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Goiânia,30/10/2026

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    Festival Melanina Acentuada retorna a São Paulo após 14 anos com programação de teatro negro

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    Festival Melanina Acentuada retorna a São Paulo após 14 anos com programação de teatro negro

    O Festival Melanina Acentuada Ano VIII retorna a São Paulo após 14 anos e ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB SP), entre os dias 12 e 15 de novembro de 2026. A programação reúne espetáculos teatrais, oficinas e encontros voltados à dramaturgia negra, com ingressos a preços populares para as peças e atividades formativas gratuitas.





    Realizado durante o Novembro Negro, o festival também marca os 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado em 1944, e presta homenagem à trajetória de Abdias do Nascimento (1914–2011), uma das principais referências na luta contra o racismo e na valorização da presença negra nas artes brasileiras.





    Entre os destaques da programação estão o monólogo “Macacos”, escrito e interpretado por Clayton Nascimento; “Black Machine”, de Dione Carlos; e “Pequeno Manual Antirracista – A Peça”, adaptação teatral do livro de Djamila Ribeiro, com atuação de Luana Xavier e texto de Aldri Anunciação.





    O festival também contará com oficinas, uma entrevista musicada e uma atividade de compartilhamento de processos criativos. A proposta é aproximar artistas, estudantes, pesquisadores e público em torno das contribuições históricas do teatro negro e de suas expressões contemporâneas.





    Festival retoma trajetória iniciada em São Paulo





    Idealizado por Aldri Anunciação, dramaturgo, ator, produtor e autor da peça “Namíbia, Não!”, que inspirou o filme “Medida Provisória” (2022), dirigido por Lázaro Ramos, o Melanina Acentuada teve sua primeira edição em São Paulo, entre 2012 e 2013. Ao longo dos anos, o projeto também passou pela Bahia e pelo Rio de Janeiro.





    Ao comentar o retorno à capital paulista, Aldri destaca a relação do festival com a cidade onde a iniciativa começou.





    “É interessante pensar que, apesar de ser um festival tradicionalmente baiano, o Melanina nasce em São Paulo. A gente chega ali entre os dias 10 e 11 de dezembro de 2012 e sai em abril de 2013. Eu me lembro que, naquela época, ia de moto para o teatro todas as manhãs; a gente foi entrando no movimento da cidade, e foi muito bonito levar essa ideia pra lá. Depois, a gente vai pra Bahia, nossa ilha política e cultural, onde o festival permanece por muito tempo. E parece que esse também é um momento muito propício pra gente voltar pra São Paulo”, afirma.





    O dramaturgo também recorda a mobilização do público nas primeiras edições. “Uma das lembranças que eu tenho é de uma fila enorme, e alguém comentando: ‘que interessante ver esse festival acontecendo, trazendo esse movimento’. Acho que tinha justamente essa necessidade de preencher uma lacuna, de responder à ausência de festivais de teatro negro”, completa.





    Ancestralidade afro-indígena e novas narrativas





    Nesta edição, o festival amplia o debate sobre as heranças afro-indígenas e as narrativas que atravessam a produção artística negra. A programação inclui a participação de Mayale Pitanga, Sergio Akueran, ISSA e Caboclo de Cobre, com apresentações relacionadas a cantos indígenas, referências de Pindorama e expressões afro-brasileiras. A Banda Cabokaji também participa da entrevista musicada prevista para o evento.





    A proposta dá continuidade a discussões realizadas em edições anteriores, que abordaram conceitos como ancestralidade futurística e o tempo espiralar, associado à reflexão da escritora e pesquisadora Leda Maria Martins.





    “Assim como trouxemos a ‘Ancestralidade Futurística’, o conceito de tempo espiralar e outras narrativas afrodiaspóricas em 2025, neste ano, queremos ir mais além, com a herança afro-indígena e novos conceitos emergindo do papel para os teatros. É o meu desejo que o Melanina possa reescrever as histórias que construíram a cidade, o país e a cultura como conhecemos, através dos próprios autores”, afirma Aldri.





    A edição também propõe refletir sobre a permanência do legado do Teatro Experimental do Negro, criado no Rio de Janeiro em 1944. A iniciativa teve papel importante na defesa da participação de artistas negros no teatro e em outras áreas da cultura, além de contribuir para o enfrentamento do racismo estrutural.





    “Esta edição busca compreender como as ideias inauguradas pelo TEN, em 1944, no Rio, continuam reverberando nas dramaturgias, nas pesquisas, nos corpos em cena e na organização da produção cultural afrodiaspórica. É um convite para reconhecer como as histórias do teatro negro se cruzam em oito décadas de passado, presente e narrativas afrofuturistas”, destaca o dramaturgo.





    Programação reúne espetáculos e atividades formativas





    A programação começa na quinta-feira, 12 de novembro, às 19h, com “Pequeno Manual Antirracista – A Peça”, adaptação teatral da obra de Djamila Ribeiro. Com texto de Aldri Anunciação e atuação de Luana Xavier, o espetáculo tem duração de 60 minutos.





    Na sexta-feira, 13 de novembro, às 16h, será realizado o Ateliê de Ideias 01, com o tema “Rastros do TEN na Contemporaneidade”, reunindo Fernando Lufer, Eugênio Lima e Guilherme Diniz. Às 19h, a programação traz a primeira entrevista musicada do festival, dedicada ao “Manifesto Afro-indígena”, de Abdias do Nascimento, com a Banda Cabokaji e mediação de Aldri Anunciação.





    No sábado, 14 de novembro, às 16h, o Ateliê de Ideias 02 aborda o tema “TEN x TENSP”, com Guilherme Diniz e William Santana dos Santos. Às 18h30, o público poderá assistir a “Black Machine”, de Dione Carlos, com duração de 55 minutos. Às 19h30, artistas da produção participam de uma atividade de compartilhamento de poéticas e processos criativos.





    O encerramento acontece no domingo, 15 de novembro, às 17h, com “Macacos”, monólogo escrito e interpretado por Clayton Nascimento. A obra discute o racismo no Brasil e suas manifestações na sociedade. O ator recebeu reconhecimento por sua atuação com prêmios como o APCA, em 2023, e o APTR, em 2024, além de ter conquistado o Prêmio Shell de Teatro na categoria de melhor ator.





    Ingressos e acesso





    As atividades formativas do Festival Melanina Acentuada são gratuitas, com retirada de ingressos na bilheteria do CCBB São Paulo uma hora antes de cada atividade. Para os espetáculos teatrais, os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).





    Segundo a organização, 10% da capacidade do espaço será destinada à acessibilidade. A programação busca ampliar o acesso do público às produções teatrais e às discussões sobre memória, identidade, racismo e representatividade nas artes.





    O Festival Melanina Acentuada Ano VIII – edição São Paulo é apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, tem patrocínio da Novelis e apoio do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). A realização é da Melanina Acentuada Produções e do Governo Federal.


    O post Festival Melanina Acentuada retorna a São Paulo após 14 anos com programação de teatro negro apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.




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