Seja bem-vindo
Goiânia,11/04/2026

    • A +
    • A -

    Morre Afrika Bambaataa, pioneiro do hip-hop e da cultura negra mundial

    agenciabrasil.ebc.com.br
    Morre Afrika Bambaataa, pioneiro do hip-hop e da cultura negra mundial


    Logo Agência Brasil

    O rapper, DJ e produtor norte-americano Afrika Bambaataa morreu aos 68 anos, na madrugada desta quinta-feira (9), em um hospital na Pensilvânia, nos Estados Unidos, em decorrência de complicações de um câncer, segundo informações divulgadas pelo site TMZ.

    Considerado um dos fundadores do hip-hop, Bambaataa deixa um legado que atravessa décadas e territórios, conectando a cultura negra periférica em escala global.



    Notícias relacionadas:

    A morte de Bambaataa provocou forte comoção entre artistas e agentes culturais. Em publicação oficial no perfil @afrika_bambaataa_official, a equipe do artista destacou sua dimensão humana e política:

    “O que ele construiu — a Universal Zulu Nation, a cultura, o movimento — nunca foi apenas música. Foi uma mensagem de paz, amor, união e diversão.

    Seu espírito vive em cada batida, em cada b-boy, em cada grafite, em cada DJ que toca pela cultura.

    O Hip-Hop é hoje uma linguagem global por causa dele”



    >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp



    A organização Universal Zulu Nation, criada por Bambaataa, foi uma das bases estruturantes do hip-hop, difundindo valores como paz, união e respeito entre jovens das periferias.



    No Brasil, sua influência é profunda. O DJ Marlboro já afirmou que “Planet Rock” foi uma das principais referências para o surgimento do funk carioca.



    O próprio Bambaataa reconhecia essa conexão. Em entrevista ao jornal O Globo, em 2010, afirmou ver sua música refletida nos ritmos brasileiros, especialmente pela proximidade com matrizes africanas.



    O artista esteve diversas vezes no Brasil, incluindo uma apresentação no Rock in Rio em 2011, ao lado de Paula Lima e do rapper português Boss AC, e uma participação no programa Esquenta!, da TV Globo, em 2013, com Preta Gil.



    Para o rapper GOG, um dos nomes centrais do hip-hop nacional, a morte de Bambaataa representa uma perda histórica:




    “É uma perda irreparável no nosso front. Bambaataa foi um mestre de consciência dentro do movimento. Ele transformou a rua em escola e traz a cultura como ferramenta de paz. Então ele deixa um legado que todos nós do hip hop temos e devemos preservar e honrar.”




    O jornalista e ativista Eduardo Nascimento também ressaltou o papel transformador do artista.




    “Afrika Bambaataa: Presente Do Cais do Valongo à pacificação das gangues no Bronx.

    Da criação da Universal Zulu Nation à fundação do movimento Hip Hop. Mais que um nome, Bambaataa representa liderança, consciência e transformação.

    Um símbolo da virada : da rua para a cultura, do conflito para a construção coletiva.”




    Nascimento relembra ainda encontros com o artista no Brasil, incluindo participação em debates ao lado de Mano Brown, destacando a dimensão política e educativa.



    Para o jornalista e antropólogo Spensy Pimentel, autor do Livro Vermelho do Hip Hop, a importância de Bambaataa ultrapassa a música e se insere em um campo mais amplo de pensamento e organização cultural:



    “A influência de Afrika Bambaataa no Hip Hop global é algo muito interessante porque não é somente artística, é também filosófica e política. Ele não somente foi um dos principais DJs que iniciaram o Hip Hop por volta de 1973, como foi também um dos primeiros artistas a criar hits na indústria fonográfica, como Planet Rock, de 1982. Artisticamente, ele influenciou não somente aquilo que nós chamamos de Hip Hop no Brasil, mas também todo o movimento que nós chamamos de funk carioca, ou simplesmente funk."



    Spensy Pimentel ressalta ainda que o artista criou a Universal Zulu Nation, em 1973, que foi a primeira organização do Hip Hop. Influenciado por organizações negras como o Black Panthers, ele mostrou que o movimento podia ser muito mais do que apenas música e festa. "A transformação do Hip Hop em um movimento cultural global foi muito impulsionada pela ação dele. Nos últimos 10 anos, contudo, vieram à tona diversas acusações de abuso sexual contra crianças, que mancharam esse legado, lamentavelmente.”




    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.