A praça francesa que deu origem à palavra “greve”
Quando um grupo de pessoas está insatisfeito com alguma situação, é comum que aconteçam mobilizações e paralisações. Entrar em estado de greve é uma dessas formas de protesto. Mas você sabe de onde surgiu essa expressão?
Se pensou na França, o berço das revoluções, saiba que acertou a resposta!
A palavra tem raiz etimológica em grève e, de acordo com o Dicionário Michaelis, tem como definição: “Aliança, acordo de operários, funcionários, estudantes etc., que recusam trabalhar ou comparecer onde devem, enquanto não lhes atenderem às reivindicações ou não chegarem a algum acordo; parede”.
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O escritor Deonísio da Silva, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), explica no livro “De Onde Vêm as Palavras” que grève dava nome à uma praça onde pessoas desempregadas e empregados descontentes se reuniam.
Trata-se da Place de Grève — atual Place de l’Hôtel-de-Ville – Esplanade de la Libération — local onde esses operários iam quando demandavam melhores condições de trabalho ou procuravam oportunidades mais atraentes.
Logo, estavam em Grève.
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Como resposta a esse movimento, os chefes também se deslocavam para fazer negociações, contratar funcionários de seus concorrentes ou procurar novas pessoas para as fábricas. O nome deriva de gravo, palavra celta com significado de “cascalho ou pedrisco”, que tem relação com a própria praça, visto que havia um pequeno banco arenoso na região.
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A primeira greve do mundo
Apesar de serem conhecidos pelas movimentações sociais e políticas, os franceses não foram os primeiros a realizar uma paralização — pois o conceito de greve ainda não existia.
Em 1.159 a.C., no Egito Antigo, construtores no Templo de Set-Ma’at decidiram parar as atividades, já que não haviam recebido as cotas de grãos combinadas. O contexto era das preparações para o 30º aniversário de poder do faraó Ramsés 3º, e as pessoas atuavam em funções como artesanato e atividades estruturais, até perceberem o atraso de um mês no fornecimento de alimentos.
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Tentativas de negociação foram feitas, mas sem suprir as necessidades dos insatisfeitos. Depois de mais um período sem o recebimento combinado, os trabalhadores se reuniram e fizeram uma passeata que clamava por comida. Houve uma distribuição de pães para tentar acalmar os ânimos do povo, mas ainda não foi suficiente para a volta às atividades.
Após invadirem o principal armazém de grãos de Tebas, um grupo de líderes religiosos realizou uma barganha e forneceu uma quantia parcial do que faltava. Os serviços retornaram, mas por pouco tempo, visto que os artesãos descobriram que as cotas do mês seguinte sofreriam novos atrasos.
A medida então foi bloquear o acesso ao Vale dos Reis, local onde faraós e pessoas importantes eram sepultados — ação considerada um insulto ao descanso na vida após a morte, de acordo com a crença egípcia —, com ameaças de danificarem os túmulos. A ação deu certo e mais um pagamento parcial foi feito.
A paralisação só terminou após três anos de conflitos, com uma trégua durante o período para as festividades de Ramsés 3º. A solução foi um acordo que garantia a entrega regular e completa dos grãos.
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Essa passagem histórica foi registrada no Papiro de Turim, um documento que reúne os nomes dos governantes e instituições do Egito na época.
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