Unesp lança graduação inédita no Brasil em Língua e Cultura Chinesas, com opção de estudar 2 anos na China
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) abre em 2026 um curso de graduação inédito no Brasil: o bacharelado em Língua e Cultura Chinesas, oferecido no campus de Assis, interior de São Paulo. A formação chama atenção não apenas por colocar o mandarim no centro do currículo, mas, principalmente, por prever uma trilha com dois anos de estudos na própria China, com despesas custeadas em parceria com uma universidade chinesa.
O curso é estruturado com um núcleo comum nos dois primeiros anos e, a partir do terceiro, se divide em duas possibilidades. Uma delas é a ênfase em Tradução, concluída integralmente no Brasil. E a outra é a ênfase em Relações Comerciais Internacionais, que permite ao estudante cursar os dois últimos anos na Universidade de Hubei (Hubu), em Wuhan, na China.
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O modelo foi desenhado para atender a uma demanda do mercado de trabalho. A diretora da Faculdade de Ciências e Letras de Assis, e uma das principais idealizadoras da graduação, Renata Giassi Udulutsch, afirma que a proposta nasceu de uma leitura do cenário internacional. “Se a gente pensar hoje no papel que a China tem no cenário mundial, pensando não só do ponto de vista econômico, mas também de desenvolvimento científico tecnológico, ela é fundamental no mundo hoje”, diz.
A criação do curso ocorre em um momento em que a China amplia sua presença científica, cultural e tecnológica no mundo. A Unesp destaca que o país investiu quase 2,7% do PIB em pesquisa em 2024 e respondeu por cerca de 50% dos pedidos de patentes do mundo em 2023, segundo dados da WIPO (World Intellectual Property Organization), agência da Organização das Nações Unidas (ONU).
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A graduação, ofertada no período noturno, terá 40 vagas — 36 oferecidas pelo Vestibular Meio de Ano da Unesp e 4 pelo processo Unesp-Enem — sempre abertas no vestibular de meio de ano, para facilitar a sincronização com a universidade chinesa. As inscrições para o atual processo seletivo estão abertas e vão até o dia 5 de maio – saiba mais aqui. Já a modalidade Unesp-Enem de Meio de Ano recebe candidaturas entre 25 de maio e 25 de junho, com base nas notas do Enem 2024 e/ou 2025.
Intercâmbio com tudo pago e opção de duplo diploma
Entre os 40 alunos da primeira turma, até 20 poderão seguir o percurso com intercâmbio. Para isso, será necessário manter bom desempenho acadêmico e cumprir exigências específicas, como ter concluído a maior parte das disciplinas dos dois primeiros anos.
Ao final do segundo ano, o estudante que deseje seguir na trilha internacional precisará passar por uma prova de proficiência em mandarim. Renata explica que o curso foi planejado justamente para garantir esse nível de domínio da língua. “A carga horária de estudo de língua chinesa nos dois primeiros anos é altíssima”, esclarece. “Exatamente para garantir que esse aluno chegue no final e tenha proficiência necessária para ir para a China”.
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O Instituto Confúcio, parceiro de longa data da universidade, também deve oferecer cursos de idioma adicionais, como apoio.
Se aprovado, o aluno segue para a China com custos cobertos. “Passagem aérea, moradia estudantil, alimentação e mais uma bolsa de estudos”, celebra. Além do intercâmbio, a trilha internacional prevê dupla diplomação, com diploma da Unesp e da Universidade de Hubei.
A diretora ressalta que a própria escolha de ofertar o curso em período noturno é já mirando no mercado de trabalho. “Vimos que já tem empresas com interesse que os seus funcionários façam esse curso. Nós recebemos cartas de apoio de cooperativas da agroindústria, de bancários”, afirma.
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Aluno não precisa já saber mandarim
Apesar de ter a língua como base, a proposta não se resume a aulas de mandarim. O curso também prevê disciplinas de história do leste asiático, comunicação intercultural, economia brasileira e internacional, ética e responsabilidade socioambiental. A carga mínima total é de 2.535 horas, ao longo de quatro anos.
A cultura chinesa aparece como um ponto constante ao longo da formação. “A parte de dança, mitologia, toda a história da China que tem uma riqueza cultural muito grande, tudo isso é abordado nas disciplinas”, diz Renata. Para ela, esse conteúdo tem papel essencial na experiência dos alunos que vão viver no país. “É uma questão até diplomática”, afirma.
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E a boa notícia é que não precisa já saber falar mandarim para ingressar no curso. “Inclusive, a expectativa é que a gente receba a grande maioria de pessoas que não saibam nada de chinês”, diz Renata. “O curso vai oferecer toda a base necessária.”
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O corpo docente será composto por professores da própria Unesp, com apoio do Instituto Confúcio, e também por professores nativos. A universidade recentemente abriu edital para novas contratações, incluindo vagas para língua e literatura chinesa, história do leste asiático e economia voltada a relações comerciais.
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