Jovem passa toalha na cabeça do amigo e acende fogão com toque; Física explica fenômeno
“Você tem que pensar que você é a mula-sem-cabeça”, brinca Juliana Almeida, que que está por trás da câmera neste vídeo que já acumula mais de 38 milhões de visualizações no Instagram. No registro, feito em Ribeirão Preto (SP), ela grava um amigo passando uma toalha de banho na cabeça do seu namorado, Isloan Santos. O rapaz repete o movimento algumas vezes e, depois de algumas passadas, gira o botão de um fogão ao lado dos dois. No instante seguinte, Isloan estica o braço e toca na boca do fogão, que acende uma chama ao seu toque.
Todos caem na risada e comemoram como se tivessem acabado de descobrir um superpoder. O que aconteceu ali? Magia, intervenção divina ou o moço realmente tem um superpoder?
A resposta está em um fenômeno já velho conhecido da Física. É a eletricidade estática, o mesmo tipo de energia que provoca pequenos choques ao encostar em uma maçaneta, ou que faz um balão grudar na parede depois de ser esfregado no cabelo, por exemplo.
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Bateria improvisada
Quem explica é Caio Britto, autor de Física do Sistema de Ensino pH. “Ali está acontecendo um processo de eletrização, para ser mais preciso, um processo de eletrização por atrito”, explica.
Na prática, a toalha funciona como uma espécie de bateria improvisada. Ao passar o tecido repetidas vezes na cabeça de Isloan, especialmente na região do cabelo, ocorre um atrito contínuo entre dois materiais diferentes. E esse atrito provoca a transferência de elétrons.
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“Os elétrons que estão na toalha passam para a pessoa e ela fica carregada eletricamente”, explica Caio. Quando isso ocorre, o corpo acumula carga elétrica. E, embora essa carga seja pequena em termos de energia total, ela pode gerar uma descarga muito intensa em um curto intervalo de tempo, criando uma faísca.
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Como o fogão é feito de metal, ele se comporta como um bom condutor elétrico — isto é, um material que permite que cargas elétricas se movimentem com facilidade.
“Com esse excesso, ao aproximar a mão da boca do fogão, os elétrons em excesso novamente saltam do dedo para a boca do fogão, que é metal. Esse salto causa uma faísca e essa faísca que acende o fogo”, resume o professor.
Como o amigo já havia girado o botão do gás antes de Isloan encostar na boca, bastou uma faísca para que a mistura de gás com oxigênio entrasse em combustão, acendendo a chama.
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É semelhante ao que acontece quando usamos um acendedor automático de fogão, que gera uma descarga elétrica para criar o fogo. Ou ainda, quando se dá partida em um carro com ignição elétrica.
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Mesma lógica do relâmpago
O fenômeno poderia ter sido ainda mais intenso a depender do tipo de tecido da toalha, do estado do cabelo, do calçado que o Isloan estivesse usando e até da umidade do ar. Ambientes secos favorecem o acúmulo de eletricidade estática, porque há menos água no ar para dissipar as cargas elétricas, por exemplo. Já em dias úmidos, é mais difícil produzir esse tipo de descarga.
“Agora, se a gente for pensar na faísca, numa escala muito maior, é o mesmo que acontece quando as nuvens estão muito carregadas e os elétrons saltam da nuvem para o solo”, explica o professor. “É um fenômeno natural chamado de relâmpago.”
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Nos relâmpagos, a descarga elétrica ocorre porque há uma grande diferença de potencial entre nuvens carregadas e o solo. No vídeo viral, a diferença de potencial acontece entre o corpo do rapaz e o metal do fogão.
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A lógica, no entanto, é a mesma: cargas acumuladas “procuram” uma forma de se equilibrar, e o salto repentino dos elétrons gera a faísca.
Atenção! Não é recomendado reproduzir o experimento em casa. A faísca pode acender o gás antes do esperado, causar queimaduras, provocar um susto com risco de queda ou, em situações mais graves, gerar incêndios caso haja um vazamento. Além disso, dependendo do ambiente e do tipo de gás, a ignição pode acontecer de forma mais violenta do que no vídeo.
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(@juuhalmeida_a)



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