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Goiânia,21/05/2026

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    Ela entrou na iniciação científica e acabou descobrindo 4 novas espécies de abelha

    guiadoestudante.abril.com.br
    Ela entrou na iniciação científica e acabou descobrindo 4 novas espécies de abelha

    Enquanto muita gente associa a universidade apenas às salas de aula, Júlia Alberti de Liz, 25, encontrou nos laboratórios um outro lado da graduação: o da pesquisa científica. Foi durante a iniciação científica no Laboratório de Abelhas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que a estudante de Ciências Biológicas participou da catalogação de quatro espécies de abelhas até então desconhecidas pela ciência.


    Uma delas ganhou até um nome inspirado nela mesma: Habralictus obscuratus. Pequena, com cerca de seis milímetros e corpo quase todo preto, a espécie acabou refletindo um hábito da pesquisadora, conhecida no laboratório como “Júlia de preto”, por estar sempre usando roupas dessa cor.





    Mas a descoberta vai muito além da coincidência divertida. O trabalho da estudante ajudou a atualizar o conhecimento sobre um grupo de abelhas que não passava por revisão científica desde 1941.


    “Era como montar um quebra-cabeça da biodiversidade”, resume Júlia.


    + Entenda a importância das abelhas para o meio ambiente


    Horas na lupa e pilhas de artigos


    Júlia de Liz no Labe UFPR
    <span class="hidden">–</span>Marcos Solivan Sucom/Reprodução

    A rotina de uma iniciação científica pode parecer distante para quem nunca teve contato com pesquisa acadêmica. Na prática, porém, funciona como uma espécie de estágio dentro da universidade, só que voltado para a produção de conhecimento científico.



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    “É um programa das universidades que permite que estudantes de graduação participem de projetos de pesquisa. É quando a gente começa a aprender como o conhecimento científico é produzido”, explica.


    No caso dela, os dias eram preenchidos por atividades bastante detalhistas. Muitas horas eram passadas observando abelhas em microscópios, comparando características físicas e tentando entender onde terminava uma espécie e começava outra.


    + As espécies que desapareceram pela ação da humanidade


    “Envolvia muitas horas olhando na lupa, analisando as abelhas, observando características morfológicas para identificar as espécies”, conta. “Também incluía muita leitura de artigos atuais e antigos, inclusive das descrições originais das espécies, para comparar com o que eu estava vendo.”


    O foco da pesquisa era uma revisão taxonômica do gênero Habralictus, um grupo de abelhas pouco estudado ao longo das últimas décadas.


    “A revisão taxonômica atualiza a classificação e o conhecimento sobre a diversidade das espécies de um grupo. No caso desse gênero, ele tinha sido descrito em 1941 e nunca mais revisado. Existia uma lacuna de conhecimento ali”, explica.



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    Importância da pesquisa


    Nova espécie de abelha H. obscuratus.
    <span class="hidden">–</span>Marcos Solivan Sucom/Reprodução

    Embora pareça algo distante do cotidiano, catalogar novas espécies tem impacto direto no entendimento da biodiversidade e até na preservação ambiental.


    Sem saber exatamente quais espécies existem, onde vivem e quais são suas características, fica mais difícil criar estratégias de conservação e compreender os ecossistemas.


    As abelhas, por exemplo, desempenham um papel fundamental na polinização de plantas e na manutenção da biodiversidade. Conhecer melhor esses insetos ajuda cientistas a monitorar mudanças ambientais e até identificar riscos para diferentes espécies.


    Além disso, descobertas como essa mostram que ainda há muito a ser estudado sobre a fauna brasileira, inclusive em grupos pequenos e discretos, como as abelhas de poucos milímetros analisadas por Júlia.



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    + Como funciona a iniciação científica?


    Da graduação ao mestrado


    Júlia entrou no curso de Ciências Biológicas da UFPR em 2019. Desde então, mergulhou em projetos de pesquisa, cursos, eventos científicos e atividades de extensão.


    Ao longo da graduação, participou de congressos, apresentou trabalhos acadêmicos e passou por diferentes laboratórios. No início deste ano, ingressou no mestrado em Entomologia na própria universidade.


    Sua trajetória ajuda a mostrar como a iniciação científica pode transformar a experiência universitária. Mais do que complementar a formação, ela permite que estudantes desenvolvam autonomia, pensamento crítico e habilidades profissionais desde cedo.


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    “Quando você entra na iniciação científica, consegue criar um repertório próprio e desenvolver habilidades para conduzir o seu próprio trabalho na pesquisa”, diz.



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    E para quem pensa em seguir na área, Júlia destaca que aproveitar o que a universidade tem a oferecer faz toda a diferença.


    “Uma boa universidade proporciona muitas oportunidades de aprendizagem, estágio e participação em eventos”, afirma. “Meu conselho é se envolver cada vez mais com o curso, com os laboratórios, com projetos de pesquisa, congressos e seminários. Fazer parte da comunidade científica e acadêmica.”



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