“Iramaia e o Encontro das Águas” leva ancestralidade indígena e afro-diaspórica ao Museu de Arte da Bahia
A relação entre ancestralidade, natureza, povos originários e memória afetiva ganha forma na exposição Iramaia e o Encontro das Águas, da artista visual, arte-educadora e escritora Gleciara Ramos. A mostra foi inaugurada nesta quinta-feira (21) no Museu de Arte da Bahia e segue aberta ao público até o dia 19 de julho, com entrada gratuita.
Instalada na Galeria Jardins do MAB, no Corredor da Vitória, em Salvador, a exposição reúne bordados, tecituras, documentário e o lançamento do livro homônimo, em uma experiência que atravessa mitos amazônicos, espiritualidade, infância e referências culturais indígenas e afro-brasileiras.
Com predominância de formas cilíndricas e tons amarelos, a mostra dialoga simbolicamente com as abelhas. No idioma Tupi, “Iramaia” significa “abelha rainha”, elemento que inspira o conceito da exposição. Segundo Gleciara, o projeto nasce da conexão entre culturas indígenas e afro-diaspóricas.
“É uma homenagem ao encontro da cultura indígena com a cultura afro-brasileira, afro-diaspórica. Não tem como separar as folhas, os livros e as histórias”, afirma a artista.

As pesquisas realizadas pela artista na Amazônia, nos Andes Peruanos e na Bahia ajudaram a construir o universo poético da exposição. A partir dessas experiências, Gleciara desenvolveu obras que utilizam papel artesanal, linhas de algodão e elementos ligados à floresta, aos rios e às narrativas ancestrais.
Entre as instalações interativas, um dos destaques é a “maloca”, estrutura inspirada em uma grande árvore central, onde o público pode entrar e permanecer por alguns instantes. A proposta é provocar uma sensação de acolhimento e conexão com a natureza, como um portal simbólico de reconexão ancestral.
Outra obra que chama atenção é a “Saia de Serpentes”, peça suspensa que utiliza figuras bordadas para representar cobras contadoras de histórias. O trabalho dialoga com mitologias indígenas e convida o visitante a explorar o interior da instalação, acompanhada por bonecas posicionadas no chão da galeria.

Para a artista, costurar e bordar representam mais do que técnicas artísticas. São formas de construir memória, identidade e pertencimento.
“Costurar, bordar e tecer é como tecer a própria vida. Tudo na cultura indígena é pintado ou tecido. Existe uma relação profunda de tecitura com o mundo espiritual e com a natureza”, destaca.
Além da exposição, o público poderá acompanhar a exibição de um documentário sobre o processo de pesquisa desenvolvido pela artista na Amazônia, nos Andes Peruanos e na Bahia. A programação também contará com mediação cultural, oficinas e venda do livro Iramaia e o Encontro das Águas.
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