Que fim levou o MP3, o formato clássico de músicas baixadas pela internet?
Até alguns anos atrás, o MP3 era praticamente sinônimo de arquivos digitais de áudio. Eram raros os casos em que o download de uma música ou a criação de um conteúdo sonoro não resultavam nesse formato.
Essa tecnologia de compressão e distribuição de áudio se popularizou graças a serviços de download de música e os famosos MP3 players, até hoje sendo mantido em computadores e HDs externos de fãs e colecionadores.
Porém, atualmente há cada vez menos informações sobre qual é o formato de áudio utilizado em meios de consumo como o streaming, fazendo até com que muitas pessoas não saibam o paradeiro desse formato. A seguir, entenda ou relembre como ele funciona e saiba também qual o paradeiro atual desse padrão antes dominante.
O nascimento do MP3
O principal responsável pela criação do MP3 como formato é o professor alemão Karlheinz Brandenburg, na época estudante de doutorado na Universidade de Erlangen–Nuremberg.
O grupo de pesquisa dele tinha como meta uma patente sobre como transmitir fala ou música em alta qualidade por linhas telefônicas.
Esse equilíbrio entre arquivos bastante leves e qualidade sonora relativamente alta é chamado de mascaramento auditivo, sendo a chave para o MP3 fazer tanto sucesso em tão pouco tempo.
A MPEG recebeu ao todo 14 propostas de codecs e formatos. Em 1991, nasceram três camadas oficiais:
- a camada 1 era uma variante de baixa frequência do MUSICAM, um formato rival;;
- a camada 2 era o mesmo MUSICAM, porém usado em versão otimizada;
- a camada 3 era baseada no ASPEC, melhor compressor da lista, e posteriormente rebatizado de ISO MPEG Audio Layer 3.
É só em julho de 1995 que os criadores oficializam o nome popular do formato de arquivo “.mp3”.
Com a explosão de serviços de download pirata de músicas, como o Napster e seus sucessores, além da popularização dos players de áudio portáteis, ele se tornou a extensão favorita de arquivos de áudio por combinar leveza e uma fidelidade considerável para não-audiófilos.
O MP3 ainda existe?
O formato MP3 segue existindo, oferecido como saída de arquivos de áudio e amplamente disponível como opção de arquivos.
Na última década, mesmo sem uma estatística única sobre a sua adoção, é possível afirmar que ele perdeu o protagonismo como formato de consumo de música.
Em 2017, o Fraunhofer IIS anunciou até que pararia de licenciar diversas patentes do codec do MP3 para desenvolvedoras de softwares, reduzindo a implementação comercial do formato para quem não estivesse mais interessado.
A tecnologia deixou de ser a melhor opção até mesmo tecnicamente: o próprio instituto criador reconhece que codecs mais recentes, em especial o AAC e também o MPEG-H Audio, têm melhor eficiência de compressão e recursos adicionais sob uma qualidade superior.
Conexões mais rápidas e dispositivos com cada vez mais memória interna também permitem o armazenamento sem tantos impactos de áudios em melhor qualidade, a partir de padrões como FLAC, ALAC, WAV e AIFF.
Ele ainda foi bastante impactado pela ascensão do streaming para músicas, o que torna guardar álbuns inteiros em MP3 um hábito de uma quantidade cada vez menor de pessoas.
Porém, o padrão continua disponível legalmente em diversas modalidades e plataformas. Ele segue relevante como tecnologia de distribuição, armazenamento, compatibilidade e preservação de áudio no formato digital.
Para boa parte dos usuários, embora não seja mais a melhor opção, um arquivo MP3 codificado de forma correta segue adequado para ouvir música em ambientes como celular, carro, caixas Bluetooth e fones convencionais.
A tecnologia dele não avançou de forma significativa nos últimos anos, mas isso pouco importa para um padrão tão consolidado. Ele pode ser reproduzido por diferentes aplicativos e dispositivos, além do vasto acervo acumulado ao longo de três décadas, o que torna a sua adoção quase automática.
Além disso, curiosamente, ele sobrevive em nichos cada vez mais evidentes. Eles incluem pessoas que buscam ouvir música a partir do seu próprio acervo, sem algoritmos, ou quem não quer as distrações convencionais de um celular — tanto que players de MP3 alternativos ao iPod, a maioria vindos da China, tiveram um aumento registrado nas vendas nos últimos dois anos.
Que fim levou o Walkman, o tocador de fitas cassete ‘descolado’ da Sony? Descubra nesta matéria! /Com informações de Fraunhofer IIS e BBC.



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