LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é uma carta de amor aos fãs do Homem-Morcego
Nem parece, mas os jogos da franquia LEGO já existem há quase 30 anos. A fórmula que a gente conhece hoje começou em 2005, com os games de Star Wars e, desde então, diversas franquias foram adaptadas, sendo as LEGO Batman uma das com maior sucesso entre o público. Com isso, é preciso se renovar constantemente pra não ficar no mais do mesmo, e a TT Games (parece que) conseguiu isso, mais uma vez.
Tivemos a chance de jogar duas horas de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas durante a Gamescom Latam 2026, divididas em três partes bastante distintas entre si. Nesse tempo, deu pra ver que não foi fácil juntar quase 40 anos de filme do Morcego numa história só, mas que, ao menos, foi divertido. Bem divertido.
O Iceberg Lounge
A demo começa com uma cena familiar para quem viu The Batman (2022): o Iceberg Lounge, boate em que conhecemos o Pinguim. Aqui jogamos com Batman e Jim Gordon, cada um com suas próprias habilidades: o Batman com o batarangue e Gordon com uma arma que atira geleca, um clássico LEGO. A alternância de personagem acontece como qualquer outro jogo LEGO, mas tem um detalhe novo: conforme você vai acertando os bandidos, o personagem acumula ataques especiais de finalização ativados com o R1, lembrando as finalizações da série Arkham, uma novidade bem-vinda nas lutas de jogo LEGO.

A câmera também merece menção: a visão principal é quase em terceira pessoa, mas ela se adapta para uma perspectiva mais isométrica quando as lutas ficam mais intensas. Aqui começam também as piadas com humor LEGO, que ficam ainda mais divertidas, já que agora contém referências diretas dos filmes, que (alguns) tem um tom super sério. Até os comentários aleatórios dos civis circulando pela fase irão te arrancar risadas.
Os Graysons Voadores
A segunda parte tem um carinho especial no meu coração: aqui controlamos Batman e Mulher-Gato a caminho do circo para assistir aos Graysons Voadores, numa cena totalmente influenciada por Batman Eternamente (1995) e Batman e Robin (1997), filmes que me apresentaram ao universo do Morcego. E tem referência pra todo canto, incluindo a bomba no circo do Duas-Caras que quem viu o filme de 1995 vai reconhecer imediatamente. É possível ver que a TT Games optou não por adaptar cada filme, mas criar uma história central com os longas como um fio condutor, numa grande homenagem ao legado do Homem-Morcego, fazendo jus ao nome do jogo.

Cada personagem traz duas habilidades distintas: a Mulher-Gato usa o chicote e pode enviar gatos para acessar passagens estreitas, enquanto o Batman conta com o bumerangue e o batgancho para puxar objetos pesados. Robin, por outro lado, tem um bumerangue próprio e pode esticar cordas de um lado para o outro, numa fase tão colorida e cheia de detalhes que você se perde ao querer olhar tudo.
Os desafios em dupla aparecem com mais frequência aqui e funcionam bem: o scanner do Batman, por exemplo, permite descobrir passagens secretas e identificar o que destruir para montar peças LEGO maiores e progredir na fase. É o tipo de cooperação que faz o jogo brilhar quando jogado com alguém do lado.
A Batcaverna
Entre as partes da demo, tive acesso à Batcaverna, o hub central clássico do jogo. E ela é enorme: roupas do Batman e do Robin, veículos que vão dos vários Batmóveis a motos, colecionáveis, fases desbloqueáveis e até alguns desafios espalhados pelo espaço. É o tipo de área que faz o fã querer procurar por referências, tanto a vida da dupla dinâmica quanto dos filmes em si. Para quem adora explorar cada canto de um hub em jogos LEGO, prepare o seu tempo.
Hera Venenosa e uma Gotham nova
A terceira e última parte começa com uma batalha de chefe contra Hera Venenosa, de Batman e Robin, dividida em três estágios. Aqui serve mais para calibrar a expectativa de dificuldade dos chefões – e a novidade aqui é importante: pela primeira vez na série, LEGO Batman terá níveis de dificuldade. Isso amplia bastante o público potencial, sem sacrificar quem quer um desafio de verdade.
Mas o que realmente animou foi o que vem depois: o acesso ao mundo aberto de Gotham City. Sem quarentenas ou áreas bloqueadas – diferente do que Arkham City e Arkham Knight faziam com suas divisões – a cidade toda está disponível para exploração e dividida em três regiões. Quem conhece os jogos da Rocksteady vai se sentir em casa com os desafios do Charada espalhados pela cidade, mais simples que os dos Arkham, mas ainda muito divertidos de encontrar.

Visualmente, o jogo impressiona. A iluminação, as sombras e o nível de detalhe tanto nas capas de pano dos hgeróis quanto no acabamento plástico do LEGO estão muito bem feitos, ao ponto de me fazer pensar em quanto processamento vai exigir de um PC para rodar com tudo no máximo.
No geral, a sensação é de uma mistura bem calibrada entre o estilo de ação de LEGO: The Skywalker Saga e o mundo aberto vivo de LEGO DC Super Villains (um dos meus favoritos). A TT Games claramente não está se acomodando – LEGO Horizon Adventuress é um exemplo – para entender que eles sabem mexer na fórmula sem quebrar o que já funciona.
O humor, felizmente, continua intocado. E nem deveria mudar: é a cereja do bolo desses jogos, e parece melhorar a cada novo título.
Vale a espera?
Com duas horas de jogo, já é possível dizer que LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas tem tudo para agradar tanto os fãs de carteirinha da franquia LEGO quanto quem cresceu assistindo aos filmes do Batman – da versão gótica de Burton à versão contemporânea de Robert Pattinson. É cedo para falar sobre qualidade na versão final, mas o que foi mostrado na Gamescom Latam deixou uma impressão muito positiva.
E devo ser honesto aqui: sou um caso à parte na avaliação desse preview. Amo a franquia Arkham (Arkham Asylum está no meu top 5 de todos os tempos), conheço os filmes do Batman de cabo a rabo e sou fã dos jogos LEGO há anos. Não puxar sardinha é difícil, mas vamos lá: é o Batman, não tem como dar errado.
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas será lançado em 22 de maio de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC.



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