Mercado Dona Firmina transforma fé, tradição e saber popular em sustento no interior da Bahia
No Oeste da Bahia, a 750 km de Salvador, encontra-se a cidade de Bom Jesus da Lapa, popularmente conhecida como a Capital da Fé, que, para além das festas religiosas que atraem milhares de pessoas, possui outro lugar muito conhecido pelos romeiros que ali chegam: o Mercado Municipal Dona Firmina. Construído em 1939, o espaço carrega esse nome em homenagem a uma das feiras mais antigas da cidade.
Os corredores do mercado são tomados por pequenas barracas onde circulam milhares de pessoas, principalmente entre os meses de agosto e setembro, período em que acontecem as romarias na cidade. O local é popularmente conhecido por conter uma imensidão de produtos, entre eles verduras, hortaliças, ervas naturais, temperos, especiarias, queijos, doces, rapaduras, tapiocas, cereais e peixes frescos vindos do Rio São Francisco.
São muitos os comerciantes que fazem a feira acontecer, desde aqueles que moram na própria cidade até os que saem de suas comunidades muito antes do amanhecer para que o mercado funcione frequentemente.
Dona Elenice, moradora de Cariacá, zona rural de Bom Jesus da Lapa, é uma das comerciantes que trabalham no Mercado Municipal da cidade. Entre os produtos vendidos por ela, destacam-se as ervas naturais, grande parte comprada por comerciantes de fora. A comerciante também destaca que tudo o que sabe sobre as ervas vem do conhecimento passado por seus avós, que também utilizavam essas especiarias para a preparação de chás.
A moradora da cidade e comerciante Anailsa Santos também trabalha no Mercado Municipal. Ela comercializa temperos e especiarias e destaca que alguns produtos são fabricados por ela, enquanto outros são adquiridos de terceiros.
Outro fato interessante está relacionado aos benefícios de cada tempero. Segundo ela, “com a vida e a própria experiência, a gente vai descobrindo para que serve cada especiaria. A sucupira é boa para gordura no fígado e dor nos ossos. A moringa é boa para abaixar a diabetes e o açafrão-da-terra é bom para desinflamar”.

Outro produto muito procurado pelos visitantes da cidade é a rapadura, popularmente conhecida na região como pedra de fogo. A princípio, esse produto era consumido pelos escravizados por ser rico em nutrientes. Depois, por volta de 1532, quando foi descoberto seu potencial energético, teve início a sua comercialização.
No ano de 1989, o doce chegou a ser registrado por uma empresa alemã chamada “A Rapunzel”. Anos depois, em 2005, o Brasil conseguiu o título novamente, pois antes mesmo do registro o produto já era considerado patrimônio histórico do país. Hoje, para além da rapadura tradicional, também é possível encontrar uma grande variedade de doces, entre eles doce de amendoim, doce de banana e doce de leite.

Entre os anos de 2015 e 2018, o espaço foi demolido para a construção de um novo mercado, obra que custou R$ 4,5 milhões. A construção foi realizada em ritmo intenso, reunindo operários que trabalharam em sistema de revezamento, durante os sete dias da semana, para garantir a conclusão dos serviços. Após a entrega do mercado, também foi iniciada a reforma e a pavimentação asfáltica do entorno, completando a estrutura e valorizando ainda mais a região.
A proposta da nova estrutura foi melhorar as condições sanitárias para as compras, além de oferecer mais comodidade para moradores, turistas e romeiros, criando uma área de convivência moderna e fortalecendo ainda mais um dos pontos mais tradicionais da cidade.
Diante disso, é perceptível que, para além da fé depositada nas figuras religiosas, o espaço também é repleto de romeiros que acreditam naquilo que vem da terra e promete curar as dores do corpo. Mais do que um ponto de comercialização, o Mercado Municipal Dona Firmina representa tradição, memória e sustento para muitos comerciantes da região.
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