Fanfarras fortalecem juventude e preservam tradição cultural na Chapada Diamantina
Na Chapada Diamantina, o som dos tambores, pratos e instrumentos de sopro segue atravessando gerações e fortalecendo a cultura popular do interior baiano. Formadas, em grande parte, por estudantes da rede pública de ensino, as fanfarras têm se consolidado como espaços de aprendizado, disciplina, convivência social e pertencimento para jovens de diferentes municípios da região.
Compostas por instrumentos como surdos, caixas, pratos, tubas e trompetes, as fanfarras surgiram historicamente ligadas aos cortejos cívicos, mas hoje também exercem um importante papel artístico, cultural e educativo. Para muitos jovens das periferias e comunidades do interior da Bahia, participar desses grupos representa uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e expressão cultural.
O assistente administrativo e instrutor de fanfarra Pablo Carvalho destaca a importância desses projetos na formação da juventude da região.
“As fanfarras, para os nossos jovens, funcionam como um alicerce. Hoje em dia, também são uma terapia e uma forma de expressar sentimentos e emoções”, afirma.
Ao longo da história das fanfarras da Chapada Diamantina, alguns grupos se destacam pela trajetória de resistência e continuidade. É o caso da Fanfarra MMR, fundada em 1991, no distrito de Cascavel, no município de Ibicoara, pelo técnico agrícola Manoel Messias Ribeiro.
Entre os jovens que fazem parte dessa trajetória está a estudante Keiliane Oliveira, que relata o sentimento de pertencimento construído dentro do grupo.
“Sempre admirei a fanfarra e sempre me vi tocando. Estar aqui é estar em família, e é muito bonito ver como vem evoluindo”, conta.
Na cidade de Barra da Estiva, a fanfarra do Colégio Estadual Getúlio Vargas também nasceu de um desejo antigo da comunidade escolar. A iniciativa começou a ser articulada em 2016, mas só foi concretizada em 2019, após a aquisição dos primeiros instrumentos. Atualmente, o grupo reúne jovens músicos da cidade e fortalece a participação estudantil em atividades culturais.
O técnico em enfermagem Vinicius Almeida destaca que os encontros entre bandas fortalecem os laços entre os municípios e incentivam a continuidade das atividades culturais na região.

Encontro regional amplia visibilidade das fanfarras
O movimento ganhou ainda mais força em novembro de 2025, quando fanfarras de diferentes cidades da Chapada Diamantina participaram de um encontro regional realizado em Mucugê. O evento reuniu cerca de 250 músicos e instrutores de municípios como Lençóis, Boninal, Ibicoara, Barra da Estiva e Mucugê, promovendo integração entre os grupos e valorização da cultura regional.
Realizado na Praça dos Garimpeiros, o encontro também serviu como espaço de troca de experiências entre os participantes. Além das apresentações musicais, os integrantes compartilharam vivências sobre os desafios para manter os projetos ativos e a importância do incentivo cultural para a juventude das cidades do interior.
Segundo Pablo Carvalho, a iniciativa surgiu da necessidade de reconhecer e valorizar os músicos da própria Chapada Diamantina.
“Existe o costume de convidar bandas e músicos de outras regiões, mas a Chapada também possui um celeiro muito rico de músicos. Sempre tivemos vontade de valorizar essas pessoas”, destaca.
Em meio ao crescimento das desigualdades e à falta de investimentos culturais em muitas cidades do interior e das periferias, as fanfarras seguem ocupando ruas, escolas e praças com música, identidade e resistência cultural. Mais do que apresentações, esses grupos representam espaços de acolhimento, formação e fortalecimento comunitário para centenas de jovens da Chapada Diamantina.
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