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Goiânia,04/05/2026

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    Educação tardia: o caminho de volta à escola abre novas possibilidades para jovens e adultos 

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    Educação tardia: o caminho de volta à escola abre novas possibilidades para jovens e adultos 

    “Eu não tenho inveja de nada, nem de ninguém, só de quem tem a leitura e não lê”. A frase, dita por uma senhora de 85 anos que preferiu não se identificar, revela mais do que um sentimento pessoal: expõe uma ferida histórica do Brasil. Ela interrompeu os estudos ainda na infância e hoje se reconhece como parte de uma realidade que atinge milhões de brasileiros, especialmente nas periferias e favelas, onde o acesso à educação ainda é desigual.





    Uma pessoa é considerada analfabeta quando não consegue ler ou escrever algo simples em seu próprio idioma. Essa condição impacta diretamente o cotidiano, limitando a autonomia, o acesso a direitos e o exercício pleno da cidadania.





    Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 93% da população brasileira com mais de 15 anos é alfabetizada. Ainda assim, cerca de 7% — o equivalente a 11,44 milhões de pessoas — não sabem ler e escrever. Esse cenário revela um desafio persistente, que atinge de forma mais intensa as populações em situação de vulnerabilidade social.





    A coordenadora pedagógica Patrícia Vieira chama atenção para os impactos dessa realidade. “Há uma parcela muito grande de pessoas adultas que não sabem ler e escrever. É uma situação que mexe com a gente, porque viver sem conseguir decifrar o mundo ao redor é como viver em um aprisionamento”, afirma.





    A dificuldade de acesso ao trabalho formal é uma das consequências mais imediatas do analfabetismo. Com menos oportunidades, muitas pessoas permanecem em ocupações precárias e com baixa remuneração.





    Aos 49 anos, Dejanira Santos representa um caminho possível de transformação. Ex-empregada doméstica, ela concluiu os estudos aos 48 anos e, a partir disso, conseguiu atuar como auxiliar de limpeza hospitalar. “A melhor coisa que eu fiz foi terminar os estudos. Só assim eu pude perceber o quanto isso é importante”, relata.









    Educação de Jovens e Adultos: uma porta de recomeço





    Como alternativa para quem não teve acesso à educação na idade regular, o Governo do Estado oferece a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O programa garante o ensino fundamental para pessoas a partir de 15 anos e o ensino médio para maiores de 18 anos que desejam retomar os estudos.





    As aulas deste programa são adaptadas à realidade dos estudantes, por terem outras ocupações, como o trabalho e a família. O horário é alternativo, geralmente à noite, e a duração do ensino é reduzida, em comparação ao ensino regular. E, mesmo seguindo o currículo escolar tradicional, os professores seguem uma metodologia de acordo com as necessidades e realidade dos alunos. 





    Santos, formada através do EJA, destaca como a formação abre novos caminhos. “A gente só percebe a falta que fazem os estudos quando a gente tem acesso a ele. Hoje posso sonhar em me aprofundar em outras áreas e, quem sabe um dia, ter um emprego menos pesado.”, diz. Suas histórias mostram que, mesmo com todas as dificuldades, o acesso à educação também é perspectiva para um futuro melhor.






    O post Educação tardia: o caminho de volta à escola abre novas possibilidades para jovens e adultos  apareceu primeiro em ANF - Agência de Notícias das Favelas.




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