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Goiânia,28/05/2026

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    Exílio, memória e ancestralidade marcam obra de artista haitiano em Salvador

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    Exílio, memória e ancestralidade marcam obra de artista haitiano em Salvador

    O artista pluridisciplinar haitiano Olwitchneider Sainclair tem transformado a experiência do exílio em matéria-prima para sua produção artística e acadêmica em Salvador. Poeta de spoken word, pintor e poliglota, o artista desenvolve atualmente o projeto “Mountains to Climb” (“Montanhas a escalar”), pesquisa que atravessa temas como deslocamento, identidade, memória e reconstrução.





    Nascido em Porto Príncipe, capital do Haiti, Sainclair vive no bairro da Federação, em Salvador, e cursa Letras na Universidade Federal da Bahia. Em sua obra, investiga as marcas deixadas pela migração e pela ausência de um território fixo, criando narrativas sensíveis sobre pertencimento e resistência cultural.





    Sua trajetória internacional inclui passagens pela República Dominicana e por Istambul, na Turquia. Na cidade turca, consolidou sua atuação no teatro ao interpretar textos de autores como Tennessee Williams, além de participar de processos de criação coletiva. Fluente em crioulo haitiano, francês, inglês, português e turco, o artista compreende a linguagem como um elemento político e afetivo.





    “As línguas, a meu ver, carregam uma dimensão ao mesmo tempo histórica e afetiva: elas marcam os corpos e as trajetórias. Estar consciente em uma língua é entrar em uma forma de escuta, quase como uma voz acústica do mundo, onde se revelam tanto as feridas e as violências quanto as memórias que ela transporta”, afirma.









    Sainclair destaca que sua relação com a arte começou ainda na infância, em meio às complexidades sociais e históricas do Haiti.





    “Minha relação com a arte se construiu muito cedo, em um contexto em que criar já era um gesto de resistência, mas também uma forma de compreender o mundo e me situar nele. Tendo crescido no Haiti, meu percurso é profundamente marcado por realidades sociais, espirituais e históricas que continuam a atravessar o meu trabalho”, relata.





    Salvador como território de reencontro





    Ao chegar à capital baiana, o artista encontrou referências culturais e ancestrais que dialogam diretamente com sua vivência haitiana. Para ele, Salvador funciona como um espaço de reconhecimento e reconstrução simbólica de lar, especialmente por meio da presença africana no cotidiano da cidade.





    “A migração e o exílio, especialmente quando se inscrevem na impossibilidade de retornar ao próprio país por razões de segurança, constituem, para mim, um espaço ao mesmo tempo vivido e reflexivo. Salvador representa um espaço singular, onde os legados africanos não são apenas visíveis, mas plenamente encarnados no cotidiano”, explica.





    Segundo o artista, a cidade também fortalece seu processo criativo ao aproximá-lo de ritmos, gestos e memórias que remetem ao Haiti.





    “Essa proximidade cultural atua como um catalisador no meu processo criativo, alimentando uma busca em torno da ideia de ‘lar’. Como habitar um lugar quando se é atravessado por múltiplos territórios? Assim, reconheço fragmentos de ‘lar’ fora do meu espaço de origem”, completa.





    A presença de artistas migrantes em Salvador também amplia os debates sobre identidade, pertencimento e circulação cultural nos territórios periféricos da cidade, aproximando experiências da diáspora africana das vivências das periferias e favelas brasileiras.





    Arte, memória e novos caminhos





    Em agosto de 2025, Sainclair participou das celebrações pelos 20 anos da Fábrica Cultural, em Salvador. Durante o evento, homenageou autoridades brasileiras com retratos produzidos em caneta esferográfica, entregues à ministra da Cultura, Margareth Menezes, e à primeira-dama Rosângela da Silva.





    “Foi através de dois desenhos com caneta Bic que eu fiz. Recebi o convite para entregar os desenhos pessoalmente e foi muito incrível encontrar eles. Foi bem massa mesmo”, relembra.





    Atualmente, o artista trabalha na escrita de um EP musical colaborativo e bilíngue, gravado em crioulo haitiano e português brasileiro. O projeto contará com participações dos músicos haitianos Zikiki e Marc-Harold Pierre, além de instrumentistas brasileiros.





    Para os próximos anos, Sainclair pretende expandir sua atuação para o cinema, o teatro e o universo da moda, aprofundando pesquisas sobre ancestralidade, simbolismo e identidades em movimento. O artista também busca parcerias profissionais e apoio financeiro para ampliar a circulação pública de suas obras e fortalecer sua produção artística no Brasil.


    O post Exílio, memória e ancestralidade marcam obra de artista haitiano em Salvador apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.




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