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Goiânia,12/05/2026

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    Qual a diferença entre escola e colégio? Resposta vem da Roma Antiga

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    Qual a diferença entre escola e colégio? Resposta vem da Roma Antiga

    Você já parou para pensar por que a maioria das escolas particulares se chama “colégio“, enquanto as públicas costumam usar “escola“? Parece um detalhe bobo, mas a história por trás dessa divisão passa pela Roma Antiga, pela Idade Média e por uma lei brasileira que determinou o que cada palavra deveria representar.


    Para entender essa diferença, é preciso esmiuçá-la primeiro.





    Vamos começar com “colégio”, palavra que tem origem em “colega”. O termo vem do latim collega, formado pelo prefixo com- (“junto”, “com”) e o radical leg-, do verbo legare, que significava “enviar como delegado” ou “escolher para uma missão”.


    Ou seja, collega era literalmente “aquele enviado ou escolhido para trabalhar junto a outro”, um par escolhido, alguém que divide a mesma função.


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    “Colégio”, ou melhor, collegium


    A partir de collega, então, surgiu collegium: uma associação de iguais, unidos por um mesmo ofício ou propósito. De acordo com o livro “A Latin Dictionary”, de Charlton T. Lewis e Charles Short, collegium designava qualquer “corporação, grêmio, fraternidade” formada por pessoas “unidas pelo mesmo cargo ou modo de vida”.


    Havia, assim, o collegium pontificum (o colégio dos pontífices, o mais poderoso grupo sacerdotal romano), o collegium augurum (adivinhadores oficiais do Estado), o collegium mercatorum (mercadores) e até o collegium poetarum (poetas).



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    Os integrantes de um collegium “estavam submetidos às mesmas regras” e “se consideravam companheiros”. Essa estrutura sobreviveu à queda de Roma e, na Idade Média, collegium passou a nomear confrarias, corporações de ofício e associações religiosas que funcionavam sob o mesmo princípio colegial.


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    Migração para o ensino


    Foi dentro das primeiras universidades europeias, porém, que o termo deu seu salto decisivo para o campo da educação.


    Em Bolonha — que guarda o título de universidade ocidental mais antiga do mundo, fundada em 1088 —, os professores de Direito organizaram sua própria associação formal, responsável por regular as aulas, provas e conferir os diplomas dos professores. Era o collegium dos doutores.


    O termo se popularizou entre as universidades e foi sendo emprestado para outras funções. Uma delas era para nomear os alojamentos mantidos por mecenas para abrigar os estudantes que não tinham condições.


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    E, com o tempo, o sentido foi evoluindo para nomear as instituições de ensino propriamente ditas.



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    A partir do século 12, essa transição se consolidou de vez. Colégio deixou de ser apenas uma assembleia de iguais e passou a nomear também o lugar onde jovens se preparavam para a universidade. A lógica ainda era a mesma: um lugar de pares, sem hierarquia entre si, onde todos estavam no mesmo nível.


    Mas e “escola”?


    “Escola” tem uma origem tão curiosa quanto. Vem do grego skhol, que significava, originalmente, tempo livre, descanso, ócio. Para os gregos, o ócio não era um momento de preguiça, mas sim a condição necessária para o pensamento.


    Só quem estava livre das obrigações do trabalho manual podia se dedicar ao debate filosófico, à retórica, à investigação científica.


    O termo foi adaptado para o latim como schola, ganhando também novas camadas de sentido. Poderia se referir a um estudo, uma matéria, uma corrente teórica, uma disciplina, um período de aulas ou uma ocupação de tempo que busca o conhecimento.


    Dali, schola se espalhou por quase todas as línguas europeias — école, school, scuola. Com os anos, passou a nomear o lugar onde esse aprendizado acontecia e, também, os círculos de discípulos reunidos ao redor de um mestre: a escola de Platão, a escola de Aristóteles.



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    A legislação brasileira


    Durante séculos, “colégio” e “escola” conviveram como sinônimos aproximados. Mas no Brasil do século 20, uma separação oficial foi estabelecida. As chamadas Leis Orgânicas do Ensino de 1942 e 1946, promulgadas durante e logo após o Estado Novo, estruturaram o sistema educacional em graus e introduziram distinções na nomenclatura das instituições — embora sem obrigatoriedade legal.


    De acordo com a nova legislação, as instituições de ensino deveriam se nomear de acordo com o nível que ofereciam. As de ensino primário (equivalente ao atual Ensino Fundamental I) da rede pública deveriam chamar-se escola (ou grupo escolar, quando tinham várias turmas simultâneas). Já as particulares de mesmo nível deveriam se denominar curso elementar.


    Já entre as que ofereciam o ginásio (atual Ensino Fundamental II) e/ou o colégio (Ensino Médio), não havia diferenciação de nome entre públicas e privadas.


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    Em 1971, porém, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional reformulou tudo isso. O primário e o ginásio se tornaram o 1º Grau, e o colégio virou o 2º Grau. Com isso, a distinção dos nomes caiu e cada instituição ficou livre para se chamar como quisesse.



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    A maioria das escolas públicas manteve “escola”. E as particulares abandonaram o “curso elementar” para adotar “colégio”.


    Hoje, nenhuma legislação regula o uso dos termos. Escola e colégio são sinônimos. O que sobrou dessa diferenciação pode ser mais uma percepção popular ou um regionalismo. Em muitas cidades, por exemplo, entende-se que colégio são instituições privadas, e escolas são sempre as públicas.



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