Automedicação preocupa especialistas: nove em cada dez brasileiros tomam remédios sem prescrição
Tomar medicamentos sem orientação médica continua sendo uma prática frequente entre os brasileiros. Seja para aliviar dores, combater sintomas gripais ou tratar problemas considerados simples, a automedicação tornou-se um hábito comum, impulsionado por fatores como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, a falta de informação e a falsa sensação de segurança em relação a determinados medicamentos.
Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), realizada no ano de 2024 e repercutida pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), revelou que nove entre dez brasileiros fazem uso de medicamentos sem prescrição. Entre os mais consumidos estão analgésicos, antigripais e relaxantes musculares. Segundo o levantamento, sintomas como dor de cabeça, gripe, febre e dores musculares estão entre os principais motivos para o uso sem acompanhamento profissional.
A Farmacêutica Ingred Rocha, explica que o uso excessivo de medicamentos pode trazer consequências sérias ao organismo. “A diferença entre o medicamento e a droga, muitas vezes, está na dosagem. Um remédio usado de forma exagerada pode causar danos ao corpo. O uso frequente de corticoides, por exemplo, pode provocar inchaços e problemas na circulação sanguínea”, afirma.
Rocha também alerta para outro risco comum da automedicação, a interação medicamentosa, que acontece quando diferentes substâncias são utilizadas ao mesmo tempo sem orientação profissional. Segundo ela, a combinação incorreta de medicamentos pode reduzir o efeito dos remédios ou provocar reações perigosas ao organismo.
“Muitas pessoas misturam medicamentos sem saber que um pode potencializar ou anular o efeito do outro. Dependendo da combinação, isso pode causar intoxicações, alterações na pressão, problemas no fígado e até complicações mais graves”, explica a farmacêutica.
O Conselho Regional de Farmácia também alerta para a importância da orientação profissional no uso de medicamentos. Desde a Lei 13.021/2014, as farmácias passaram a ser reconhecidas como estabelecimentos de saúde, com obrigatoriedade da presença de farmacêuticos durante todo o horário de funcionamento para orientar os pacientes e evitar o uso inadequado dos remédios.
A enfermeira Ludmila Ribeiro ressalta que a automedicação também está ligada às dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Segundo ela, a limitação no acesso à assistência médica no Brasil faz com que muitas pessoas recorram aos remédios por conta própria para aliviar sintomas aparentemente simples, sem considerar os riscos envolvidos. “Existem medicamentos que parecem inofensivos, mas podem causar sobrecarga nos rins, no fígado e no pâncreas. Em alguns casos, podem provocar problemas graves, como pancreatite”, alerta.
Para reduzir essa prática, Ribeiro orienta que a população procure primeiro a Atenção Básica de Saúde, em vez de buscar diretamente os serviços de emergência, reorganizando o fluxo de atendimento. “Não é correto tomar medicamentos sem diagnóstico. Quando surgir um problema de saúde, o ideal é procurar a unidade de saúde da família ou o posto de saúde, onde o paciente pode receber orientação adequada e, se necessário, ser encaminhado para outros profissionais”, explica.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indica que não se deve tomar medicamentos a partir de recomendações de vizinhos, amigos e parentes. Também ressalta que, quando prescrito por um profissional da saúde, é importante verificar o estado da embalagem. Além de não comprar produtos que tenham o lacre de segurança violado, apenas com embalagens internas e lacradas.
O post Automedicação preocupa especialistas: nove em cada dez brasileiros tomam remédios sem prescrição apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.



COMENTÁRIOS