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Goiânia,04/06/2026

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    Prêmio mundial de fotografia é um guia para estudar atualidades

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    Prêmio mundial de fotografia é um guia para estudar atualidades

    A imagem acima, retratando a dor e o desespero de uma família sendo separada pela ação do Estado, foi a grande vencedora do World Press Photo 2026, principal prêmio mundial para fotojornalismo. A força da foto é dar face humana ao drama social que se desenvolve nos Estados Unidos, com a política do presidente Donald Trump de deportação em massa de imigrantes.


    De autoria da repórter-fotográfica Carol Guzy, a foto registra o momento em que um imigrante equatoriano chamado Luis, que havia comparecido a uma audiência de rotina em um tribunal de imigração, em Nova York, com a família – a mulher, Cocha, e as três filhas, de 7, 13 e 15 anos –, é detido pelos agentes do ICE (serviço de vigilância de migração e fronteira) na saída da sala.





    Luis, que não tinha antecedentes criminais, segundo a família, era quem sustentava a casa.


    A decisão de endurecer as condições para aceitar imigrantes nos Estados Unidos (EUA) já vem de governos anteriores. A diferença do que Trump decidiu fazer, após iniciar seu mandato em 20 de janeiro de 2025, é que determinou ao ICE que atue não só nas áreas de fronteira (para coibir a entrada de imigrantes ilegais), mas que persiga e capture imigrantes em todo o território do país – dando lugar a cenas inéditas de pessoas presas no trabalho, na escola ou em casa. É importante ressaltar que os imigrantes – incluindo os não-legalizados – são parte importante da mão-de-obra em diversos setores da economia norte-americana.


    + O que é a Unesco, organização que Trump chama de ideológica


    World Press Photo


    A ação agressiva do ICE vem causando conflitos internos nos EUA, com enormes manifestações de protesto e consequências muito além de suas fronteiras – atingindo diversos países, como o Brasil, que recebeu vários voos com deportados algemados enviados de volta.


    Isso tudo transformou esse em um dos grandes assuntos de 2025 no cenário mundial, sendo um dos elementos de peso para apontar a foto premiada.



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    Em seu site, o World Press Photo traz uma galeria com o conjunto dos trabalhos premiados que vale muito a pena para quem se interesse pelos grandes acontecimentos no mundo – e especialmente para quem está se preparando para o Enem e os vestibulares.


    Veja alguns exemplos nesta matéria.


    Desastre humanitário em Gaza


    Multidão de homens e jovens escalando um caminhão. Alguns carregam mochilas, outros estendem as mãos para ajudar ou serem ajudados, em meio a uma atmosfera de desespero e esforço coletivo
    O DESESPERO DA FOME Palestinos sobem em caminhão, com fornecimento humanitário de farinha, ao entrar na Faixa de Gaza, em 27 de julho de 2025Saber Nuraldin / EPA Images / World Press Photo/Divulgação

    Finalista do World Press Photo, esta imagem retrata palestinos subindo em um caminhão que entra na Faixa de Gaza, pela passagem de Zikim, para tentar obter farinha. Em meio à fome generalizada, o carregamento com ajuda humanitária entrou graças ao que o Exército de Israel chamou de “suspensão tática” do bloqueio mantido desde outubro de 2023.


    Em 2025, a fome na região se agravou num contexto que uma Comissão do Conselho de Direitos Humanos da ONU qualificou como genocídio na Faixa de Gaza, levado adiante pelo Estado de Israel, que controla a região. Genocídio é o extermínio deliberado – total ou parcial – de uma determinada população – por critérios nacionais, étnicos, raciais ou religiosos.



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    Israel nega esse intuito, mas, desde outubro de 2023 – quando um ataque do grupo terrorista palestino Hamas em Israel matou cerca de 1.200 pessoas –, o Estado israelense bombardeou intensamente a Faixa de Gaza, destruindo praticamente todas as construções locais (casas, prédios, escolas, hospitais), enquanto sua população permanece contida no território, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas, e já morreram ao menos 70 mil.


    Neste momento, há uma trégua em curso. O conflito entre Israel e os vizinhos, porém, já inclui a guerra contra o Irã e os ataques contra o Líbano – onde existe o Hezbolla, milícia inimiga de Israel –, sendo um dos grandes focos mundiais de conflitos armados atualmente.


    + Israel e Palestina: entenda a origem do conflito


    Guerras em foco


    Mulher de pele escura, com lenço na cabeça e ombros, olhando para a esquerda, com o braço direito levantado e cicatrizes visíveis, em preto e branco
    MARCAS DA GUERRA Alhaja Abdallah, que abandonou sua casa em Bara, no Sudão, em meio à guerra civil, mostra queimaduras nos braçosAbdulmonam Eassa / para Le Monde / World Press Photo/Divulgação

    No mundo atual, com muitas guerras ocorrendo em diferentes regiões, as catástrofes humanitárias aparecem na forma de imagens dramáticas no prêmio internacional de fotojornalismo.



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    A guerra no Sudão, uma das várias que atingem o continente africano, está presente na foto acima: a refugiada Alhaja Abdallah mostra as marcas de queimadura resultantes do incêndio criminoso que atingiu o campo de refugiados em Obeid, a menos de 70 quilômetros de sua casa – de onde teve de fugir –, provocado pelo grupo paramilitar RSF (Forças de Apoio Rápido), que disputa o poder no país. Iniciada em 2023, a guerra já obrigou mais de 14 milhões de pessoas a fugirem de suas casas, gerando uma das maiores crises humanitárias da atualidade.


    Mulher ferida, com roupas ensanguentadas e expressão de dor, sentada no chão de terra encostada a uma parede de tijolos. Dois socorristas, um com lanterna, a assistem em ambiente escuro e destruído
    CHOQUE E TERROR Valeria Syniuk, 65 anos, recebe atendimento após ter a casa danificada por um míssil russo que caiu próximo, em Kiev, capital da Ucrânia (24 de abril de 2025)Evgeniy Maloletka / Associated Press / World Press Photo/Divulgação

    A Guerra da Ucrânia, iniciada com o ataque da Rússia à nação vizinha, já passa de quatro anos. É o primeiro conflito armado entre países em solo europeu desde o final da 2ª Guerra Mundial, em 1945. Estima-se que já morreram mais de 500 mil pessoas, em sua maioria soldados.


    A Rússia busca anexar as regiões do leste da Ucrânia, que são habitadas em sua maioria, por população de fala russa. O estopim da guerra foi a possibilidade de a Ucrânia aderir à Otan – aliança militar ocidental, que prevê que, em caso de conflito com um de seus membros, todos entram em guerra contra o agressor. A foto premiada captura o terror e o choque da ucraniana ao ser acordada, no meio da noite, por uma explosão que destruiu o prédio vizinho e danificou bastante o edifício no qual mora. Neste momento, não há perspectivas de encerramento da guerra.


    + Rússia e Ucrânia: entenda a questão energética por trás da guerra



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    Pressão sobre o meio ambiente


    Urso polar branco pequeno sobre uma baleia cinzenta morta, flutuando em águas escuras cercadas por grandes blocos de gelo branco e azulado
    CARNIÇA Urso polar se alimenta dos restos mortais de um cachalote ao norte do arquipélago de Svalbard, da Noruega, em 8 de julho de 2025Roie Galitz / World Press Photo/Divulgação

    Nem só de conflitos vive o prêmio. À primeira vista, a foto acima parece ser de um peixe pequeno em meio ao gelo. Mas, olhando-se bem, se percebe que o pequeno ponto branco no dorso do animal é um enorme urso polar. Ele está se alimentando da carcaça de um cachalote – o maior mamífero com dentes do planeta, que pode chegar a até 20 metros de comprimento.


    Com o derretimento acelerado do gelo polar, por conta do aquecimento global, os ursos polares – que se alimentam principalmente de focas – estão ampliando sua busca de alimento para carniça e animais terrestres, como renas.


    Panda gigante com pelagem preta e branca, espreitando por trás de um tronco de árvore coberto de musgo verde, em uma floresta densa
    OLHA EU AÍ Um panda-gigante selvagem é registrado por uma “armadilha fotográfica” na reserva natural de Wanglang, em Sichuan, na China, em 11 de novembro de 2025Rob G. Green / National Geographic Society / World Press Photo/Divulgação

    As ações humanas pressionam o meio ambiente em todo o planeta, com o desmatamento, a poluição dos corpos de água, a caça e a urbanização. Os pandas têm seu habitat natural apenas nas florestas de bambu das áreas de montanha no centro-sul da China, e estima-se que sua população selvagem não passe atualmente de 2.000 animais. No parque de Wanglang, onde a foto foi tirada, não há mais que algumas dezenas de pandas circulando, e o registro – que confirma a existência de animais na natureza – foi bastante comemorado.



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    O Brasil nas fotos


    Fotografia em preto e branco de uma mulher idosa e quatro crianças, todos sorrindo e interagindo em um ambiente escuro. A mulher está sentada à esquerda, abraçando uma menina. Outras três crianças estão deitadas ou sentadas no chão, rindo. A luz incide sobre os rostos e corpos, criando um contraste dramático.
    TERRITÓRIO DA ESPERANÇA Sandra Mara Siqueira descansa com seus netos Ana Flávia (12), Davi Lucas (10), Micael (8) e Vitória (7), em Colombo (PR), em 15 de novembro de 2025Priscila Ribeiro / World Press Photo/Divulgação

    O grande déficit habitacional brasileiro e a vida de populações carentes que enfrentam esse problema está na base da reportagem fotográfica de Priscila Ribeiro, cuja foto acima ganhou o prêmio na América do Sul. A família de Sandra Mara Siqueira busca a regularização fundiária que lhes permitiria a posse de sua casa para poder implantar o fornecimento regular de luz e água. Eles moram numa ocupação urbana em Colombo, na Grande Curitiba. Segundo o júri do prêmio, “essa fotografia captura a realidade íntima e cotidiana desta luta por moradia e reconhecimento, registrando um espaço que não é definido apenas pela privação, mas pela organização coletiva e pela esperança”.


    Pelo Brasil, foi premiado também o repórter-fotográfico Eduardo Anizelli, da Folha de S.Paulo, com sua cobertura da chamada “Operação Contenção”, a ação policial mais mortífera da história do Brasil – que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro, em outubro de 2025. No próprio dia da operação, 28 de outubro, o repórter encontrou um cenário de guerra ao chegar na Vila Cruzeiro. Ao final, no hospital Getúlio Vargas, havia 64 mortos.


    Os moradores, contudo, informavam que haveria muito mais corpos numa mata no alto do morro – onde a polícia não permitiu que o jornalista fosse. No início da manhã seguinte, ao chegar ao local, capturou o desespero dos familiares encontrando e retirando os corpos, estendidos depois na praça São Lucas – uma das imagens mais tristes e impactantes do Brasil em 2025.


    Site e exposição


    Todos os assuntos aqui abordados e muitos outros aparecem em diversas fotografias no site do World Press Photo, o que permite navegar pelos temas. A visita ao site é ainda uma forma de treinar o inglês, língua oficial do concurso. As fotos vencedoras também circulam em exposições pelo mundo, sendo que, no Brasil, acontecerá em espaços da Caixa Cultural, no Rio de Janeiro (de 5 de maio a 28 de junho); em São Paulo (de 14 de julho a 6 de setembro); em Curitiba (de 27 de outubro a 20 de dezembro); e em Salvador (de 26 de janeiro de 2027 a 21 de março).


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