Altos preços dos imóveis fazem aluguel se tornar principal alternativa para jovens
Para muitos jovens brasileiros, o aluguel tem se tornado a principal alternativa para garantir moradia diante dos altos custos dos imóveis e das dificuldades para acessar financiamentos. A realidade é ainda mais presente entre estudantes que precisam deixar suas cidades de origem para cursar o ensino superior e encontram no aluguel ou em residências estudantis uma solução temporária para permanecer nos centros urbanos.
Natural de Rafael Jambeiro, na Bahia, a estudante Taciere Santana atualmente mora em uma residência estudantil em Seabra para dar continuidade à sua formação acadêmica. Embora sonhe em conquistar a casa própria, ela avalia que até mesmo o aluguel representa um desafio financeiro para boa parte da juventude.
“O principal fator é o econômico, uma vez que aumento de salário e aumento do preço das coisas não andam paralelamente. O salário tem aumentado de forma muito reduzida comparado à necessidade da população, enquanto os valores da moradia, da alimentação e de outros itens essenciais têm disparado”, afirma.
Segundo a estudante, a dificuldade se agrava porque muitos jovens ingressam no mercado de trabalho em ocupações com baixa remuneração, o que limita a capacidade de poupar recursos para investir futuramente em um terreno ou financiar um imóvel.
A professora Patrícia Marques, que se mudou recentemente para Seabra, conhece a realidade dos aluguéis por diferentes perspectivas. Além de morar de aluguel, ela também atua como proprietária de imóveis alugados. Para ela, o cenário atual tem levado cada vez mais jovens a adiarem o sonho da casa própria.
“Muitos dos meus inquilinos são jovens que estão iniciando a vida adulta. Os altos preços dos imóveis, a necessidade de uma entrada significativa e o custo de vida elevado tornam mais difícil para muitos conquistar a casa própria”, explica.
Ela destaca ainda que o aluguel oferece maior flexibilidade para quem precisa mudar de cidade por motivos profissionais ou acadêmicos.
Esse é o caso de Iasmin Alves, que deixou Seabra para estudar em Salvador. Mesmo planejando permanecer na capital baiana após a graduação, ela encontrou no aluguel a alternativa mais viável para iniciar essa nova etapa da vida.
A estudante conta que a principal dificuldade foi encontrar imóveis com valores compatíveis com seu orçamento. Apesar de estar estabilizada atualmente, ela considera que adquirir uma casa ainda é um objetivo distante.
“Eu sonho em ter a casa própria, mas, assim como os preços dos aluguéis são elevados, comprar um terreno ou uma casa também é muito caro. É um investimento que se paga ao longo dos anos, mas complicado de se colocar em prática”, relata.
Embora existam programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, voltados para ampliar o acesso à moradia, Iasmin acredita que a estrutura econômica ainda impõe obstáculos significativos para a juventude. Na sua avaliação, iniciativas voltadas à educação financeira poderiam ajudar mais jovens a se planejarem para alcançar esse objetivo.

Já para Jayna Guimarães, natural de Seabra e atualmente residente em Lagarto, em Sergipe, por conta dos estudos, o cenário apresenta avanços quando comparado ao passado. Ela acredita que, apesar das dificuldades, existem hoje mais possibilidades de acesso à casa própria.
“Acredito que hoje em dia não é mais difícil conquistar a casa própria pelo simples fato de as coisas estarem evoluindo. Claro que existem dificuldades, maiores para uns e menores para outros, mas, de modo geral, isso tem sido mais possível”, avalia.
As diferentes experiências mostram que a relação da juventude com a moradia vai além da escolha entre aluguel e casa própria. Enquanto para alguns o aluguel representa uma etapa temporária durante os estudos ou início da carreira profissional, para outros ele se tornou a única alternativa diante dos altos custos do mercado imobiliário.
Nas periferias e cidades do interior, onde oportunidades de emprego e renda muitas vezes são mais limitadas, o desafio de conquistar uma moradia própria pode ser ainda maior. Nesse contexto, políticas públicas de habitação, geração de renda e educação financeira aparecem como ferramentas importantes para reduzir desigualdades e ampliar o acesso da juventude ao direito à moradia digna.
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