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Goiânia,07/05/2026

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    Feira Agroecológica da Chapada Diamantina impulsiona produção local e autonomia feminina

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    Feira Agroecológica da Chapada Diamantina impulsiona produção local e autonomia feminina

    Na Chapada Diamantina, a Feira Agroecológica reúne, desde 2020, agricultores e artesãos de diferentes localidades para comercializar alimentos sem agrotóxicos e produtos artesanais, fortalecendo a economia solidária e promovendo a autonomia de mulheres da região. Em 2025, passou a ser um evento semanal, realizado toda quarta-feira na Praça dos Correios, em Seabra. 





    A iniciativa foi criada por agricultores e artesãos da região com o objetivo de fortalecer a produção local e ampliar os canais de comercialização. “A feira foi construída pensando em ser um espaço regional, que atendesse à demanda dos agricultores de toda a Chapada Diamantina”, explica a coordenadora da feira, Ana Carolina Regis. 





    Sustentada por um coletivo, a feira é vinculada à Rede Chapada Agroecológica e ainda não possui formalização jurídica. “Não temos CNPJ, ou seja, não somos uma associação. É apenas um coletivo de pessoas voluntárias que conduzem, organizam e articulam para que a feira aconteça”, explicou Regis. 





    Entre as parcerias, encontram apoio em instituições como a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) campus Seabra; o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), campus Seabra; o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a Prefeitura de Seabra, além outros apoiadores que oferecem ajuda com questões de logística, transporte e divulgação. “Sem esse apoio, a gente não teria condições de realizar a feira porque não temos recursos financeiros. A gente pede uma colaboração de 5% das vendas, mas não é um valor fixo. Nem todas contribuem, nem todas vendem, nem todas têm condições”, pontua Regis.





    É nesse ambiente de cooperação que se busca a autonomia dessas pessoas, o cuidado com a terra e a valorização de suas produções. “A feira é um espaço importante para a soberania alimentar na Bahia. As pessoas que consomem esses produtos estão garantindo essa soberania. Além de valorizar pequenos produtores e iniciativas locais, estamos também priorizando práticas agroecológicas, com alimentos cultivados sem veneno”, explica Priscila Machado, engenheira agrônoma e agente pastoral da terra do Centro-Norte da Bahia.





    Autonomia e protagonismo feminino





     Dados do Censo Agropecuário de 2017 apontam que 947 mil mulheres são responsáveis pela gestão de propriedades rurais, e 57% dessas gestoras estão na região Nordeste. Além disso, os dados mostram que cerca de 15 milhões de mulheres vivem no campo, representando 47,5% da população rural.





    Segundo Sandreia Santana, vice-coordenadora da Feira Agroecológica, as mulheres historicamente ocupam os quintais, onde cuidam da alimentação e da família, e, por meio da agroecologia, também assumem o cuidado com a terra. “Eu costumo dizer que os quintais são femininos. E, por meio da agroecologia, elas também cuidam da terra. Porque, se a gente for pensar em agroecologia, pensa principalmente nesse cuidado com a terra”, relata.





    A feirante Michele Lyra, especialista em alimentos saudáveis e inclusivos, reforça que a Feira Agroecológica da Chapada é protagonizada por mulheres, “você pode olhar que, na feira, só tem mulheres. A Feira Agroecológica é 95% de mulheres, e os 5% de homens que participam geralmente vêm acompanhando suas esposas”.





    Segundo Machado, as feiras agroecológicas têm promovido a autonomia econômica dos feirantes, em sua maioria mulheres. “Além de estarem na linha de produção em seus próprios quintais, são elas que vão à feira, fidelizam os clientes e estão ali toda semana, oferecendo alimentos de qualidade e garantindo sua renda. Algumas já conquistaram essa dignidade, e isso vem fortalecendo um empoderamento coletivo entre as mulheres que participam”, afirmou.





     É o caso de Natália Lima, agricultora familiar com certificação orgânica. “A renda que tiro da feira me dá mais independência, me ajuda a manter minha roça e cuidar dos meus”. Para a agricultora, o aspecto mais significativo da experiência está nas relações construídas com os consumidores e na confiança estabelecida a partir dos alimentos que produz. “A feira me devolveu confiança e me ensinou que o que eu sei tem valor”, conta. 





    Alexsandra Oliveira em sua barraca de crochê. Foto: Geisa Lorena




     A feira não apenas impulsiona a mulher rural, mas também fortalece aquelas que trabalham com artesanato, oferecendo uma rede de apoio e um espaço de visibilidade. “O meu trabalho cresceu, consegui divulgar mais o artesanato que faço. Antes, eu não conhecia tantas pessoas e, depois que comecei a participar da feira, passei a ter contato com mais gente e conquistei novos clientes”, pontuou a artesã Alexsandra Oliveira.





     Além de servir como vitrine para essas mulheres, onde elas conseguem vender seus produtos, fidelizar clientes e gerar renda, a feira se consolida como um espaço de fortalecimento de saberes e de troca de conhecimentos. Um lugar de interação social e vivência cultural.





     “Tem um intercâmbio, uma troca de diálogos, de informação e conhecimento. Elas vão adquirindo mais saberes, e, a partir da feira,  trocam essa experiência, experimentam novos produtos. É uma experiência bem interessante para esse desenvolvimento das mulheres”, avalia Regis.


    O post Feira Agroecológica da Chapada Diamantina impulsiona produção local e autonomia feminina apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.




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