Seja bem-vindo
Goiânia,29/10/2026

    • A +
    • A -

    Inteligência Artificial: tudo sobre o tema que pode cair nos vestibulares

    guiadoestudante.abril.com.br
    Inteligência Artificial: tudo sobre o tema que pode cair nos vestibulares

    Em julho de 2026, a convenção nacional do Partido Liberal (PL) oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Entre os convidados para o evento, chamou atenção a “presença” do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre pena em prisão domiciliar. Sua figura era, na verdade, um vídeo gerado por Inteligência Artificial (IA) e exibido nos telões do evento.


    A Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 23.755/2026, de março de 2026, proíbe o uso de conteúdo sintético para criar ou alterar imagem e/ou voz de uma pessoa (viva ou não), com objetivo de favorecer ou prejudicar uma candidatura — ainda que haja autorização do retratado.





    O grande temor de autoridades e especialistas no tema é que a proliferação deste tipo de conteúdo, também conhecido como deepfakes, sabote a confiança do eleitorado e inviabilize o debate democrático antes mesmo que qualquer checagem consiga conter o estrago. O caso de Flávio Bolsonaro, é claro, foi parar no TSE.


    A decisão do tribunal, que rejeitou a aplicação de multa ao candidato por entender que o vídeo não representou pedido de voto ao eleitorado, foi o primeiro teste concreto das novas regras do uso de conteúdo de IA em campanhas eleitorais. Ampliando, é também uma amostra da nova natureza de discussões e debates contemporâneos. Todos impulsionados pela mesma pergunta: quais são os limites da IA?



    Continua após a publicidade


    As engrenagens


    Embora na ficção científica ela seja associada a robôs ganhando consciência e revoluções protagonizadas por máquinas, a realidade da IA é muito mais sobre matemática do que qualquer outra coisa. A tecnologia é um conjunto de sistemas e modelos computacionais projetados para simular operações cognitivas humanas, como a capacidade de aprender, reconhecer padrões, tomar decisões e resolver problemas. A IA não “pensa” ou “compreende”, ela funciona identificando padrões estatísticos e correlações probabilísticas a partir de volumes gigantescos de dados.


    Pode ser dividida em duas grandes vertentes. A IA Preditiva, que analisa dados históricos com o objetivo de identificar padrões e antecipar ações (como nos filtros de segurança de contas bancárias). E a IA Generativa, que ganhou fama global com plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude e é capaz de produzir conteúdos (como textos, imagens, áudios e vídeos), recombinando os padrões que aprendeu em seu processo de treinamento.



    Continua após a publicidade


    Essa versatilidade integra a tecnologia rapidamente ao cotidiano. Ela já está em sistemas de saúde para otimizar protocolos, em órgãos públicos e tribunais na triagem de processos, em bancos para aprimorar o atendimento ao cliente, entre outros exemplos. Mas o que acontece quando essa onda atinge os setores mais importantes e vulneráveis da sociedade?


    + 4 motivos para repensar o uso do ChatGPT nos seus estudos



    Continua após a publicidade


    Educação sem norte


    Logo de cara, ao pensar no uso de IA na sala de aula, a imagem que costuma vir na cabeça é a do estudante usando a ferramenta para “colar” nas lições de casa. A impressão não é falsa, mas está longe de ser o quadro inteiro. É o que mostra a última pesquisa TIC Educação 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação.


    Realizada entre agosto de 2025 e abril de 2026 com gestores de 2.404 escolas públicas e privadas, ela indica também um uso significativo da tecnologia pelo outro lado da carteira. Mais da metade (53%) dos entrevistados usam ferramentas de IA Generativa em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras. Os usos são variados e miram em tarefas mais burocráticas ou que tomam tempo de quem leciona, como criar as apresentações das aulas, avisos e comunicados, e a definição de cronogramas. O ponto é que recorrer ou não à IA acaba sendo uma iniciativa particular dos gestores, já que somente 22% relatam dispor de um guia de orientações da escola sobre a utilização da ferramenta.


    O descompasso também atinge estudantes: 63% das escolas afirmam não autorizar seus alunos a utilizar a tecnologia em projetos educacionais. Ainda assim, sete em cada dez jovens do Ensino Médio usuários de internet já afirmavam usar IA em trabalhos escolares em 2024. Desse número, menos de um quinto havia conversado com um professor sobre como fazer isso. Com isso, o estudante corre o risco de se deparar com as chamadas alucinações algorítmicas, fenômeno em que as plataformas inventam fatos, dados e referências históricas com aparência de absoluta certeza. O uso intenso também pode acarretar o comprometimento da capacidade de pensamento crítico e autônomo, indicam estudos.



    Continua após a publicidade


    + O que acontece com seu cérebro quando você usa IA para escrever redação


    O cenário, assim, é de incorporação acelerada, mas desequilibrada por barreiras (também) materiais. De acordo com um estudo da Universidade Stanford de 2026, 41,9% dos professores brasileiros relatam a ausência de suporte técnico nas escolas. Conexão instável, falta de computadores e dependência de dispositivos pessoais escancaram a distância entre o entusiasmo com as possibilidades da nova tecnologia e a realidade das salas de aula. Esse abismo motivou a urgência de regras para impor limites ao setor.



    Continua após a publicidade


    Em fevereiro de 2026, o Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação, do Ministério da Educação (MEC), foi o primeiro documento federal sobre o tema, cobrindo da educação infantil à pós-graduação. Ele estabelece que a tecnologia seja abordada na sala de aula por duas frentes simultâneas: aprender com IA (a ferramenta como um recurso) e aprender sobre IA (a ferramenta como objeto de estudo), privilegiando a centralidade humana, o letramento digital e o caráter insubstituível do professor.


    Mais recentemente, em setembro, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as primeiras diretrizes nacionais para o uso de IA no ensino. O marco fixa níveis de risco da tecnologia e proibições diretas, como o uso para corrigir redações e avaliar provas dissertativas e o acesso autônomo a ferramentas generativas por crianças até o 5º ano.


    Ainda assim, o ritmo das orientações e treinamentos parece não acompanhar o da adoção acelerada das ferramentas, seja por alunos ou professores. Enquanto os primeiros frequentemente recorrem à tecnologia na busca por atalhos e respostas prontas, prejudiciais ao aprendizado, os docentes não dispõem de capacitação, treinamento e, em boa parte dos casos, infraestrutura para um uso produtivo.


    + Professor cria truque para descobrir uso de IA em avaliação e reprova 32 alunos


    Revolução no trabalho


    E falando em capacitação profissional, em maio de 2025, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) criou um índice para mostrar o quanto diferentes profissões estão expostas à IA Generativa. Uma alta exposição não quer dizer que a tecnologia vai obrigatoriamente roubar a vaga de um trabalhador real, mas sim que, no dia a dia, ele estará mais suscetível a ter contato com a ferramenta. A conclusão é que um em cada quatro empregos no mundo está em ocupação potencialmente exposta.


    O Instituto Brasileiro de Economia, vinculado à Fundação Getulio Vargas (FGV), cruzou esse índice com os dados do cenário brasileiro. No terceiro trimestre de 2025, 29,8 milhões de brasileiros trabalhavam em profissões expostas à IA. Destes, 5,2 milhões estavam no grau mais alto de exposição, com 76% trabalhando em funções como auxiliares de escritório, assistentes e escriturários gerais. É uma fatia do mercado considerada como “de entrada”, com tarefas mais repetitivas e padronizadas.


    A maior exposição é entre as mulheres (35,4%), os mais jovens, entre 14 e 29 anos, moradores da Região Sudeste (32%) e os mais escolarizados (42,7% de quem tem superior completo). A agropecuária é o setor com menor grau de exposição (1,5%), enquanto o topo do ranking é ocupado pelo de Serviços Financeiros (instituições financeiras, bancos e fintechs, por exemplo), com 90,6% de exposição, e o de Informação e Comunicação (empresas de tecnologia da informação, telecomunicações, veículos de mídia, entre outros), com 80,8%. O que os números mostram é que, desta vez, não é o trabalho braçal que está na linha de frente da transformação digital, é o de escritório.


    + ‘AI Divide’: as propostas da ONU para superar a desigualdade gerada pela Inteligência Artificial


    Especialistas têm apostado cada vez mais na reconfiguração do mercado de trabalho, com a realocação de funções e a complementaridade da IA nas tarefas do dia a dia — ou seja, quando ela entra como um suporte para o profissional. Essa teoria defende que, quanto maior é essa sinergia entre ser humano e máquina, menor o risco de a função desaparecer. Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) calculou que cerca de 20% dos ocupados brasileiros combinam alta exposição à IA com baixa complementaridade, o que os classifica como um grupo de risco.


    Para autores da área, o mercado brasileiro ainda está longe de um marco regulatório sobre o uso de IA. Incorporá-la exige mudança de processos, cultura e novos indicadores de resultado: somente contratar um serviço do tipo não basta. Ainda assim, a primeira motivação das empresas tende a ser o corte de custos.


    + O que define as profissões que serão ou não substituídas pela Inteligência Artificial?


    Outros impactos


    Mas, afinal, porque ambientalistas também estão preocupados com o avanço das IAs? E quais são as leis existentes até agora? Para ler o restante desta reportagem e entender, adquira a revista de Atualidades do GUIA DO ESTUDANTE, já disponível nas bancas de todo o Brasil.


    Você também encontra na edição textos sobre:



    • A migração no mundo e o ICE de Trump;

    • Estados Unidos e Irã entram em conflito aberto;

    • A guerra sem fim em Gaza;

    • Crise na Venezuela;

    • Tarifaço;

    • Corrida por terras raras

    • A epidemia das bets


    Corra para as bancas ou assine e receba em casa!



    6 livros filosóficos para pensar sobre o mundo








    Entre no canal do GUIA no WhatsApp e receba conteúdos de estudo, redação e atualidades no seu celular!





    Prepare-se para o Enem sem sair de casa. Assine o Curso GUIA DO ESTUDANTE ENEM e tenha acesso a todas as provas do Enem para fazer online e mais de 180 videoaulas com professores do Poliedro, recordista de aprovação nas universidades mais concorridas do país



    Publicidade




    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.