Ambientalistas sofrem atentado em área de disputa ambiental na Chapada Diamantina
O espaço Toca do Lobo, localizado na Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina, foi invadido por homens armados no último dia 30 de abril. O local é moradia e espaço de atuação dos ambientalistas Marcos e Alcione, conhecidos pela defesa ambiental da região e pela mobilização em torno da preservação de nascentes, rios e corredores ecológicos do território baiano.
Segundo relatos divulgados pelos ambientalistas, entre seis e sete homens participaram da invasão. O casal teria sido mantido sob ameaça, com armas apontadas para a cabeça, enquanto os invasores destruíam equipamentos, sistemas de energia solar, internet e partes da residência. Ainda de acordo com os relatos, os suspeitos também ameaçaram retornar ao local de forma ainda mais violenta.
A Toca do Lobo recebe pequenos grupos de visitantes, pesquisadores e condutores interessados nas riquezas naturais da Chapada Diamantina, como cachoeiras, rios e nascentes que abastecem importantes bacias hidrográficas da Bahia. Desde 2024, o espaço é reconhecido pela UNESCO como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.


O atentado acontece em meio ao avanço de conflitos ambientais envolvendo a Serra da Chapadinha. Desde 2023, Marcos e Alcione lideram o movimento “Salve a Serra da Chapadinha”, que reivindica a criação de um Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) na área. A categoria de proteção ambiental integral impediria a instalação de grandes empreendimentos econômicos no território.
Localizada entre o Parque Nacional da Chapada Diamantina e os parques municipais de Ibicoara e Andaraí, a Serra da Chapadinha é considerada por pesquisadores um dos últimos corredores ecológicos preservados da região. O território abriga nascentes do Rio Una, afluente do Rio Paraguaçu, responsável pelo abastecimento de cerca de 80 municípios baianos, incluindo Salvador e cidades da Região Metropolitana.
Além da relevância ambiental, a área também desperta interesses econômicos ligados à especulação imobiliária, empreendimentos de alto padrão e atividades de mineração. Integrantes do movimento ambientalista denunciam que a pressão sobre o território aumentou nos últimos anos, intensificando disputas em torno da preservação da serra.

Após o atentado, o Ministério Público Federal (MPF) passou a cobrar medidas urgentes de órgãos estaduais e federais para garantir proteção ambiental na região. O órgão estabeleceu prazo de 15 dias para a criação do Refúgio de Vida Silvestre na Serra da Chapadinha, classificando a medida como prioridade máxima.
Em nota, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) manifestou solidariedade ao casal e às lideranças envolvidas na defesa da serra. A entidade também pediu investigação rápida e responsabilização dos envolvidos na invasão.
“Reiteramos a urgência de uma apuração rigorosa e rápida por parte das autoridades competentes”, afirmou a comissão.
O caso amplia o debate sobre violência contra defensores ambientais e comunidades que atuam na preservação de territórios estratégicos no interior da Bahia. Em regiões historicamente marcadas por desigualdades sociais e disputas fundiárias, ambientalistas, povos tradicionais e moradores denunciam o avanço de ameaças relacionadas à exploração econômica de áreas preservadas.
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