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Goiânia,12/06/2026

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    O que é o super El Niño de 2026 e como ele pode afetar o Brasil

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    O que é o super El Niño de 2026 e como ele pode afetar o Brasil

    A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), uma das agências climáticas mais respeitadas do mundo, confirmou nesta quinta-feira (11) o que já soava como um alerta nas últimas semanas: o El Niño 2026 chegou. Agora, a atenção é para as dimensões que o fenômeno pode tomar – de acordo com a agência, há 63% de probabilidade que ele se torne muito forte. Ou seja, um Super El Niño.


    Entender esse gigante meteorológico e seus desdobramentos é fundamental não apenas para acompanhar os riscos de desastres climáticos, mas também para garantir uma boa base de argumentação nas questões de Geografia e Atualidades dos vestibulares e concursos. Abaixo, confira a explicação de especialistas no tema.





    O que faz de um El Niño “super”?


    Mapa-múndi mostrando anomalias de temperatura da superfície do mar entre 3 e 9 de junho de 2026. Grandes áreas do Pacífico e Atlântico apresentam temperaturas acima da média (tons de vermelho), com destaque para a região do El Niño. Algumas áreas no Atlântico Norte e Pacífico Norte mostram temperaturas abaixo da média (tons de azul)
    <span class="hidden">–</span>Inmet/Reprodução

    O El Niño é um velho conhecido da climatologia. Ele se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente na sua porção centro-leste. Esse “calor extra” altera toda a circulação atmosférica global, mudando o regime de chuvas e temperaturas em várias partes do planeta. Mas o que diferencia o El Niño comum de um “super”?


    Como explica a professora de Geografia do Estratégia Vestibular, Priscila Lima, a expressão não é uma categoria oficial única, mas serve para classificar episódios excepcionalmente intensos. 


    Tomando como referência o pico do fenômeno, os cientistas medem a intensidade pelo grau de aquecimento da água:



    • Fraco: aquecimento entre 0,5 °C e 0,9 °C;

    • Moderado: entre 1 °C e 1,5 °C;

    • Forte: acima de 1,5 °C.



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    Quando esse aquecimento é muito intenso e persistente — como nos registros históricos de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016 —, ele ganha o título de “super”. 


    Segundo a professora Rafaela Locali, do Colégio Oficina do Estudante, o alerta da NOAA acendeu a luz vermelha porque o fenômeno atual pode atingir níveis elevados o suficiente para impactar brutalmente a agricultura, a geração de energia e a segurança alimentar global.


    + O que são desertos alimentares?


    A reorganização do mapa das chuvas (e das secas)


    Do ponto de vista geográfico, o El Niño faz uma verdadeira dança das cadeiras com a umidade e o calor no espaço. Áreas que dependiam de uma regularidade climática para manter suas plantações passam a enfrentar extremos hídricos severos.


    No Brasil, essa dinâmica fica assim:



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    • Região Sul: tendência de chuvas excessivas e extraordinárias;

    • Regiões Norte e Nordeste: redução drástica das precipitações e temperaturas muito acima da média.


    “Na América do Sul, o fenômeno costuma provocar chuvas intensas no Sul do Brasil, Argentina e Uruguai, enquanto áreas do Norte e Nordeste brasileiro enfrentam redução das precipitações”, resume a professora Rafaela Locali. 


    Esse cenário seca os rios da Amazônia, desidrata as pastagens do Nordeste e, ao mesmo tempo, encharca os solos e causa enchentes nos estados do Sul.


    + O que as enchentes no Sul têm a ver com as mudanças climáticas


    O impacto na agricultura


    A agricultura é uma atividade dependente do calendário da natureza. A professora Priscila Lima explica que o problema central do El Niño não é apenas que ele faz chover mais ou menos, mas a mudança na sazonalidade, intensidade e distribuição dessas chuvas. Isso interfere no plantio, na germinação, no desenvolvimento, na colheita e até no transporte.



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    A conta para o produtor rural fica cara em qualquer cenário:



    • Onde falta água: a estiagem prolongada quebra a produtividade de grãos (como soja e milho), compromete o pasto do gado de corte e de leite, eleva os custos com sistemas de irrigação e pressiona os reservatórios;

    • Onde sobra água: o excesso de chuva encharca o solo, atrasa a semeadura, estraga culturas sensíveis (como hortifrutigranjeiros), favorece o aparecimento de doenças nas plantas e impede que as colheitadeiras entrem no campo.


    Comida mais cara


    Se a produção cai, o preço sobe. Essa é a lei básica do mercado, mas o El Niño consegue deixar essa engrenagem ainda mais complexa por meio de três efeitos encadeados:



    • Queda na oferta global: em um mundo globalizado, se grandes potências agrícolas como Brasil, Argentina, Índia ou Austrália registram quebras de safra em culturas como arroz, trigo e café, a oferta mundial despenca e os preços internacionais disparam; 

    • Explosão nos custos logísticos: o clima extremo destrói a infraestrutura. Chuvas excessivas estragam estradas rurais e bloqueiam rodovias essenciais para o escoamento. Por outro lado, secas históricas reduzem a navegabilidade de rios, encarecendo o frete. Quando a mercadoria demora mais para circular ou custa mais para ser transportada, esse valor é repassado ao consumidor;

    • A inflação generalizada: o mercado financeiro não espera a chuva parar para reagir. Ao menor sinal de risco climático para produtos essenciais (açúcar, carne, leite, soja), atacadistas e grandes empresas antecipam compras e reajustam contratos preventivamente. Como a demanda por comida é pouco flexível — afinal, ninguém deixa de comer porque o preço subiu —, pequenas ameaças na oferta geram aumentos expressivos no varejo.


    Como aponta a professora Rafaela Locali, o resultado final desse choque climático atinge em cheio o poder de compra da população, castigando principalmente as famílias de menor renda, que gastam a maior parte do orçamento doméstico com alimentação.



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    A importância do monitoramento 


    Apesar do cenário preocupante, há uma boa notícia: o El Niño não é um elemento surpresa. Ele pode ser monitorado com meses de antecedência por meio da análise da temperatura dos oceanos, comportamento dos ventos e modelos de pressão atmosférica.


    Por isso, as professoras ressaltam que a resposta dos países não pode ser apenas apagar o incêndio depois que o estrago foi feito. Como os boletins da Organização Meteorológica Mundial (OMM) avisam sobre o fenômeno com antecedência, cabe aos governos criarem políticas públicas preventivas: planejamento de safras, orientação técnica direta ao pequeno produtor, reforço de estoques reguladores de alimentos, facilitação de seguro rural, crédito adaptado ao risco climático e obras de infraestrutura e drenagem nas estradas.



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