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Goiânia,08/06/2026

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    Jovens com altos salários relatam sensação de pobreza e ansiedade financeira; entenda

    tecmundo.com.br
    Jovens com altos salários relatam sensação de pobreza e ansiedade financeira; entenda

    Ganhar um bom salário já não é garantia de tranquilidade financeira para parte dos Millennials e da Geração Z. Apesar de terem renda considerada elevada e manterem as contas em dia, muitos jovens relatam sensação constante de insegurança em relação ao dinheiro, fenômeno que especialistas associam a fatores emocionais, experiências familiares e comparações frequentes nas redes sociais, de acordo com uma reportagem da Fortune.

    Levantamento divulgado pela empresa de serviços financeiros Edward Jones, em parceria com o instituto Gallup, mostra que apenas 16% dos adultos americanos se consideram financeiramente realizados. Em contrapartida, 83% afirmam enfrentar algum nível de estresse, dificuldade ou incerteza financeira. Entre eles, a maior parcela, equivalente a 51%, integra um grupo classificado pelos pesquisadores como “conflituoso”: pessoas que não estão em crise financeira, mas também não se sentem seguras sobre sua situação econômica.

    Segundo Penny Pennington, sócia-gerente da Edward Jones, o estresse financeiro deixou de ser um problema restrito a pessoas em situação de vulnerabilidade. “Ele afeta milhões de indivíduos que aparentam estabilidade financeira, mas não se sentem seguros ou realizados”, afirmou no relatório.

    Os dados reforçam uma tendência observada por outras pesquisas recentes. Informações do Bank of America indicam que até mesmo famílias com renda anual superior a US$ 150 mil relatam viver de salário em salário. Em alguns casos, o aumento do padrão de vida tem pressionado orçamentos de pessoas com ganhos que chegam a US$ 500 mil por ano.

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    Quando a conta bancária não reduz a ansiedade

    Para especialistas, a sensação de insegurança financeira nem sempre está relacionada ao valor disponível na conta bancária. Nia Baiyeroju, consultora financeira voltada à Geração Z e fundadora da Nia Knows Finance, afirma que muitos de seus clientes economizam regularmente, evitam dívidas e seguem práticas consideradas saudáveis para as finanças pessoais, mas continuam convivendo com preocupação constante.

    Segundo ela, frases como “eu ganho um bom salário, não deveria estar passando por tantas dificuldades” ou “todo mundo da minha idade já resolveu a vida, por que eu não?” se tornaram comuns entre jovens profissionais.

    A explicação é que a segurança financeira também envolve fatores emocionais construídos ao longo da vida. Experiências de instabilidade econômica na infância ou dentro da família podem continuar influenciando a percepção de risco mesmo após a melhora da renda.

    Outro dado do estudo reforça os impactos dessa insegurança. Mais da metade dos entrevistados que se consideram financeiramente estressados afirmaram que o dinheiro controla frequentemente ou sempre suas vidas. Entre aqueles que se sentem realizados financeiramente, esse percentual cai para apenas 2%. O grupo mais satisfeito também apresentou indicadores superiores de saúde mental, bem-estar físico e qualidade dos relacionamentos.

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    Redes sociais ampliam sensação de atraso financeiro

    Entre os fatores que ajudam a explicar o fenômeno está a chamada “dismorfia financeira”, termo usado para descrever uma percepção distorcida da própria situação econômica. Dados da Intuit Credit Karma, divulgados em 2024, apontam que quase metade dos integrantes da geração Z e dos Millennials se sente financeiramente atrasada em comparação aos demais, mesmo quando possui nível de poupança acima da média.

    Segundo Baiyeroju, a comparação constante nas redes sociais desempenha papel importante nesse processo. Jovens com renda elevada podem sentir que estão ficando para trás ao acompanhar conteúdos sobre compra de imóveis, viagens de luxo e consumo de produtos de alto padrão. Ao mesmo tempo, pessoas que acreditam estar muito distantes desses objetivos podem desenvolver comportamentos impulsivos de consumo por considerarem inútil qualquer tentativa de poupar.

    Embora a ansiedade financeira se manifeste de formas diferentes entre as gerações, especialistas afirmam que a preocupação central é semelhante. Enquanto a Geração Z se pergunta se conseguirão comprar uma casa no futuro, Millennials lidam com custos relacionados à formação de família e dívidas estudantis.

    Já pessoas mais velhas costumam concentrar suas preocupações na aposentadoria. Para os especialistas, porém, a solução passa menos pelo aumento da renda e mais pela definição clara de objetivos financeiros e pela construção de uma relação mais equilibrada com o dinheiro.




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