INRua aciona órgãos de direitos humanos contra proibição de ações de assistência no Centro de Curitiba
A repercussão de ameaças de moradores de queimar pneus contra iniciativas de atendimento à população em situação de rua no Centro de Curitiba provocou reação imediata de entidades de direitos humanos. O caso veio a público após reportagem do Jornal Plural, que revelou a insatisfação de parte de moradores com ações de assistência na região.
Diante da situação, o Instituto Nacional de Direitos Humanos da População em Situação de Rua se posicionou e iniciou, de forma emergencial, uma articulação institucional para denunciar possíveis violações de direitos.
Ação urgente após repercussão na imprensa
Assim que tomou conhecimento do caso pela publicação na imprensa, o representante do INRua, Leonildo José Monteiro Filho, conseguiu agendar, em regime de urgência, reuniões com órgãos de defesa de direitos humanos.
Na manhã da última sexta-feira (24), Leonildo esteve reunido com o núcleo de assistência jurídica do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Paraná, onde formalizou denúncia sobre a situação.
O caso também já foi encaminhado à Defensoria Pública do Estado do Paraná e ao Ministério Público do Paraná, que devem analisar medidas diante do risco de violação de direitos da população em situação de rua.
INRua critica tentativa de impedir ações de assistência
O INRua avalia que a reação de parte dos moradores, ao tentar barrar ações de assistência, representa um agravamento do conflito urbano e pode configurar violação de direitos fundamentais.
“O que está acontecendo é extremamente grave. Impedir ações de assistência é impedir o acesso a direitos básicos. Não se resolve um problema social com exclusão”, afirma Leonildo.
Ausência de políticas amplia tensões no Centro
A organização aponta que o episódio reflete um problema estrutural: a ausência de equipamentos públicos integrados capazes de garantir atendimento digno à população em situação de rua.
Projetos como o Cidadania PopRua, defendido pelo INRua, propõem justamente a oferta de serviços de higiene, atendimento psicossocial e encaminhamento para políticas públicas, como forma de reduzir conflitos e promover inclusão social .
Risco de avanço de práticas higienistas
Para o INRua, a situação acende um alerta sobre o risco de avanço de práticas higienistas — quando a resposta do poder público ou da sociedade é a retirada ou invisibilização da população em situação de rua.
A entidade defende que o enfrentamento do problema passa pela ampliação de políticas públicas, mediação territorial e garantia de direitos, e não pela criminalização da pobreza.
O post INRua aciona órgãos de direitos humanos contra proibição de ações de assistência no Centro de Curitiba apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.



COMENTÁRIOS