas documentais voltados às histórias e memórias dos territórios periféricos.
Realizado pela Rolé Brasil e pela FavelAcademy, com patrocínio da Vale por meio da Lei Rouanet, o projeto busca ampliar o acesso ao audiovisual e fortalecer as vozes das favelas e periferias da região Norte. As inscrições podem ser realizadas gratuitamente por meio do formulário disponível no site oficial do projeto.
A proposta é que os participantes utilizem ferramentas acessíveis, como celulares e kits básicos de filmagem fornecidos pela organização, para produzir documentários que retratem personagens, culturas e histórias muitas vezes invisibilizadas pelos grandes meios de comunicação.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Pará abriga o terceiro maior contingente de pessoas vivendo em favelas no Brasil. Nesse contexto, o Perifa.Doc surge como uma oportunidade para que jovens possam registrar suas próprias realidades, valorizando a memória local e fortalecendo a identidade cultural de suas comunidades.


Serão selecionados 20 participantes em cada município. Ao longo de aproximadamente três meses, os alunos terão acesso a aulas teóricas e práticas sobre fundamentos do cinema documental, roteiro, linguagem audiovisual, entrevistas, captação de som, operação de câmera, montagem e distribuição de projetos.
Ao final da formação, cada grupo será responsável pela criação de quatro curtas documentais. As produções serão exibidas em sessões públicas previstas para o dia 25 de setembro, promovendo o encontro entre arte, comunidade e território. Os filmes também serão disponibilizados gratuitamente na internet, ampliando o alcance das narrativas produzidas nas periferias paraenses.
Para o diretor e professor de roteiro Leo de Souza Santos, o projeto parte do reconhecimento da potência criativa existente nas comunidades.
“O Perifa.Doc nasce do entendimento de que as periferias já têm histórias potentes, olhares criativos e uma vontade latente de narrar seus próprios territórios”, afirma.
Além das oficinas, o projeto contará com os tradicionais “rolés” urbanos promovidos pela Rolé Brasil, organização que há 14 anos atua com educação patrimonial e redescoberta dos territórios brasileiros. Os passeios culturais serão abertos ao público e têm como objetivo estimular novos olhares sobre as cidades e inspirar a criação dos documentários.
As atividades começam em Marabá entre os dias 20 de junho e 6 de julho. Em Belém, a programação terá início em 3 de agosto, com gravações previstas até o dia 16 do mesmo mês.
Para o pesquisador Michel Pinho, um dos responsáveis pela formação, a iniciativa representa um importante passo para fortalecer a memória coletiva e ampliar oportunidades para a juventude.
“Participar do Perifa.Doc no Pará é muito simbólico porque fortalece a continuidade de iniciativas que valorizam os territórios e a memória, além de formar jovens através do audiovisual”, destaca.
Ao incentivar que moradores contem suas próprias histórias, o Perifa.Doc contribui para democratizar o acesso ao cinema e reforça o papel da cultura como ferramenta de transformação social nas favelas e periferias, ampliando oportunidades para uma nova geração de realizadores da Amazônia.
Mais informações: @perifadoc
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