Seja bem-vindo
Goiânia,24/05/2026

    • A +
    • A -

    Estrofe, verso e rimas: conheça as principais estruturas de um poema

    guiadoestudante.abril.com.br
    Estrofe, verso e rimas: conheça as principais estruturas de um poema

    Este gênero textual tem uma estrutura muito própria, pode tratar sobre quaisquer assuntos, mas é muito ligado aos sentimentos, e nomes como Luís de Camões, Fernando Pessoa e William Shakespeare são alguns expoentes da área. Estamos falando dos poemas, a forma em texto da poesia, que aparecem todo ano nos vestibulares.


    Esses textos contam com componentes específicos e dominá-los pode ser um diferencial na hora de resolver as questões. Afinal, o que é verso, estrofe ou métrica? O que isso nos diz sobre determinado poema?





    Confira a seguir cada uma dessas definições.


    + 5 poesias para conhecer grandes poetas brasileiros


    Verso


    O verso é a menor unidade de um poema, ou seja, a linha. São classificados conforme a quantidade de sílabas poéticas, que são contadas a partir da musicalidade da escrita, e podem ser monossílabos (com uma sílaba), dissílabo (duas sílabas), trissílabo (três sílabas), tetrassílabo (quatro sílabas) e assim por diante.


    A principal divisão de versos leva em conta o tamanho deles, sendo:



    • Regulares ou isométricos: apresentam a mesma medida;


    De tudo, ao meu amor serei atento

    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

    Que mesmo em face do maior encanto

    Dele se encante mais meu pensamento. 



    Continua após a publicidade


    […]”


    Trecho do poema “Soneto da Fidelidade“, de Vinicius de Moraes



    • Versos livres ou heterométricos: não apresentam um padrão de métrica;


    “Estou farto do lirismo comedido

    Do lirismo bem comportado

    Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente

    protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.


    […]”


    Trecho do poema “Poética“, de Manuel Bandeira



    Continua após a publicidade



    • Versos brancos ou soltos: não possuem rimas, mas mantêm o padrão de medida.


    “Fabrico um elefante

    de meus poucos recursos.

    Um tanto de madeira

    tirado a velhos móveis

    talvez lhe dê apoio.

    E o encho de algodão,

    de paina, de doçura.

    A cola vai fixar

    suas orelhas pensas.

    A tromba se enovela,

    é a parte mais feliz

    de sua arquitetura.


    […]”


    Trecho do poema “O Elefante”, de Carlos Drummond de Andrade


    Estrofe


    Se o verso é a menor unidade de um poema, a estrofe é o conjunto deles. É possível pensar como se fosse “um parágrafo” para fins didáticos, mas saiba que este termo não é o certo quando cobrado em provas.



    Continua após a publicidade


    O estrofe é classificado a partir da quantidade de linhas. Um monóstico é composto por apenas um verso, o dístico, por dois. Seguindo esta lógica, existem também o terceto, quarteto, quintilha, sextilha, sétima (ou heptástico), oitava, nona (ou nonástico) e décima.



      Outra forma de categorizar é por meio da métrica. Uma estrofe simples apresenta rigor de tamanho, já a composta agrupa versos maiores e menores, mantendo o padrão no decorrer do texto. Ainda existe a livre, que não tem preocupação com a medida dos versos.


      + Filmes que você não sabia mas são inspirados em Shakespeare


      Métrica


      É a contagem das sílabas poéticas que definem a metrificação de determinado poema. Diferentemente da divisão gramatical, a enumeração vai até o último som tônico (ou seja, mais forte) do verso. Vogais finais e iniciais das palavras podem ser reunidas para manter a regularidade da escrita, assim como é feito na fala, e formam uma sílaba métrica.


      Esses processo é chamado de escansão. Veja um exemplo usando um trecho do texto “Canção do Exílio“, de Gonçalves Dias:


      “Mi/nha/ter/ra/tem/pal/mei/ras, (7 sílabas poéticas)

      On/de/can/ta o/Sa/bi/á; (7 sílabas poéticas)

      As/a/ves,/que a/qui/gor/jei/am, (7 sílabas poéticas)

      Não/gor/jei/am/co/mo/. (7 sílabas poéticas)



      Continua após a publicidade


      […]”


      A obra acima é um exemplo de redondilha maior, ou seja, um poema inteiro feito com sete sílabas poéticas. Outras formas são:



      • Redondilha menor: cinco sílabas poéticas;

      • Decassílabo: 10 sílabas poéticas;

      • Alexandrino ou dodecassílabo: 12 sílabas poéticas.



        Rima e ritmo


        A rima é a utilização de sons semelhantes no final dos versos. Alguns exemplos são:



        • Opostas: obtida a partir da rima entre o primeiro e o quarto verso e entre a segunda e terceira linha (ABBA);



        Continua após a publicidade


        “Ilustríssimo, caro e velho amigo, (A)

        Saberás que, por um motivo urgente (B)

        Na quinta-feira, nove do corrente, (B)

        Preciso muito de falar contigo.” (A)


        Relíquia íntima“, de Machado de Assis



        • Alternadas: é a intercalação entre versos pares e ímpares (ABAB);


        “O meu amor não tem (A)

        importância nenhuma. (B)

        Não tem o peso nem (A)

        de uma rosa de espuma!” (B)


        Inscrição na Areia“, de Cecília Meireles



        • Emparelhadas: quando feitas de duas em duas (AABBCC…);


        “Vagueio campos noturnos (A)

        Muros soturnos (A)

        paredes de solidão (B)

        sufocam minha canção (B)


        […]”


        3” dos “Sete poemas portugueses“, de Ferreira Gullar


        Já o ritmo é a musicalidade do poema, que pode ou não ser produzido a partir de rimas.


        + 5 autores latino-americanos que você precisa conhecer



          Tipos de poema


          Os poemas podem ser classificados em três categorias:



          • Líricos: focado na expressão de sentimentos, emoções e estados de espírito, como os sonetos (cuja forma fixa conta com 14 versos, divididos em dois quartetos e dois tercetos) e o haicai (de origem japonesa e com apenas três versos);

          • Épicos: contam sobre aventuras e jornadas de figuras heroicas, como a epopeia e a fábula. A “Odisseia”, de Homero, é um exemplo;

          • Narrativos: conta com enredo, personagens, tempo, espaço e narrador, mas segue a estrutura poética.


          Já apareceu no vestibular


          O GUIA DO ESTUDANTE reuniu duas questões com poemas que apareceram em edições passadas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para você treinar seus conhecimentos. A correção é da plataforma Anglo Resolve.


          Enem 2025 – Questão 28 (Prova azul)


          Pequenino morto

          Tange o sino, tange, numa voz de choro,

          Numa voz de choro… tão desconsolado…

          No caixão dourado, como em berço de ouro,

          Pequenino, levam-te dormindo… Acorda!

          Olha que te levam para o mesmo lado

          De onde o sino tange numa voz de choro…

          Pequenino, acorda!

          Que caminho triste, e que viagem! Alas

          De ciprestes negros a gemer no vento;

          Tanta boca aberta de famintas valas

          A pedir que as fartem, a esperar que as encham…

          Pequenino, acorda! Recupera o alento,

          Foge da cobiça dessas fundas valas

          A pedir que as encham.


          CARVALHO, V. Poemas e canções. Rio de Janeiro: Saraiva, 1962 (fragmento).


          Nesse fragmento do poema, o sentimento de luto adquire contornos expressivos e é intensificado pela


          A – descrição da paisagem de um cemitério.


          B – recusa do eu lírico à irreversibilidade da morte.


          C – sonoridade dos versos produzida pela pontuação.


          D – religiosidade evocada como forma de fortalecimento.


          E – impressão de sonho na construção da estrutura poética.


          Alternativa correta: B


          Resolução: No poema de Vicente de Carvalho, observa-se a recusa do sujeito lírico diante da morte de uma criança, o que pode ser observado no trecho “Pequenino, acorda! Recupera o alento, / Foge da cobiça dessas fundas valas”.


          Enem 2024 – Questão 38 (Prova azul)


          pessoas com suas malas

          mochilas e valises

          chegam e se vão

          se encontram

          se despedem

          e se despem

          de seus pertences

          como se pudessem chegar

          a algum lugar

          onde elas mesmas

          não estivessem


          RUIZ, A. In: SANT’ANNA, A. Rua Aribau: coletânea de poemas. Porto Alegre: TAG, 2018.


          Esse poema, por meio da ideia de deslocamento, metaforiza a tentativa de pessoas


          A – buscarem novos encontros.


          B – fugirem da própria identidade.


          C – procurarem lugares inexplorados.


          D – partirem em experiências inusitadas.


          E – desaparecerem da vida em sociedade.


          Alternativa correta: B


          Resolução: A afirmação do poema segundo a qual as pessoas se comportam “como se pudessem chegar / a algum lugar / onde elas mesmas / não estivessem” indica o esforço no sentido de escapar à própria identidade previamente estabelecida.



          4 livros para começar a ler filosofia










          Entre no canal do GUIA no WhatsApp e receba conteúdos de estudo, redação e atualidades no seu celular!



          Prepare-se para o Enem sem sair de casa. Assine o Curso GUIA DO ESTUDANTE ENEM e tenha acesso a todas as provas do Enem para fazer online e mais de 180 videoaulas com professores do Poliedro, recordista de aprovação nas universidades mais concorridas do país



          Publicidade




          COMENTÁRIOS

          Buscar

          Alterar Local

          Anuncie Aqui

          Escolha abaixo onde deseja anunciar.

          Efetue o Login

          Baixe o Nosso Aplicativo!

          Tenha todas as novidades na palma da sua mão.