Seja bem-vindo
Goiânia,26/05/2026

    • A +
    • A -

    Receita ancestral conecta gerações e preserva tradição familiar no interior da Bahia

    anf.org.br
    Receita ancestral conecta gerações e preserva tradição familiar no interior da Bahia

    Transmitida entre avós, mães, filhos e netos, a receita da peta segue atravessando gerações no interior da Bahia como símbolo de afeto, memória e sustento familiar. De origem portuguesa, a família Dourado chegou ao Brasil em meados do século XIX e encontrou na culinária uma das principais formas de preservar suas tradições.





    Entre doces e quitutes típicos, a peta ganhou espaço especial na história da família. O preparo artesanal passou de geração em geração e permanece vivo até hoje. Ian Dourado relembra que aprendeu a fazer a receita ainda na infância, ajudando a avó durante o preparo, assim como ela havia aprendido com a própria mãe, Zulmira Marques.





    “Quando eu era pequeno, segurava a bacia enquanto minha avó preparava a massa. Foi assim que aprendi”, conta.





    Durante os períodos de seca na região de Irecê, ao longo do século XX, muitas famílias passaram a comercializar a peta como alternativa de renda. O quitute se transformou em fonte de sustento para diversas casas da região e continua sendo vendido até hoje.





    Ian Dourado junto à sua bisa Zulmira Marques – Foto: Gabriel Dourado




    Atualmente, a produção da receita custa, em média, R$ 50. Com as unidades vendidas a R$ 2, o valor investido pode ser triplicado, garantindo lucro para quem vive da comercialização.





    Lindaura Martins, integrante da família, aprendeu a receita ainda jovem e hoje mantém a tradição ativa. A produção é feita sob encomenda, duas vezes por semana, e se tornou sua principal fonte de renda após a aposentadoria.





    “O pouco que eu tenho foi com a ajuda do bolo [peta]. Eu não tenho roça, então meu sustento iria vir ou da costura ou do bolo. É disso que eu vivo”, relata.





    Apesar de tradicional na família, a receita ainda é pouco conhecida fora da região. Simples e prática, a peta tem como ingrediente principal o polvilho, chamado popularmente de tapioca em algumas localidades do sertão baiano.





    Para o preparo, são utilizados 500 ml de tapioca, 200 ml de óleo, 500 ml de água, 200 ml de açúcar, seis ovos, além de uma pitada de sal e canela em pó.









    O primeiro passo é umedecer a tapioca até atingir o ponto do beiju e escaldá-la em uma panela de ferro ou alumínio batido. Depois, o óleo fervente é despejado sobre a massa. Em seguida, acrescentam-se os ovos, o açúcar, o sal e a canela, misturando tudo manualmente até formar uma massa homogênea.





    Após modelar pequenas porções em formato semelhante a um gancho ou “vírgula”, a massa é levada ao forno preaquecido a 200 ºC por cerca de 30 a 40 minutos.





    Além da canela, algumas famílias utilizam erva-doce, cravo-da-índia e outras especiarias, adaptando a receita conforme o paladar de cada geração. Tradicionalmente, a peta costuma ser servida acompanhada de café com leite, mas também combina com chás, sucos naturais e refrigerantes.





    Ana Claudia Marques descreve o quitute como “macio, levemente açucarado, com um gosto que remete ao beiju por conta da tapioca e com a canela aparecendo de forma bem sutil”.





    Mais do que uma receita, a peta representa memória afetiva, resistência e continuidade familiar. Em cada fornada, permanecem vivos os ensinamentos de quem veio antes, fortalecendo laços e aquecendo gerações inteiras ao redor da mesa no interior baiano.


    O post Receita ancestral conecta gerações e preserva tradição familiar no interior da Bahia apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.




    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.