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Goiânia,29/10/2026

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    O que é nudify? Entenda os apps que preocupam autoridades

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    O que é nudify? Entenda os apps que preocupam autoridades

    Apesar de tantos benefícios já evidentes na sociedade, o uso da inteligência artificial (IA) generativa também traz riscos e novos problemas para muitas pessoas. O nudify, prática em alta a partir de sites e aplicativos, é um desses novos perigos.

    Em janeiro de 2026, um estudo encontrou na Google Play Store e na App Store dezenas desses apps que “tiram a roupa” de pessoas sem consentimento, sendo inclusive acessíveis por menores de idade. Grupos de Telegram e até chatbots de redes sociais também oferecem essa possibilidade de forma cada vez mais acessível.

    Para entender as consequências negativas e o problema por trás desses aplicativos, é importante conhecer como eles funcionam. A seguir, saiba mais sobre essa prática e os riscos inclusive criminais dessa prática.

    O que é nudify?


    A palavra vem do inglês e, em tradução livre, significa “despir” ou tirar a roupa. Atualmente, ele é usado para caracterizar aplicativos, sites e bots que usam IA para simular a nudez de uma pessoa a partir de uma foto vestida, criando uma imagem nova sem consentimento.

    A prática é também chamada de “nudificação” ou “deepnudes”, usando tecnologias generativas avançadas para gerar um material sintético e falso, retratando a pessoa sem roupas ou em posições sugestivas.

    Qual é a diferença entre nudify, deepnude e deepfake?


    Os três termos se sobrepõem, mas não são sinônimos e é importante conhecer o conceito de cada um:

    • Deepfake é o termo mais geral e combina deep learning (aprendizado profundo) com “fake”, ou falso em inglês. Ele envolve qualquer mídia sintética que altera rostos, corpos ou vozes em fotos, vídeos e áudios, de paródias políticas e golpes aos conteúdos sexuais;
    • Deepnude um deepfake criado ou manipulado para apresentar nudez. O termo se origina a partir de um aplicativo criado em 2019 capaz de gerar conteúdos sexualizados de terceiros, retirado do ar pelo criador após a repercussão negativa;
    • Nudify é um aplicativo, site ou chatbot que, na forma de ferramenta ou serviço, “automatiza” um deepnude com interface simples e acessível.

    Em outras palavras, todo serviço que oferece a prática de nudify produz um deepnude, que é também uma forma de deepfake.

    Como funcionam os aplicativos nudify?


    Vários desses serviços de “nudificar” não exigem grandes conhecimentos técnicos ou configurações complexas: para pedir uma foto modificada, basta enviar a imagem de referência e aguardar o resultado.



    Nos modelos de linguagem mais avançados, que podem ser pagos ou cobertos por anúncios para gerar receita, o usuário recebe em questão de segundos um resultado fotorrealista em alta resolução para ser salvo ou compartilhado.

    Inteligência artificial que manipula as imagens


    A IA generativa desses apps não “enxerga” através da roupa e nem adivinha o corpo real de uma pessoa. Na verdade, ela “inventa” um resultado, levando em conta uma leitura da imagem de referência —incluindo detalhes como pose, proporções e a área coberta por roupa.

    Após esse cálculo, a ferramenta modifica a imagem com base em padrões aprendidos e na própria base de dados, ajustando com a máxima fidelidade possível elementos como tom de pele e iluminação.

    O resultado, apesar de convincente, não passa de uma estimativa estatística e artificial.

    Apps nudify preocupam pais e autoridades


    A facilidade de acesso de aplicativos de nudificação, combinada com o anonimato nos pedidos e o baixo custo dessas ferramentas deixa entidades de direitos humanos, pais e autoridades em alerta.

    Mesmo com regras que proíbam esse tipo de conteúdo em lojas digitais e redes sociais, aplicativos que oferecem esse tipo de serviço seguem no ar, alguns até com anúncios pagos em plataformas digitais.

    A dificuldade em rastrear os responsáveis, os danos causados pela exposição desse tipo de material e o fato de IAs generativas estarem cada vez melhores em qualidade são fatores que só adicionam mais urgência ao combate a esse tipo de prática.

    Imagens íntimas falsas criadas sem consentimento


    O principal problema envolvendo o nudify é a quantidade e a gravidade de consequências para as vítimas. Por mais que seja um material falso, a foto circula, faz a pessoa ser reconhecida por amigos ou parentes e expõe uma falsa intimidade.

    Mesmo que plataformas removam o conteúdo, não há como saber quantas vezes ele foi salvo ou compartilhado, mantendo a vítima em alerta para eventuais novas tentativas de espalhar o material, criado sem qualquer tipo de autorização.


    Há ainda um recorte de gênero que é evidente ao analisar casos como o do Grok, chatbot da rede social X que já permitiu a criação de imagens nudificadas. O fenômeno é um exemplo de violência de gênero, atingindo um número consideravelmente maior de mulheres em comparação com usuários homens.

    A criação sistemática desse tipo de imagem pode gerar até outros tipos de crimes, como extorsão para não divulgar o material falso.

    Os riscos para crianças e adolescentes


    Os jovens são, ao mesmo tempo, alvo e autores frequentes dessas criações, o que torna o assunto ainda mais delicado. São vários os casos conhecidos, inclusive no Brasil, de menores de idade que criam fotos nudificadas de outras adolescentes por diferentes motivações;

    As imagens se espalham em grupos de WhatsApp e Telegram e as consequências começam no constrangimento em ter uma foto falsa espalhada, mas também envolvem extorsão e, neste caso, criação de material de abuso sexual infantil.

    Nudify é ilegal no Brasil?


    Os aplicativos de nudify não são proibidos no Brasil por uma lei específica e não há um crime tipificado para o simples download deles. Porém, isso não significa que utilizá-los deixa de ser crime ou que outras esferas não possam combater essas ferramentas.

    O artigo 216-B do Código Penal, por exemplo, pune quem faz montagem de pessoas em cena de nudez ou ato sexual de caráter íntimo com seis meses a um ano de detenção e multa.

    Já divulgar o conteúdo sem autorização, seja ao distribuir ou publicar, também está previsto no artigo 218-C. Aqui, a pena é maior, passando de quatro a dez anos de reclusão.



    Se o crime foi enquadrado como violência psicológica contra a mulher, o 147-B do Código Penal modificado por uma lei em 2025 tem uma pena maior caso a IA seja usada na ilegalidade, como no caso de deepfakes. Aqui, a reclusão pode ser de 9 meses até três anos.

    No caso de crianças ou adolescentes, a situação cai na Lei 15.487/2026, que trata de “medidas de enfrentamento e repressão ao crime de violência sexual” inclusive no ambiente digital.

    Ela prevê reclusão de três a cinco anos e multa para quem simula a participação de menores de idade em conteúdo adulto por montagem ou IA. O crime passou ainda a ser considerado hediondo e ter punição aumentada no caso de deepfakes.

    Na esfera civil, a vítima pode pedir indenização e a retirada do conteúdo, com possível responsabilização também da plataforma, caso ela não tirar o material do ar após uma notificação.

    Órgãos do governo, como o Ministério da Justiça, podem pedir o bloqueio de apps e sites de “nudificação”. As próprias donas de plataformas, como Google e Apple, também têm o poder de apagar as ferramentas de suas respectivas lojas digitais.

    O que fazer se criarem uma imagem íntima falsa sua?


    Ao notar que há uma ou mais fotos falsas suas de nudificação circulando, o ideal é preservar a prova e registrar o conteúdo, fazendo capturas de tela visíveis e do material completo, incluindo toda a tela do computador.

    Em seguida, é indicado registrar um boletim de ocorrência, anexando os arquivos salvos para relatar o crime e buscar apoio de autoridades, como delegacias especializadas em crimes virtuais ou contra a mulher.

    Pedir a remoção do conteúdo pelas plataformas digitais é sugerido na sequência. Neste caso, advogados podem ajudar na coleta de provas e entrar com ação para agilizar essa retirada.

    As vítimas também podem buscar apoio de entidades como a SaferNet, pela orientação gratuita via chat ou email do Helpline, enquanto denúncias de crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet podem ser feitas pelo Disque 100 e pela Polícia Civil.

    O cuidado com a saúde mental também é importante, seja mantendo-se fora das redes ou com acompanhamento psicológico. No caso de menores de idade, a lei brasileira prevê atendimento psicológico individual.

    Detectores de imagens de IA são confiáveis?


    Ferramentas atuais que sugerem se uma foto é ou não de IA não são consideradas confiáveis o bastante para servir de prova. Esses serviços até apontam se uma imagem é sintética, mas os resultados são imprecisos.

    Há também limites técnicos, já que compressão, desfoque e ruídos, gerados após grande circulação de uma imagem por plataformas digitais, podem dificultar a resposta de um detector.

    A tecnologia SynthID, da Google, tende a ser a mais confiável para esse tipo de detecção, mas ela tem as suas restrições e pode não identificar imagens geradas por apps de terceiros.

    Acesse a seção sobre IA no site do TecMundo e saiba tudo sobre esse mercado. /Com informações de ICMEC Australia e The Guardian.




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