Seja bem-vindo
Goiânia,03/11/2026

    • A +
    • A -

    Como as canetas emagrecedoras e os tratamentos da obesidade podem cair no Enem

    guiadoestudante.abril.com.br
    Como as canetas emagrecedoras e os tratamentos da obesidade podem cair no Enem

    Embora muitas vezes seja associado à estética, o excesso de peso representa um desafio cada vez maior para a saúde pública. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2022, 2,5 bilhões de adultos estavam com sobrepeso, incluindo 890 milhões que viviam com obesidade. No Brasil, o cenário também preocupa. Segundo a pesquisa Vigitel de 2025, realizada anualmente por telefone pelo Ministério da Saúde nas capitais, a obesidade entre adultos cresceu 118% entre 2006 e 2024.


    O tratamento da obesidade com medicamentos não é novidade. O ponto de virada trazido pelas novas opções está no impacto sobre a perda de peso. Antes, dificilmente se ultrapassava a marca de 10%, tanto com remédios quanto com mudanças de estilo de vida. Agora, com os medicamentos injetáveis de aplicação semanal, popularmente chamados de canetas emagrecedoras, a redução pode chegar a 20%.





    + Inteligência Artificial: tudo sobre o tema que pode cair nos vestibulares


    Doença crônica


    A obesidade é classificada pela OMS como uma doença crônica, ou seja, uma condição de saúde que pode acompanhar o indivíduo ao longo da vida. Ela ocorre quando há um acúmulo de gordura corporal acima do recomendado para a idade e a altura, provocado por uma ingestão de energia maior do que o gasto do organismo. A explicação, entretanto, não significa que a obesidade resulta apenas do estilo de vida. Essa ideia, muito propagada popularmente, contribuiu para a estigmatização de pessoas obesas – quem nunca ouviu que para perder peso basta comer menos ou exercitar-se mais?


    Ao contrário dessas simplificações, a ciência já comprovou que a obesidade é uma doença multifatorial e pode estar associada a fatores genéticos, hereditários, psicossociais e ambientais.



    Continua após a publicidade


    Entre as causas ambientais está o chamado mundo obesogênico. A expressão é utilizada por especialistas para definir uma série de condições sociais, econômicas e culturais que favorecem a obesidade e dificultam a adoção de hábitos saudáveis. Nesse cenário, destaca-se a alimentação rica em calorias, associada sobretudo ao consumo elevado de produtos ultraprocessados, que apresentam baixa qualidade nutricional e são ricos em gordura ou açúcar.


    + O que são desertos alimentares?



    Continua após a publicidade


    Há também o sedentarismo, que ainda atinge uma parcela considerável da população. No Brasil, apesar do crescimento da prática de exercícios, 53% dos adultos não realizam nenhum tipo de atividade física, de acordo com uma pesquisa da Genial/Quaest feita em março de 2026. Tanto a alimentação quanto os exercícios podem ser influenciados pela falta de tempo e de recursos financeiros.


    Para identificar se uma pessoa adulta está com sobrepeso ou obesidade, utiliza-se o Índice de Massa Corporal (IMC), reconhecido como padrão internacional para avaliar o grau de obesidade. O cálculo é feito dividindo o peso (em quilos) pela altura ao quadrado (em metros). Um resultado igual ou superior a 25 indica sobrepeso, enquanto um IMC igual ou superior a 30 caracteriza obesidade.



    Continua após a publicidade


    A prevenção e o tratamento da obesidade estão entre os principais desafios enfrentados pelas autoridades de saúde, pois o excesso de peso está associado a diversas doenças crônicas. Entre elas estão o diabetes tipo 2, a hipertensão, alguns tipos de câncer e as doenças cardiovasculares, como as doenças cardíacas e o acidente vascular cerebral (AVC), que são as principais causas de morte no mundo.


    + Holodomor: a outra vez em que a fome foi usada como arma de guerra



    Continua após a publicidade


    Como as canetas funcionam


    A semaglutida e a tirzepatida representam uma inovação importante no tratamento da obesidade porque agem sobre mecanismos do organismo envolvidos no controle da glicose, da fome e da saciedade. Esses medicamentos imitam a ação das incretinas, hormônios produzidos pelo intestino após a ingestão de alimentos. Enquanto a semaglutida reproduz apenas a ação do GLP-1, a tirzepatida mimetiza o GLP-1 e o GIP.


    No pâncreas, ambos estimulam a liberação de insulina e reduzem a produção de glucagon, ajudando a controlar a quantidade de glicose no sangue – o que explica por que foram desenvolvidos inicialmente para tratar o diabetes tipo 2. No cérebro, agem sobre o hipotálamo, região que regula o apetite e a saciedade. Também retardam o esvaziamento do estômago, fazendo com que o indivíduo se sinta satisfeito após as refeições por mais tempo. A tirzepatida, por agir também no GIP, exerce ainda um efeito sobre o tecido adiposo e, portanto, possui um impacto maior sobre a perda de gordura do que a semaglutida.


    Em resumo, os dois medicamentos diminuem o apetite e prolongam a saciedade. Dessa forma, a pessoa tende a comer menos e a reduzir a ingestão calórica, o que favorece a perda de peso.



    Continua após a publicidade


    Novos medicamentos em desenvolvimento podem ampliar ainda mais as possibilidades de tratamento. Um dos medicamentos em fases finais de estudo é a retatrutida, que mimetiza três hormônios: GLP-1, GIP e glucagon. Este último tem efeito sobre a gordura no fígado e contribui para a diminuição da gordura visceral. Com essa ação tripla, a perda de peso pode chegar até 30%.


    A survodutida também está na fase 3 dos estudos, a última antes de uma possível aprovação para comercialização, e combina a ação do GLP-1 e do glucagon, tendo o diferencial de preservar a massa muscular. Há ainda o orforglipron, medicamento oral de uso diário que imita o hormônio GLP-1, já aprovado nos Estados Unidos. Além de reduzir o apetite e aumentar a saciedade, ele apresenta um custo mais baixo em comparação com os medicamentos injetáveis.


    + Por que alimentos ultraprocessados fazem tão mal à saúde?


    Quebra da patente


    Apesar dos avanços, o preço elevado limita o acesso aos novos medicamentos. A OMS prevê que, mesmo com o rápido aumento da produção, as terapias com GLP-1 alcançarão menos de 10% das pessoas que poderiam se beneficiar delas até 2030.


    Nas farmácias brasileiras, Ozempic e Wegovy, que têm a semaglutida como princípio ativo, custam aproximadamente R$ 1.000 nas doses de 1 mg, que duram quatro semanas. A dose mais alta do Wegovy, de 2,4 mg, pode chegar até R$ 1.750. O Mounjaro, com a tirzepatida, é ainda mais caro: as canetas das doses iniciais, de 2,5 mg ou 5 mg, que também duram por quatro semanas, custam entre R$ 1.400 e R$ 1.900. Nas doses de 7,5 mg a 15 mg, os valores podem variar de R$ 2.500 a R$ 4.000.


    Por isso, a queda da patente da semaglutida no Brasil abriu a possibilidade de ampliar a oferta e reduzir os preços. A Constituição Federal garante aos autores de inventos industriais a exclusividade temporária de sua utilização. De acordo com a Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), esse direito vigora por 20 anos. A Novo Nordisk, responsável pelo desenvolvimento do Ozempic, registrou a patente em 2006 e perdeu a exclusividade sobre a produção e comercialização do medicamento no país neste ano.


    O fim desse domínio permitiu que outros laboratórios passassem a desenvolver versões das canetas de semaglutida, geralmente mais baratas. Há, no entanto, diferenças no processo de produção. Enquanto Ozempic e Wegovy utilizam a semaglutida biológica, as versões nacionais são fabricadas com semaglutida sintética.


    Antes de chegar ao público, os produtos devem cumprir as exigências sanitárias e receber a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por verificar eficácia, qualidade e segurança dos medicamentos. Mais de dez canetas nacionais já foram autorizadas pela Anvisa e começam a contribuir para a queda dos preços. Uma delas é a Ozivy, da farmacêutica EMS, com valores que variam entre R$ 398 e R$ 498, dependendo da dosagem.


    Mercado ilegal e outros impactos


    Apesar de terem sido criadas para combater a obesidade e doenças associadas a ela, como a diabetes, as canetas emagrecedoras acabaram virando febre por outra causa: a pressão estética. Para ler o restante desta reportagem e entender esse outro lado de um tratamento revolucionário, adquira a revista de Atualidades do GUIA DO ESTUDANTE, já disponível nas bancas de todo o Brasil.


    Você também encontra na edição textos sobre:



    • A migração no mundo e o ICE de Trump;

    • Estados Unidos e Irã entram em conflito aberto;

    • A guerra sem fim em Gaza;

    • Crise na Venezuela;

    • Tarifaço;

    • Corrida por terras raras

    • A epidemia das bets


    Corra para as bancas ou assine e receba em casa!



    6 livros filosóficos para pensar sobre o mundo








    Entre no canal do GUIA no WhatsApp e receba conteúdos de estudo, redação e atualidades no seu celular!





    Prepare-se para o Enem sem sair de casa. Assine o Curso GUIA DO ESTUDANTE ENEM e tenha acesso a todas as provas do Enem para fazer online e mais de 180 videoaulas com professores do Poliedro, recordista de aprovação nas universidades mais concorridas do país



    Publicidade




    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.