Tripulação, tecnologia e banheiros: o que diferencia a Apollo II da Artemis II?
Nos últimos dias, a missão espacial Artemis II marcou a história mundial ao trazer o retorno do ser humano à Lua. Lançada no dia 1º de abril, o programa da NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, em português) teve um lançamento histórico, bateu o recorde de distância da Terra percorrida pela espécie — 406.771 km longe do planeta — e emocionou com uma homenagem nas crateras do satélite natural.
Quase 60 anos antes, a Apollo II marcava os preparativos para enviar o homem rumo à Lua pela primeira vez. A ação fez parte de uma série de testes de segurança para a tripulação e durou menos de um dia. Mas não são apenas essas as diferenças que separam as duas missões.
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Apollo 2
Se você acessar o site da NASA que reúne as expedições da Missão Apollo, perceberá que os lançamento 2 e 3 não constam nos registros. Oficialmente, não existe uma missão denominada “Apollo II” nas estatísticas da organização, tampouco uma “Apollo 3”. Entretanto, a decolagem AS-202 é relacionada a essa ausência na linha do tempo. AS vem de Apollo (nome do programa espacial) e Saturn (nome do foguete).

O lançamento ocorreu em 25 de agosto de 1966, na Flórida, Estados Unidos, e durou cerca de 90 minutos. É caracterizado como um voo suborbital, já que a aeronave não atingiu velocidade suficiente para completar a trajetória de entrada na órbita terrestre e, logo em seguida, caiu em queda livre de volta à terra firme.
Os objetivos para a missão AS-202 eram “verificar a integridade estrutural, as cargas de lançamento, a separação dos estágios e a operação dos subsistemas do Saturno IB [foguete usado], além de avaliar a separação da espaçonave Apollo, o sistema de detecção de emergência, o escudo térmico em alta velocidade de reentrada e as instalações de suporte”, de acordo com uma publicação da NASA. Todas as finalidades iniciais foram atingidas.
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Além disso, o veículo não foi tripulado por pessoas e fez parte de uma série de testes para o envio de seres humanos em direção ao exterior terrestre. O que motivou os experimentos foi a tragédia da Apollo 1, na qual os astronautas Virgil Grissom, Edward White e Roger Chaffee faleceram após um incêndio que consumiu o módulo de comando onde estavam.
Vale salientar que a NASA, porém, não reconhece nenhum voo ou missão como Apollo II. As expedições registradas com essa nomenclatura são a primeira, e depois da quarta à décima sétima. Mas o momento das pesquisas na época era outro: em meio à Guerra Fria e lidando com o fato da União Soviética ter colocado um satélite em órbita e um homem fora do planeta antes dos Estados Unidos. Assim, a organização teve que acelerar seus processos e lidar e com os prazos apertados do presidente John F. Kennedy, que pretendia levar uma pessoa à Lua antes do final da década de 1960.
Artemis II
A exploração em andamento no momento, Artemis II, marca um novo momento das viagens espaciais. É o primeiro voo tripulado do programa e conta com outros pioneiros na cápsula Orion: Victor Glover, o primeiro homem negro a sobrevoar a Lua; Christina Koch, a primeira mulher; e Jeremy Hansen, o primeiro não-estadunidense.
Dessa vez, os maiores propósitos são “descobertas científicas, benefícios econômicos e consolidação das bases para as primeiras missões tripuladas a Marte”. Os computadores também contam com evoluções: sistemas computacionais mais rápidos, maior capacidade de memória, sistemas de navegação autônomos e leitores para coleta de dados em tempo real.
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O modelo Orion foi feito para ser parcialmente reutilizável, caso todos os passos estejam dentro do plano pré-estabelecido — ação impensável na era Apollo, que contava com veículos exclusivos para cada missão. Além disso, o espaço interno é maior, o que permite comportar quatro pessoas, ter mais espaços para exercícios e entretenimento e… um banheiro privativo! Nas ações que levaram à primeira pegada na lua, os astronautas — todos homens — reuniam os dejetos em uma sacola plástica.
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O comandante da Artemis II, Reid Wiseman, também protagonizou um momento que emocionou muita gente. Durante a jornada em volta do satélite natural, a tripulação nomeou provisoriamente crateras lunares que não tinham designações oficiais. Uma deles, às vezes visível do planeta no limite entre o lado escuro e claro da Lua, foi chamada Carroll em homenagem à esposa de Wiseman, falecida em decorrência de um câncer.
Atualmente, o maior rival dos Estados Unidos é a China. Nesse sentido, a exploração espacial se torna não apenas uma busca por inovações científicas, mas mais uma vez uma ferramenta geopolítica. O governo de Donald Trump pretende ampliar o apoio mundial nos “Acordos de Artemis”, que definiriam uma maneira pacífica e sustentável para desvendar os mistérios além da Terra – e também a busca por recursos minerais em outros corpos celestes.
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Mitologia
Apollo e Artemis não são nomes escolhidos ao acaso: nomeiam deuses, irmãos gêmeos arqueiros, pertencentes à mitologia grega.
Ambos são filhos de Zeus com Leto e nasceram na ilha de Delos, um refúgio fornecido por Poseidon, o deus dos mares, para que Leto se escondesse de Hera, esposa de Zeus. Apolo, na grafia da língua portuguesa, é a divindade que representa o sol, o dia, a música e a luz. Por ter sido alimentado com o néctar dos deuses e ambrosia, o jovem cresceu rapidamente e, com apenas um ano e corpo de homem, matou Píton, a guardiã de um oráculo. Também teve participação na Guerra de Troia, na flecha que acertou o calcanhar de Aquiles e na criação dos Jogos Píticos, um dos eventos comemorados na Grécia de quatro em quatro anos.
Já Ártemis, ao contrário do irmão, representa o luar e a noite. É a deusa da caça, dos animais selvagens, da castidade e do parto — por ter ajudado no nascimento de Apolo, que veio ao mundo pouco após a menina. Não teve tanta participação nos mitos, mas também participou dos embates de Troia e de alguns episódios de vingança.
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